O confronto entre o moderno e o clássico

Fui assistir neste sábado a “The Intern”, filme com Robert De Niro e Anne Hathaway. Gostei. Em meio a tanta porcaria que Hollywood tem produzido, foi interessante ver um filme leve, com cenas divertidas e outras até comoventes, e com uma mensagem mais… conservadora, algo um tanto destoante para os padrões atuais do cinema. Sem falar da atuação sempre brilhante de De Niro, talvez o melhor ator vivo hoje.

A história é até bobinha: um viúvo sem muito propósito na vida descobre a oportunidade de voltar a trabalhar, num projeto de “estagiário sênior” numa empresa moderna de tecnologia e moda. Um clássico obsessivo “old fashion”, ele começa sem ter muito que fazer, querendo apenas se sentir útil. Até conquistar todos à sua volta, utilizando sua experiência tradicional num mundo completamente diferente, mas que sente falta dessa abordagem.

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Algumas pessoas enxergam conservadores como reacionários hostis a quaisquer mudanças, mas não é bem isso. Os conservadores gostam de mudar com cautela e prudência, e em cima de pilares sólidos, pois não são arrogantes ao ponto de desejar fazer uma “tábula rasa” do mundo e começá-lo do zero, como se os antepassados nada tivessem a acrescentar.

Há uma cena do filme em que essa metáfora é capturada muito bem, quando o “estagiário” Ben (De Niro) conversa com a fundadora da empresa Jules (Anne Hathaway), e ela descobre que ele tinha trabalhado por 40 anos numa empresa que fazia catálogos de telefone (nada mais obsoleto), ali mesmo, naquele prédio todo remodelado. As estruturas eram as mesmas, diz ele, mas a decoração foi toda alterada. Algo que tem um toque claramente conservador.

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Outra parte engraçada é quando os jovens “geeks” precisam dar um jeito de apagar uma mensagem de email que a chefe mandou sem querer para a mãe, e lamentam não ter muito como “hackear” seu computador e executar a tarefa. O velho estilo clássico entra então em cena: que tal “invadir” a casa da mãe e apagar diretamente em seu computador a mensagem que lhe partiria o coração?

Enfim, há muitas coisas que os novos podem e devem aprender com os antigos, com os clássicos, e é essa a principal mensagem do filme. Até mesmo no estilo e na moda o velho Ben tem algo a oferecer, como percebem os jovens “descolados”. Não é razoável achar que tudo que existiu antes de nós simplesmente não presta, é antiquado, obsoleto, inútil.

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Os mais experientes têm um papel no mundo ainda e sempre. E como é importante lhes dar um propósito na vida, para que não se sintam apenas uma peça de museu sem utilidade alguma. “Cinza é o novo verde”, diz uma das personagens em boa tirada. Os cabelos grisalhos têm algo a oferecer aos contemporâneos. Basta permitir.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Presidente do Conselho do Instituto Liberal e membro-fundador do Instituto Millenium (IMIL). Rodrigo Constantino atua no setor financeiro desde 1997. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), com MBA de Finanças pelo IBMEC. Constantino foi colunista da Veja e é colunista de importantes meios de comunicação brasileiros como os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Conquistou o Prêmio Libertas no XXII Fórum da Liberdade, realizado em 2009. Tem vários livros publicados, entre eles: "Privatize Já!" e "Esquerda Caviar".

5 comentários em “O confronto entre o moderno e o clássico

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    13/10/2015 em 5:57 pm
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    ONDE ESTÁ A DIREITA? “CADÊ A DIREITA?!”

    Muitas vezes lemos nas colunas de jornais essa pergunta, comumente em tom de deboche. Muito
    simples a resposta. Acompanhe:

    Quem tem tempo de ser esquerdista/comunista/socialista? Quem trabalha diuturnamente, de sol a
    sol, estuda, produz bens e serviços, começa a vida como aprendiz, aluno,
    faxineiro, ambulante, e acaba tornando-se comerciante, industrial, profissional
    liberal, lojista, médico, engenheiro e demais profissões que impulsionam e
    carregam um país nas costas? Claro que não.
    Essas pessoas sadias não têm tempo para nada além do seu trabalho e estudos
    para subir na vida. Quem tem tempo sobrando para ser comunista/ esquerdista/socialista são:

    1. Sindicalista de esquerda. Raramente você encontrará num sindicato de esquerda alguém que
    trabalhou 10, 20 ou 30 anos na indústria, comércio ou serviço público e depois foi para o sindicato.

    2. Líder estudantil mau aluno. Claro, porque se ele fosse bom aluno (daqueles que só tiram nove e
    dez nas provas) certamente viria a ser um excelente profissional dentre os acima citados.

    3. Filósofo de gabinete. Professor da rede pública (principalmente), dos três graus, com
    vencimentos garantidos no final do mês, que descobriram, num brilhantíssimo
    insight de suas imensas inteligências, que o comunismo, durante setenta anos,
    não tendo feito mais que tragédias e extermínios no leste europeu e demais
    focos pelo mundo, aqui, em terras tropicais e latinas, onde reside uma raça
    superior (encabeçada por eles) atingirá finalmente a perfeição e transformará a
    América Latina no paraíso na terra, após destruir o “Império do Mal” e o
    “capitalismo- opressor- dos-fracos-e-oprimidos-em-geral.”

    4. Político profissional. Resultado final da transformação de qualquer das três figuras
    acima.

    5. Líder de movimento social esquerdista”. Em público, fala de mansinho, com candura, como
    um religioso. Para sua turma, fala com ódio na voz, fala duro, incita ao ódio,
    à destruição da “burguesia”, à depredação da propriedade privada, pregando uma
    “sociedade sem classes”. Ele mesmo sabe que não existe sociedade sem classes.
    Ou existe a sociedade livre, capitalista, com inúmeras classes, onde você pode
    mudar de uma para a outra somente com seu esforço, ou a sociedade comunista,
    onde existem somente DUAS classes: os escravos, que é a maioria da população, e
    a classe dirigente, onde ficam, para sempre, os ditadores comunistas, os
    dirigentes, os intelectuais, os chefes, os mandões, os assassinos, os imundos,
    cruéis e sanguinários. Aquele tipo de gente que você já ter visto nos palanques das FARC, e que
    vai fuzilar você sem a mínima cerimônia, se você entrar na frente dele. É esse
    tipo de gente que alega que quer a sua felicidade, que está lutando para
    consegui-la para você.

    Entendeu, agora, onde está a direita, os conservadores, os responsáveis por sustentar o país e
    seus parasitas?

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    13/10/2015 em 9:38 am
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    E aproveitando a carona, na série Blue Bloods (sobre a polícia de NY) podemos ver o conflito da visão conservadores X liberais (no sentido americano), a influência (aliás, interferência no mau sentido) da imprensa em casos como, por exemplo, esses em que policiais, desempenhando suas funções, são taxados de racistas; e de políticos e/ou militantes de movimento sociais, que, manipulando fatos, querem se aproveitar (interferindo ou denegrindo) o trabalho dos policiais. Aqui no Brasil, como sabemos, policiais se tornaram sinônimo de bandido. Na série, embora as situações não sejam assim tão simples, o senso de justiça, a honestidade sempre prevalece.
    E com a vermelhada sempre enaltecendo os coitados dos terroristas e execrando os imperialistas americanos, séries como Madam Secretary, NCIS, The Last Ship apresentam um ótimo contraponto..
    Caríssimo Rodrigo: Semper Fi!

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    11/10/2015 em 9:47 pm
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    A preservação dos valores tradicionais que representam conquistas civilizatórias passa também pela própria valorização dos membros mais velhos da sociedade. Nesse sentido, achei muito interessante a iniciativa noticiada recentemente em vários noticiários brasileiros. Um asilo-creche promove a convivência de maiores de 85 anos e menores de 5. A creche ILC, localizada em Seattle, nos Estados Unidos, conta com estrutura e atividades semelhantes a qualquer outra instituição, no entanto, as crianças têm a oportunidade de brincar e fazer companhia para os idosos que vivem no local.

    As professoras da creche propõem atividades para que tanto os idosos quanto as crianças de até cinco anos possam participar. O objetivo da creche ILC é levar carinho para os mais de 400 idosos que vivem no lar e, ao mesmo tempo, ensinar as crianças sobre a vida. O contato com os idosos faz com que as crianças aprendam a respeitar e admirar os mais velhos

    A iniciativa não é apenas positiva para o desenvolvimento das crianças, mas também para os idosos, que muitas vezes se sentem sozinhos e esquecidos nesse período da vida. As crianças e os idosos interagem em diversas atividades que envolvem música, dança, arte e diversas outras brincadeira. De acordo com as professoras da creche ILC, as crianças observam os idosos como um modelo a ser seguido.

    Sucesso nesta nova fase Rodrigo!

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    11/10/2015 em 8:40 pm
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    Que bom ve-lo em novos posts por aqui, Constantino !!
    Você faz uma falta tremenda na equipe de blogueiros de Veja.
    Totalmente incompreensível a sua saída antes de muitos outros de lá.
    Espero que você faça do blog do IL sua nova casa pra hospedagem de textos.
    Você postando por aqui 1/5 dos textos que vc postava na Veja ja vai atrair a atençao de muita gente para o IL.
    Sei que são muitas cabeças escrevendo nessa trincheira virtual contra a maré vermelha. Mas sera excelente para a popularização do Liberalismo e até do Conservadorismo com vc vindo reforçar diariamente esse time aqui.
    Para que cada vez mais pessoas tenham orgulho de bater no peito e dizer:
    EU SOU DE DIREITA !!!
    Continue nos brindando com seu conhecimento, bom humor e deboche da esquerda Caviar, Consta !
    Precisamos muito dos seus textos e videos, que, alem de desmistificar toda essa lavagem cerebral sofrida ha muitos anos, ainda nos fortalece e nos representa num país em que nos sentimos tão impotentes perante os vermelhos poderosos de brasília.

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    11/10/2015 em 6:33 pm
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    Show!!
    .
    Que legal Rodrigo. Conheci vc na Veja e ja comprei seus livros!
    .
    Tudo de bom em sua empreitada nos USA!

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