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O capitalismo somos nós!

NY

A maioria das pessoas acredita que o capitalismo resume-se às grandes corporações que manipulam o mercado em prejuízo da sociedade, o que é um grande engano. Numa metáfora didática, podemos dizer que as grandes corporações são a pontinha do iceberg do capitalismo. O capitalismo é formado por algo muito maior. O capitalismo somos nós!

Em primeiro lugar, precisamos entender que o capitalismo não é um sistema, mas um ambiente de trocas voluntárias movido fundamentalmente por cidadãos comuns − seria um sistema se fosse desenhado e imposto de cima para baixo, como o socialismo.

Em segundo lugar, as grandes corporações privadas são resultado do trabalho de pessoas comuns, cujo sucesso se deu na medida em que atenderam as necessidades e os desejos de outras pessoas.

O capitalismo flui. O socialismo é imposto.

Sabemos que algumas empresas percorrem caminhos desonestos e crescem por conta disso, porém, o que deve ser observado é que todos esses caminhos são pavimentados ou potencializados pelo estado por meio de regulações, créditos, subsídios, incentivos e esquemas de corrupção. A realidade é que para cada uma dessas empresas, existem milhares de outras tentando crescer por meio de sua própria eficiência.

O segundo ponto que deve ser observado é que as empresas que trilham caminhos “obscuros” os fazem para não se submeterem as regras de mercado.

Devemos observar também que de todas as empresas atuais, apenas uma ínfima parte tem mais de 50 anos de idade, o que refuta o argumento socialista de que o capitalismo perpetua o poder nas mãos de poucas pessoas. Se olharmos por esse ângulo, veremos que os países onde o poder concentra-se e perpetua-se nas mãos de poucas pessoas são aqueles mais alinhados aos ideais marxistas, cuja mobilidade social e econômica é determinada por decretos, não pelo resultado da livre interação comercial entre indivíduos e empresas; e esta interação fundamenta-se no poder de decisão de cada pessoa sobre os produtos e os serviços que consome, o que Ludwig von Mises chamou de plebiscito diário – liberdade de escolha e poder de decisão −, o principal indicador da saúde de qualquer economia.

Pelo raciocínio socialista, as grandes corporações capitalistas “esmagam” (eles adoram esse termo) os pequenos empreendedores, o que não condiz com a realidade.

Num raio de 1km de meu ateliê, em Santos, existe uns vinte mercados de todos os portes, de pequenas lojas improvisadas a um grande Carrefour; e também o mesmo número de padarias, entre simples e luxuosas, além de três feiras livres por semana e vários bares e restaurantes para os mais diferentes gostos e bolsos. O que se percebe ao analisar o fluxo de fregueses em cada um desses negócios é justamente o poder de decisão do cidadão comum que mantém funcionando tanto os “grandes” quanto os “pequenos”.

Enquanto o Carrefour atende a demanda por produtos mais baratos, os mercados menores oferecem atendimentos mais pessoais e produtos mais específicos ou simplesmente aproveitam-se da proximidade da casa de seus fregueses, o que lhes dá condição de cobrar mais caro por seus produtos, absorvendo a produção de pequenos fornecedores que não têm condições de atender aos pedidos das grandes redes de supermercados. Na prática, isso significa que qualquer cidadão, em função de seus interesses, de suas conveniências e de suas condições particulares pode comprar alguns produtos no Carrefour e outros nos mercadinhos ou nas feiras próximas a sua casa. A grande maioria das pessoas prefere comprar pão em “padarias de rua”, mesmo sabendo que no Carrefour o preço é 30% mais baixo.

Se o raciocínio socialista de que “os grandes esmagam os pequenos” tivesse fundamento, as marcas de cervejas artesanais não existiriam devido a existência da AMBEV e nenhuma grife de moda existiria devido a existência da meia dúzia de grandes redes de roupas populares.

Duas verdades: O interesse e a satisfação do cliente não podem ser determinados por leis nem podem ser manipulados pelas vontades de uma ou de outra grande empresa; e qualquer interferência do governo retira do cidadão comum seu poder de decisão que é, fundamentalmente, o que molda sua satisfação.

Os efeitos das intervenções estatais em determinados setores, sob a justificativa de beneficiar a economia como um todo, estão sendo sentidos por todo o Brasil, porém, com prejuízos muito maiores sobre aqueles que compõem a “base do iceberg”.

Juros, inflação e desemprego em alta significam menos dinheiro no bolso do cidadão comum, que passa a optar por produtos mais baratos ou mesmo eliminar alguns de sua lista de compras. Quem antes optava pela padaria ou pelo mercadinho logo ao lado de sua casa, agora decide andar algumas quadras para comprar o que precisa no Carrefour. O pão mais barato do Carrefour deixa de ser uma opção e se torna uma necessidade. Pessoas que frequentavam bares e restaurantes mais requintados agora optam por bares e restaurantes mais simples. Tudo o que não é estritamente necessário à sobrevivência passa a ser supérfluo, o que vai destruindo pequenos negócios de pessoas comuns, alimentando o desemprego e o pior, dando ao estado a justificativa para intervir ainda mais − “Ao tentar corrigir as falhas da interferência anterior e eliminar os efeitos não intencionais por ela gerados, o governo volta a intervir, deflagrando uma espiral de intervenções que se auto-alimenta”, já disse Eduardo Giannetti, mais de 20 anos atrás.

Até outubro, o próprio governo contabilizava mais de 700 mil pessoas que perderam o emprego em um ano. O salário médio caiu 7%. A inflação passará de 10%. Dados abstratos para os socialistas, principalmente para aqueles vivem das tetas do governo, dos sindicatos e dos movimentos sociais. Estes números podem ser multiplicados por dois ou três que nada abalará a paixão dos petistas, assumidos ou não. Quanto mais a situação piorar, mais gritarão que a culpa é do capitalismo, ou seja, que a culpa é daqueles que estão empobrecendo.

Para a alegria dos socialistas, Dilma Youssef nomeou para o Ministério da Fazenda Nelson Barbosa, orgulhoso defensor do intervencionismo, para dar continuidade aos erros que corroeram a economia brasileira. A certeza: Mais negócios serão fechados, mais pessoas perderão seus empregos, porém… “Nada abalará os programas sociais!”.

Considerando que a grande maioria das pessoas não tem nem dinheiro, nem formação profissional, nem talento para fazer da crise uma oportunidade para reinventar suas vidas abrindo um negócio próprio, será essa massa de cidadãos que mais sofrerá com os efeitos das “boas intenções” socialistas.

Mais uma vez, a verdadeira base do capitalismo, que somos nós aqui em baixo, sofrerá os efeitos das decisões tomadas lá em cima, por pessoas que jogam com os números ignorando que estão, na verdade, jogando com a vida de pessoas.

Outra certeza: Funcionários públicos, líderes de partidos políticos, artistas que vivem do patrocínio estatal e grandes empresários com conexões com o governo não sentirão os efeitos da crise. Muitos dirão que ela nem existe.

João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É militante liberal/conservador com consciência libertária.