Bolsonaro presidente: e agora?

O Primeiro de Janeiro de 2019 foi um momento histórico para os brasileiros. Jair Messias Bolsonaro tomou posse como o 38º presidente da República Federativa do Brasil, o que para muitas pessoas representa o triunfo dos valores liberais, representados na figura do ministro da economia Paulo Guedes, e o declínio do poder esquerdista na máquina pública, iniciado no governo de Michel Temer e que agora será consolidado pelo governo Bolsonaro.

Todavia, enganam-se aqueles que acreditam que apenas a eleição de Bolsonaro representa o fim do pensamento desenvolvimentista e a vitória do liberalismo. Na verdade, este é apenas o novo capítulo de uma saga liberal que começou a ganhar forma nos anos de 2013 e 2014, solidificou-se em 2015 e, desde então, vem começando a ocupar gradativamente os espaços até então dominados por setores da esquerda, como os centros universitários, e aumentando sua presença em portais da grande imprensa como o Gazeta do Povo, onde o presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Liberal, Rodrigo Constantino, possui um blog.

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O momento atual exige bastante cautela e amadurecimento dos que querem trazer a luz da liberdade pelos quatro cantos do Brasil. Isso porque o liberalismo econômico estará em voga com as medidas prometidas por Paulo Guedes, o que significa que teremos projetos de austeridade fiscal, pacotes de privatização de estatais e, principalmente, o projeto que reformará a previdência, reforma esta que é vital para impedir uma crise previdenciária que certamente seria catastrófica para a economia e causaria um colapso financeiro para as famílias.

Para que estes objetivos sejam conquistados, será necessário, mais do que nunca, modificar o pensamento estatista impregnado no subconsciente brasileiro: a crença em que o Estado, e apenas o Estado, sabe o que é melhor para o povo. Esse tipo de mentalidade não se restringe apenas à economia, com o manjado pensamento desenvolvimentista (ou o novo-desenvolvimentismo defendido por Ciro Gomes), mas também a aspectos da sociedade civil. O estatismo se faz presente quando se roga ao Estado o direito de criar leis que interfiram nas liberdades individuais, como restringir o consumo de bebidas alcóolicas ou até que ele proíba o uso de biquíni em praias.

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Outra consequência do pensamento estatista é a crença em um “salvador da pátria”, em que basta um Sassá Mutema  no comando que os problemas serão resolvidos como num passe de mágica. Esse tipo de mentalidade é perigoso, pois cria uma espécie de “culto ao líder”, e empobrece o debate. Quando a pessoa coloca o “salvador da pátria” acima de valores, de ideias, a probabilidade de ela levar o debate de maneira passional, ao invés do racional, aumenta consideravelmente, pois o “salvador da pátria” é um ser infalível, um sujeito que é praticamente um semideus. A maneira como os petistas tratam Lula até hoje mostra o que pode acontecer quando o apego emocional se torna grande e prolongado demais: o abandono dos pensamentos próprios, o fim da individualidade do cidadão em prol de um “bem maior”. E o resultado final costuma ser bastante desastroso.

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Os próximos anos serão cruciais para mostrar que os eventos no Brasil são apenas uma “onda passageira” ou é um movimento que veio para ficar. O momento é de consolidação dos nossos valores, solidificar o pensamento no imaginário da sociedade, e, principalmente, avançar nas reformas necessárias para o crescimento do país. Bolsonaro foi eleito, mas o trabalho apenas começou.

Sobre o autor: Erick Silva é graduando em Administração pela UFRRJ.

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