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Nova rodada de previsões: o quadro piorou

O FMI atualizou a previsão de crescimento para 30 países (link aqui). Nas novas estimativas, a economia do Brasil deve encolher 9,1% em 2020. Em abril a previsão era de uma queda de 5,3%. A piora na previsão não é exclusividade do Brasil; dos países da amostra apenas Austrália, Paquistão e Egito tiveram aumento na previsão de crescimento. Em abril de 2020, a média das taxas dos países da amostra era de -4,2%. Em junho, essa mesma média passou para -6,2%, a mediana caiu de -5,4 para -6,3. Em abril, a maior queda era prevista para a Itália: 9,1%; em junho, a Espanha se juntou à Itália no posto de maior queda, -12,8%; a França, com queda prevista de 12,5%, aparece em terceiro lugar.

A figura abaixo mostra as taxas de crescimento previstas com destaque para alguns países. Quanto mais para a esquerda o país aparecer na figura, maior a queda do PIB. Além dos três já citados, México, 10,5%, Reino Unido, 10,2%, e Argentina, 9,9%, devem ter quedas de PIB maiores que o Brasil. Apenas no Egito, 2%, e na China, 1%, o FMI prevê crescimento da economia.

A piora do quadro geral fica clara quando comparamos as previsões de abril com as de junho. A maior queda de previsão aconteceu na Índia, 6,4%; na sequência aparecem França, 5,3%, e Espanha, 4,8%. Dos trinta países da amostra, em sete a queda na previsão de crescimento foi maior do no que no Brasil. Neste grupo, estão Argentina e México. A figura abaixo mostra a distribuição das diferenças entre as previsões de junho e abril.

Nos dois critérios avaliados no post – previsão de queda e variação na previsão de queda -, o Brasil está mal na foto. Nas duas medidas, estamos no terço com pior desempenho. Por outro lado, entre os países da América Latina da amostra, o Brasil tem o melhor desempenho. Se isso é por conta do reduzido número de países latino-americanos na amostra ou porque os efeitos da pandemia serão mais graves nas economias de nuestra America, é coisa que não sei dizer.

Roberto Ellery

Roberto Ellery

Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), participa de debate sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos em longo prazo das políticas de investimento.