O dia 13 de março na história do Brasil
“Jango, os trabalhadores querem armas para defender seu governo.” “Legalidade para o Partido Comunista.”
Com faixas exibindo inscrições como essas, há 60 anos acontecia o famigerado Comício da Central de João Goulart, um dos acontecimentos mais deformados da história brasileira. Um evento simpático e democrático por reformas justas, dizem muitos historiadores, divulgadores de História e jornalistas; pois eu digo: uma ova. A respeito, publiquei:
“Em 13 de março aconteceria o famoso espetáculo conhecido como Comício da Central, no Rio de Janeiro.
Dada a atmosfera criada, o comício foi uma explícita ‘declaração de guerra’. A Frente de Mobilização Popular, Brizola, agora o próprio Miguel Arraes, o CGT, a UNE, o Comitê Central do ilegal PCB — todos os radicais de esquerda estavam lá.
Perante uma multidão de 150 mil pessoas, em boa parte militantes e trabalhadores de vários estados levados pelo CGT com recursos do contribuinte, Brizola conclamou o presidente ao fim da conciliação, garantindo que, se houvesse um plebiscito, o povo votaria a favor de dissolver o Congresso e formar uma assembleia constituinte popular para que o Congresso tivesse ‘trabalhadores, camponeses, sargentos, oficiais nacionalistas e autênticos homens públicos’.
O próprio Jango, em discurso histórico, atacou a ‘democracia dos privilégios, a democracia da intolerância e do ódio, a democracia para liquidar com a Petrobras — a democracia dos monopólios, nacionais e internacionais, a democracia que levou o presidente Getúlio Vargas ao extremo sacrifício’, como se houvesse outra ‘democracia’ a respeitar que não a democracia regida por uma ordem constitucional liberal-democrática. Declarou que todas as refinarias passariam a ser do povo e que, em poucas horas, decretaria a regulamentação dos aluguéis.”
(Lacerda: A Virtude da Polêmica, p. 269-270)



