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Fundos de pensão no vermelho em larga interpretação

dinheirovermelhoO Globo relata hoje em interessante reportagem sobre o atual estado financeiro dos fundos de pensão de empregados públicos de estatais, controlados quase que exclusivamente pelo Governo Federal. Com o título “Fundos de pensão no vermelho”, a reportagem fala sobre os sucessivos déficits de grandes fundos de pensão como a Petros e a Funcef, na ordem de bilhões de reais.

Ainda de acordo com a reportagem, a maior parte dos prejuízos desses fundos de pensão provêm do fato que os investimentos escolhidos pelas suas diretorias pouco tem a ver com a análise técnica feita pelos seus funcionários de carreira, e sim com a conveniência política do Governo Federal que indicou os referidos gestores do fundo.

E essas escolhas políticas são o cerne do problema, pois escolhas técnicas certamente levariam a uma maior eficiência da gestão. Só que a ordem natural das coisas no serviço público, onde o “lucro” do político não está em uma gestão saudável, mas sim no dinheiro que se pode ganhar em cima de negociatas, faz com que naturalmente as empresas geridas por políticos tendem a fazer escolhas políticas.

Embora sistemas de fiscalização e accountability possam resolver parte do problema da gestão política do fundo, é evidente que tais medidas apenas remam contra a maré natural da lógica da escolha pública, e que a única solução racional, não-paliativa e definitiva para esse problema é a privatização completa e real do setores envolvidos (Correios, Petrobras, BNDES, etc…) e os respectivos fundos de pensão a eles vinculados (Funcef, Petros, etc…). Somente assim esses fundos de pensão, controlados pelos pensionistas, passarão a ter como objetivo trazer lucro para seus acionistas, fazendo bons investimentos com base na lógica de mercado, otimizando investimentos e a poupança nacional e gerando expansão da economia no longo prazo.

Insistir na lógica da política é condenar os fundos de pensão a operar no vermelho, seja do ponto de vista contábil (prejuízo), seja do ponto de vista político (partidos de esquerda).

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.