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A forte queda do PIB por conta da pandemia terá uma rápida recuperação?

Alguns economistas gostam de usar letras para descrever fenômenos relacionados à dinâmica da economia. O crescimento é um dos alvos favoritos dessa turma. No governo Dilma, lá por 2012, teve a turma do “J”. A teoria era que as políticas de Dilma, a hoje infame Nova Matriz Econômica, levariam a uma queda inicial e depois a um forte aumento na taxa de crescimento da economia. Não foi o que aconteceu; se a taxa caiu e lá ficou com um “L” ou se caiu e depois caiu mais seguindo alguma letra que agora não me vem a memória, é coisa que deixo para o leitor especular.

Agora temos a recuperação em “V”. A tese é que a forte queda do PIB por conta da pandemia terá uma rápida recuperação. Da minha parte, prefiro esperar para ver, mas, ao me deparar com um gráfico de recuperação em “V” supostamente elaborado pela Secom, resolvi fazer a minha versão da recuperação da economia brasileira. Para isso, usei o índice do PIB na tabela de séries encadeadas de índices de volume com correção sazonal, uma série que corrige pela variação nos preços e por fatores sazonais.

A figura abaixo mostra a recuperação do PIB. Usei a escala sugerida pelo ggplot/R, que também é minha preferida por permitir o foco no movimento de interesse. Repare que, mesmo com o forte crescimento no terceiro trimestre, ainda não voltamos ao nível do primeiro trimestre deste ano – lembre que a série passou por ajuste sazonal.

Os dados adequados para avaliar a recuperação do nível de produção não descartam que o “V” possa acontecer, tudo vai depender do quarto trimestre, mas também não dá para dizer que o “V” já aconteceu. Como disse no texto anterior, a hora é de ter calma e seguir com as reformas, até porque, mesmo com a recuperação da crise causada pela pandemia, ainda temos que nos recuperar da grande crise que fez desta uma década perdida mesmo antes deste novo Coronavírus aparecer.

Roberto Ellery

Roberto Ellery

Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), participa de debate sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos em longo prazo das políticas de investimento.