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Eles dizem: “E aí? Você vai queimar o Carrefour ou é racista?”

“Ontem, em protesto após o assassinato de um homem negro, manifestantes “botaram” fogo em uma filial do Carrefour em São Paulo. A funcionária, desesperada, aparentemente gerente, foi apagar o fogo, colocando-se em risco em nome do trabalho que a sustenta. Ela também é negra.

Tocqueville mostrava, em Democracia na América, que manifestos sem inteligência logo se tornam a ruína de um ideal. A causa negra, enquanto movimento, tropeça na própria burrice, chafurda na tirania socialista que cultua.”

Esse foi o comentário que fiz ao protesto violento que se seguiu à morte de João Alberto. Para quem não está inteirado do assunto que está movimentando 99% da lacrolândia, seja de direita ou de esquerda, deixo o link aqui para que possam entender melhor as minhas considerações a seguir. O fato é que, após expressar o que está acima, fui chamado de racista e alguns “neonegrosmaneira como o sociólogo socialista Antonio Risério denomina essa turba “antirrascista” de modus fascista ― começaram a me repudiar.

Na mesma sexta-feira, eu já havia repudiado o claro absurdo do ato assassino dos seguranças com a seguinte postagem:

“Um homem foi espancado até a morte, ontem, por seguranças do Carrefour. A justificativa foi que ele ameaçou uma funcionária do estabelecimento. A percepção sadia da realidade sabe identificar a gradação do absurdo; uma ameaça, por mais abjeta que seja, não merece um espancamento até a morte. Atitudes como essa revelam a doença, o descontrole em que a humanidade está encerrada.

Meus pêsames à família, e meus votos de que a justiça seja exemplarmente feita o quanto antes”.

Porém, obviamente, não foi o suficiente; claro, diriam alguns, ousei não atear fogo em nenhuma sucursal do Carrefour em nome do antirracismo e do amor à humanidade. No entanto, há um problema em me chamar de racista: o homem que me criou, e que tenho a honra de chamar de pai, é esse negão aí na foto. A minha educação é referenciada nele; os valores que me norteiam aprendi na escola Beto Florentino. Um desses valores passados lá em casa, principalmente pelo exemplo da minha mãe, branquela que só ela, é que cor de pele não define caráter. Tanto é verdade que escolheu um “homem de cor” para colorir a vida minha e da minha irmã, para particularmente me ensinar a ser um homem íntegro, digno ao ponto de não me dobrar a grupos que tentam intimidar e se impor no berro.

Não vou dar pano pra manga nesse pseudodebate histericista que hoje aflora nas redes; afinal, 99% desses discursos belicosos, dos autointitulados defensores dos negros, baseiam-se num idiotismo e analfabetismo político e não em uma justa luta social contra o racismo. Há tempos que os negros estão sendo usados iguais a papéis higiênicos por ideologias politiqueiras. Isso sim é racismo.

Eu concordo em partes com o discurso do Black Lives Matter: o negro continua escravo, só que agora é escravo de uma ideologia, de um movimento do qual ele simplesmente não pode escolher não fazer parte ― essa parte eles não contam. Atualmente o negro ― enquanto símbolo ― está suspenso numa jaula política, sobre as cabeças dos indivíduos, a fim de que todos contemplem o seu coitadismo histórico. Sim, ele está à mostra no circo político da contemporaneidade, tornou-se um símbolo desalmado de uma causa que encontrou na negritude alheia aquilo que não colou no proletariado.

 me permitam repetir de forma mais enfática, a fim de que não restem dúvidas sobre a minha análise da causa negra esquerdista: o negro do século XXI, de certa maneira, realmente não é livre, mas pasmem, a culpa não é do capitalismo nem do patriarcalismo branco(!), mas sim da esquerda que agora o adestra numa coleira ideológica denominada de “causa negra” ou “antirracismo”; seu novo quilombo é um discurso moralista do qual ele não pode sequer discordar ― não se quiser continuar com as benesses de ser um negro… NEGRO… isto é, um negro digno de ser defendido… um negro de esquerda, em suma.

Simone Barreto Silva, por exemplo, foi assassinada mês passado, na França, por um muçulmano que julgou que o sangue dela, por ser uma católica, seria a passagem direta para um céu de virgens prontinhas para satisfazer às suas libidos escatológicas. Simone era negra, mas, se eu contar a vocês, meninxs, que não houve nenhum protesto de neonegros em nenhuma mesquita do mundo em nome da Simone, vocês acreditam? Não “tacaram” fogo em nada… Por que será? Calma, eu respondo. A Simone não servia ao discurso, entendem? O sangue dela não era tão importante assim para a causa… capitche? Não era uma negra… NEEEEGRAAAAA…

Não sei vocês, eu ainda sou do poviléu da coerência, acho gostosinho aquilo que costumeiramente se convencionou chamar de “lógica”, “nexo”. Por isso, se a morte injusta de um negro te revolta, mas a morte injusta de um branco ― amarelo, vermelho, roxo, fúchsia, sei lá ― pouco lhe interessa, então, cá entre nós, você não luta contra o racismo, apenas escolhe o racismo que lhe convém. Black Lives Matter, meus caros, não é sobre racismo, é sobre poder político, dominância social de discursos. Se vocês realmente se importam com as suas liberdades de expressão e todas as demais, então é bom que entendam isso rapidamente.

Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, ensaísta do Jornal Gazeta do Povo e editor na LVM Editora.

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