Um ano do governo Temer: grandes mudanças na economia brasileira!

Há um ano atrás Dilma Rousseff foi afastada da presidência da República e Michel Temer passou a ocupar, primeiro interinamente, e depois em definitivo, o cargo de Presidente da República. De lá para cá, muita coisa mudou no país, outras ainda estão em processo de mudança. Nesse artigo vou me concentrar em algumas mudanças na […]

Há um ano atrás Dilma Rousseff foi afastada da presidência da República e Michel Temer passou a ocupar, primeiro interinamente, e depois em definitivo, o cargo de Presidente da República. De lá para cá, muita coisa mudou no país, outras ainda estão em processo de mudança. Nesse artigo vou me concentrar em algumas mudanças na economia ao longo desse ano.

Uma das principais melhoras sentidas na economia foi a brutal queda da inflação, que chegou aos dois dígitos (10,7%) em dezembro de 2015, estava em 9,3% nos últimos doze meses terminados em maio passado, e está agora em 4,0%, portanto abaixo da meta de inflação de 4,5% (dados de abril). Essa é a inflação mais baixa desde julho de 2007, onde a inflação em 12 meses foi de 3,7%. Alguns fatores explicam essa queda da inflação: a recessão brasileira; a melhora das expectativas de inflação, com a mudança de governo e a troca do comando do Banco Central; fortalecimento do real, que fechou 2015 no patamar de R$ / US$ 4,00, e está agora rodando em R$ / US$ 3,15, ajudado pela queda do risco-país (CDS de 5 anos, que passou de 500 pontos em janeiro de 2016 para por volta de 200 pontos recentemente); e uma grande contribuição da queda dos preços de alimentação (peso de 17,0% no IPCA total). Para se ter uma ideia, em agosto passado, a inflação (12 meses) de alimentação domiciliar foi de 16,8%, e foi recuando até chegar a 2,5% em abril. As expectativas de inflação, que estavam desancoradas no governo Dilma, voltaram para a meta nos prazos mais longos. Em abril do ano passado, a expectativa de inflação até 2020 estava em 5,0%. Já agora, está em 4,25% para 2020, apostando numa queda na meta da inflação para esse período.

Essa queda da inflação que possibilitou a queda dos juros. A nova diretoria do Banco Central entrou no governo com a Selic em 14,25%. Manteve essa taxa nas duas primeiras reuniões, e começou a reduzir os juros posteriormente. Hoje, o juro nominal se encontra em 11,25% e a mediana das expectativas de mercado apontam para a Selic em 8,5% no fim do ano. Em resumo, há um ano atrás, a inflação estava perto de 10,0% e os juros acima de 14,0%. Hoje, a inflação está em 4,0% e os juros em 11,25% e com viés de queda.

Sobre a recessão brasileira, a pior dos últimos 120 anos, e uma das mais graves no mundo nos últimos dois anos, causada sobretudo por erros de política econômica praticadas pelos governos petistas, parece que está ficando para trás. Depois de oito trimestres em queda consecutiva (na variação na margem, ou seja, contra o trimestre imediatamente anterior), as previsões apontam um crescimento no dado do primeiro trimestre de 2017, a ser divulgado pelo IBGE no dia 01 de junho. A mediana das expectativas de mercado (Focus) para o crescimento real do PIB nesse ano está em 0,5%. Apesar de ser um ligeiro crescimento, é melhor do que as duas quedas do PIB de 2015 e 2016 (-3,8% e -3,6%, respectivamente).

Como ponto negativo destaco a taxa de desemprego, que sempre é a última tanto a entrar quanto a sair da crise. No segundo trimestre de 2014, quando começou a recessão brasileira, segundo o CODACE (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos), a taxa de desemprego estava em 6,8%. Passou para 9,0% em 2015, 12,0% em 2016 e se encontra atualmente em 13,7%. Como a recessão brasileira foi muito forte, esse dado, infelizmente, ainda vai demorar a melhorar.

Na relação economia com política, o governo Temer obteve uma grande vitória no ano passado com a PEC do teto dos gastos. A questão relevante agora é passar a reforma da previdência, mesmo com todas essas modificações. No futuro será inevitável fazer outra reforma, mas é imprescindível fazer essa agora também. Hoje em dia o Brasil gasta 54% das despesas primárias com benefícios previdenciários (setor privado e público) e o Benefícios de Prestação Continuada da LOAS/RMV. No cenário sem a reforma, esse gasto vai para 85% em 2026. Com a reforma e suas modificações do texto do substitutivo apresentado na Câmara em 19/04/2017, o gasto vai para 76%. Mantendo constante o gasto de 9% da despesa com saúde e 4% com educação, sobrariam apensa 3% para as demais despesas no cenário sem a reforma e 12% no cenário com a reforma. Essas projeções são do Ministério do Planejamento, e mostram o quanto é importante a reforma da previdência, agora e no futuro.

Analisando sob um aspecto mais qualitativo, os quadros da área econômica são bem melhores do que os quadros que permaneceram com a Dilma até o fim. Ilan Goldfajn e sua equipe no Banco Central já mostraram resultado com a queda da inflação e a redução dos juros, algo que Alexandre Tombini não conseguiu fazer. A média de inflação durante os cinco anos de mandato da Dilma foi acima de 7,0%, bem mais do que a meta de 4,5% e acima até do limite superior de tolerância (6,5%). Henrique Meirelles e equipe apresentaram uma transparência maior das contas públicas, diferentemente das pedaladas fiscais e contabilidade criativa dos governos petistas. Vale frisar que seu antecessor no cargo de Ministro da Fazenda era Nelson Barbosa, um dos responsáveis pela Nova Matriz Econômica que levou o Brasil a maior recessão da história e os 14 milhões de desempregados. Maria Silvia Bastos substituindo Luciano Coutinho na presidência do BNDES e Pedro Parente na Petrobras também foram decisões positivas do governo Temer.

Ou seja, apesar de tudo, a economia está numa situação muito melhor agora do que há um ano atrás! Mas as incertezas continuam, além da questão da reforma da previdência (se não passar, o cenário todo se modifica) esse ano, temos a incerteza eleitoral do ano que vem!

Sobre o autor: Marcel Balassiano é mestre em Economia Empresarial e Finanças pela Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE), mestre em Administração pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE) e bacharel em Economia pela Escola Brasileira de Economia e Finanças (EBEF), todas da Fundação Getulio Vargas (FGV).

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