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Qual a expectativa de crescimento para o Brasil em 2022?

Estou acompanhando a gritaria a respeito da previsão da SPE de crescimento superior a 2% em 2022. Como sou chato e não sou pago para fazer previsões, vou bater na velha tecla de que não dá para saber.

Minha leitura é que a taxa de crescimento de longo prazo (na falta de nome melhor, para os iniciados, estou falando da taxa no caminho de crescimento equilibrado) do Brasil é em torno de 1% ao ano. Pode ser um pouco mais ou um pouco menos; não vou brigar pela terceira casa decimal em resultados obtidos a partir de medidas de produtividade (PTF) e capital share.

Ocorre que o desemprego está alto e isso pode abrir espaço para políticas de curto prazo elevarem o crescimento do PIB bem acima de 1%, desde que superados os entraves de curto prazo do lado da oferta, especialmente a quebra nas cadeias produtivas por conta da pandemia e a crise hídrica.

Desta forma, o desempenho de curto prazo da economia depende fortemente de três fatores: pandemia, chuvas (energia) e o quanto o governo está disposto a fazer para estimular a economia em ano eleitoral. Com as notícias mais recentes, podemos acrescentar o desenrolar dos eventos na China. A turma que reclamou de alta nos preços das commodities talvez se arrependa em caso de queda nesses preços, isso sim um grande problema para o Brasil e a América Latina em geral.

Em 2020, uma conversa que tive com o Adolfo Sachsida no final de 2019 viralizou por conta de uma provocação dele a respeito do crescimento da economia. Ele dizia que ficaria acima de 2,5% em 2020, eu duvidei. É justo registtar que na época a pandemia ainda estava distante do Brasil. Nem eu nem ele consideramos o efeito desastroso na economia brasileira e mundial.

Digo para vocês o que disse para ele na época: se vocês quiserem, pode passar de 2,5%, mas se chegar perto de 3% eu vou criticar muito. Hoje eu diria quase o mesmo, apenas ajustaria os valores e condicionaria o “se vocês quiserem” aos rumos da pandemia e das chuvas.

Roberto Ellery

Roberto Ellery

Roberto Ellery, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), participa de debate sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos em longo prazo das políticas de investimento.