Por que pagamos mais caro pelo que consumimos?

É inevitável não nos sentirmos enganados ao ver os mesmos produtos que compramos aqui no Brasil por menos da metade do preço em outros países. A pergunta que não sai da nossa cabeça é: por que no Brasil tudo é tão caro? Muitos acreditam que o único motivo são os impostos. No entanto, tem muitos outros fatores de igual ou maior importância que fazem com que paguemos mais caro pelo que consumimos.

Cronologicamente falando, o primeiro fator responsável por estes preços é o monopólio do governo no setor de infraestrutura logística. Responsável pelos trens, barcas, metrôs, rodovias e aeroportos, o governo ao longo da história do Brasil concentrou maior parte de seu “investimento” na infraestrutura rodoviária, sendo este o segundo modal mais caro, ficando atrás apenas do aéreo. O resultado deste investimento é que, hoje, mais de 60% do nosso modal de transporte é o rodoviário

Tendo em vista que maior parte dos produtos que compramos são transportados em caminhões, vem a segunda surpresa. Estes veículos usam combustível vendido por outro monopólio estatal: a Petrobrás. Como é comum em qualquer mercado monopolista, a Estatal pratica o maior preço possível (sobretudo quando somada aos impostos que podem ultrapassar 50% em alguns estados), uma vez que sua demanda não pode recorrer à concorrência. Ainda em alguns casos, produtos comprados na internet são entregues pelos Correios, sendo este o terceiro monopólio seguido dentro do processo logístico do mercado.

A incidência de impostos sobre todas etapas da cadeia de suprimentos é o quarto elemento responsável pelo encarecimento dos bens de consumo. 1) O setor secundário é tributado ao comprar do setor primário; 2) o terciário é tributado ao comprar do setor secundário; 3) o cliente é tributado ao comprar do setor terciário. Então, quando você compra um suco, está pagando mais caro porque a indústria foi tributada ao comprar a fruta, a caixinha, e todos os bens intermediários; o varejo foi tributado ao comprar a caixa de suco (Produto Acabado) da indústria; e você foi tributado ao comprar do varejo seu suco. Em cada uma dessas etapas onde houve incidência de impostos, o produto passou a ser mais caro para se ajustar aos novos custos.

A burocracia imposta àqueles que querem abrir um negócio tem tantas etapas e custos para legalização e adequação do negócio às diretrizes das Agências Reguladoras, que acaba refletindo igualmente no preço dos bens de consumo

Pelo lado da oferta, ficou mais fácil entender por que tudo é tão caro. Não obstante, ainda há dois fatores que contribuem com a deterioração do nosso poder de compra. Entretanto, dessa vez o problema está no lado da demanda.

Um funcionário custa para a empresa até 68% a mais do que vem em seu contracheque. Além do salário, a empresa precisa pagar INSS, FGTS, 13°, férias, VT, imposto sindical, entre outros custos eventuais (licença maternidade, rescisão, adicional de risco, etc.). Tudo isso, obviamente, pressiona muito o salário do trabalhador para baixo. Não é à toa que profissionais que optam por trabalhar como PJ recebem mais do que se estivessem trabalhando de carteira assinada. É um trade off, onde o trabalhador abre mão de seus “benefícios” para ter maior poder de compra (liquidez).

A última variável e não menos importante, diz respeito à produtividade. O protecionismo brasileiro e as demais intervenções que impedem o funcionamento natural do mercado impossibilitam o aperfeiçoamento da mão de obra, fazendo com que não tenhamos uma produtividade que justifique um salário maior. Um americano equivale a 4 brasileiros em termos de produtividade, e só será possível reverter este quadro quando aderirmos a uma economia de livre mercado.

Considerações finais

Por fim, pudemos ver como o governo intervém na economia e como isso impacta negativamente no nosso dia a dia. Pelo lado da oferta, temos altos custos relacionados ao 1) monopólio na área de infraestrutura logística, 2) combustível, 3) e correios, 4) além dos custos tributários 5) e burocráticos

No lado da demanda, temos 1) custos trabalhistas e 2) baixa produtividade, que comprimem o salário do brasileiro para baixo.

A análise do artigo foi quase que fundamentalmente MICROECONÔMICA. Contudo existem também fatores MACROECONÔMICOS que devem ser considerados, como a carga tributária, políticas de depreciação cambial e políticas inflacionistas que fazem com que o dinheiro perca valor. Mas essas outras questões ficam para um próximo artigo.

Sobre o autor: Leonardo Galucio atua como assistente de marketing.

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