Os eternos chorões: capitalismo de compadrio e a baixa produtividade no Brasil

O senhor Benjamin Steinbruch, dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), ocupa um espaço quinzenal na Folha de São Paulo, o maior jornal do país. Steinbruch, que não por acaso é também vice-presidente da FIESP, usa e abusa daquele espaço para chorar as mágoas da indústria tupiniquim. É extraordinário que o valente pouco ou quase nada […]

O senhor Benjamin Steinbruch, dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), ocupa um espaço quinzenal na Folha de São Paulo, o maior jornal do país. Steinbruch, que não por acaso é também vice-presidente da FIESP, usa e abusa daquele espaço para chorar as mágoas da indústria tupiniquim.

É extraordinário que o valente pouco ou quase nada reclame da falta de liberdade econômica, da burocracia excruciante, da falta de infraestrutura, dos acachapantes impostos sobre investimentos, do excesso de regulamentos ou da legislação trabalhista insana vigente em Pindorama. Na imensa maioria das vezes, o moço utiliza seu formidável espaço editorial para reclamar da falta de incentivos fiscais, da redução do crédito subsidiado, da ausência de uma postura mais forte do estado contra a concorrência dos importados, da taxa de câmbio (para eles) sempre hipervalorizada, ou da ortodoxia do Banco Central em relação à inflação.

Enfim, ele representa uma classe que idolatra o Estado interventor e protetor, que impede a competitividade e protege os barões da indústria tupiniquim contra a concorrência, seja ela nacional ou estrangeira.

Em sua coluna de hoje, por exemplo, Steinbruch reclama que o governo cancelou um aumento de 50% (de 2 para 3%) no subsídio do programa “Reintegra”, previsto para 2018.  Chama a decisão (que economizará $2,3 bilhões do caixa do Tesouro) de burra. Em outro trecho, a chorumela é pela redução dos recursos liberados este ano pelo BNDES, que este ano foi 20% inferior ao mesmo período do ano passado. A impressão que dá é que os mamadores das tetas estatais sonhavam com a eternização da gastança operada por Dilma e seus asseclas.

Finalmente – e não poderia faltar a cereja do bolo -, o chorão reclama da concorrência chinesa na sua própria área (a indústria do aço). “A China, por exemplo, que tem um enorme excedente na produção de aço, está exportando o produto para o Brasil com preços inferiores ao custo, o que configura operação de dumping. A avaliação do pedido de imposição de tarifa antidumping, que deveria ter ocorrido no início deste mês, foi adiada para janeiro”. Dumping é uma palavrinha mágica no vocabulário dos bebês chorões. Quem quer que pratique preços inferiores aos deles, está invariavelmente vendendo abaixo do custo. Qual a prova? Não raro, bastam meia dúzia de planilhas, preparadas pelos seus especialistas, para convencer os burocratas da necessidade de imposição de tarifas anti-dumping.

Definitivamente, Steinbruch e sua turma não gostam de concorrência, não estão interessados em agradar o consumidor ou investir em inovação. O negócio deles é investir em rent-seeking e viver sob as asas protetoras do governo. Não é à toa que a produtividade tupiniquim é tão baixa. Em Pindorama, se privilegia a ineficiência, não a eficiência. Sempre à custa do suado dinheiro de consumidores e pagadores de impostos, claro.

E ainda chamam esse capitalismo de compadrio de neoliberalismo.

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