O problema dos igualitários é desconsiderar que homens e mulheres são diferentes

Existem mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas” A frase em epígrafe, atribuída tanto ao ex primeiro ministro inglês Benjamim Disraeli quanto ao escritor Mark Twain, pode ser um tanto exagerada, mas resume uma tendência da mídia em geral – e da mídia tupiniquim em particular – de tomar levantamentos e medidas estatísticas como verdades absolutas, sem […]

Existem mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas”

A frase em epígrafe, atribuída tanto ao ex primeiro ministro inglês Benjamim Disraeli quanto ao escritor Mark Twain, pode ser um tanto exagerada, mas resume uma tendência da mídia em geral – e da mídia tupiniquim em particular – de tomar levantamentos e medidas estatísticas como verdades absolutas, sem maiores considerações.

Este parece ser o caso de uma matéria publicada hoje pelo jornal Folha de São Paulo – provavelmente para comemorar o ‘dia internacional da mulher’ -, com chamada em letras garrafais na primeira página do portal, cuja manchete da edição impressa é a seguinte: “Salário desigual entre homens e mulheres reduz PIB”. A matéria e o “estudo” que ela resume são tão manifestamente sem sentido que, num primeiro momento, deu até preguiça de comentar.

Primeiro, “descobriram” que eventuais diferenças salariais entre homens e mulheres são motivadas por preconceito, e não por outros fatores. Que alguém faça um trabalho de mestrado para confirmar o próprio viés ideológico, é algo até esperado. Mas a coisa é tão gritante que o próprio autor, talvez envergonhado de suas manipulações estatísticas, deixa claras ao leitor atento as suas práticas, digamos, bastante heterodoxas. Vejam, por exemplo, este trecho, que descreve como o “estudo” chegou à conclusão de que as diferenças salariais são motivadas por preconceito:

“Para calcular a discriminação por gênero em três mil municípios brasileiros, Santos utilizou a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), que reúne dados do mercado formal de trabalho.

O estatístico chegou a uma estimativa do tamanho do preconceito depois de isolar o impacto de outros fatores que, comprovadamente, influenciam os salários. Ou seja, ele identificou o que restou de diferença entre as remunerações de homens e mulheres depois de descontados os efeitos como escolaridade, ocupação, tempo de empresa, raça e região.

Assim se uma mulher ganha menos do que um homem por ter um diploma de ensino superior menos valorizado do que o dele, esse efeito não distorceria os resultados encontrados.

Mas há outras questões – como interrupções na carreira causadas por pausas relacionadas à maternidade e qualidade da formação – que não foram quantificadas.”

Em outras palavras, o autor desconsiderou completamente algumas variáveis de suma importância: qualidade da formação e escolhas e comportamentos das próprias mulheres.  Ora, não é preciso fazer nenhum “estudo” estatístico para intuir que, se uma mulher tiver a mesma formação e se dispuser a abdicar do casamento, dos filhos, do lazer, puder viajar com frequência, etc., seu salário será equivalente ao do homem.

O problema dos igualitários é desconsiderar completamente que homens e mulheres são diferentes, por natureza e atavismo. Que questões biológicas e evolutivas têm peso talvez até maior que questões sociais e econômicas na definição de salários e ordenados.

Mas não bastava “descobrir” algo que muitos outros já haviam “descoberto”. Estava faltando a cereja do bolo. Concluíram então que o PIB do Brasil seria muito maior, não fosse esse famigerado preconceito contra a mulher.

“Os resultados da tese recém-concluída confirmaram: a discriminação contra a mulher no mercado de trabalho reduz o crescimento econômico.

“Segundo o estudo, entre 2007 e 2014, cada 10% de aumento na diferença entre salários – que tenha relação com o preconceito de gênero – reduziu em cerca de 1,5% a expansão do PIB per capita dos municípios brasileiros.”

Conclusão genial.  Eu adoro a utilização de estudos e argumentos contra-factuais especulativos (o famoso “e se”) para demonstração de teorias estapafúrdias. Ora, sem entrar no mérito teórico dessa bobagem, o mínimo que o autor deveria explicar é como foi que países como a China sustentaram índices de crescimento tão altos, durante tantos anos, com salários médios mais baixos que os nossos. Fico pensando: será que já ouviram falar de outras variáveis como taxa de retorno, custo-benefício, produtividade?

Que a Folha de São Paulo publique algo tão fake, tão aparentemente rasteiro como verdade absoluta e principal matéria do dia, é previsível. Afinal, trata-se da Folha de São Paulo, um jornal que tem priorizado a ideologia, antes da informação, já faz tempo. Mas chega a ser risível que uma instituição como o Insper tenha aceitado – e divulgado – uma tese de mestrado em economia desse nível.

Haja lacração para comemorar o dia da mulher!

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