Como o Iluminismo Liberal tirou a humanidade da estagnação e da miséria?

Qualquer ideologia que parte da mente humana, desprezando o que a natureza das coisas e dos seres vivos tem para nos ensinar, tende a ser totalitária em seus princípios e violenta na busca de seus fins.

Vejam qualquer uma das três religiões monoteístas. Se forem seguidas ao pé da letra, nossas vidas acabarão miseráveis.

Da mesma maneira, os sistemas políticos coletivistas, arquitetados sobre falsas premissas, ambicionando utópicos fins, quando foram colocados em prática, fanaticamente, produziram guerras, escravidão, genocídios e inconcebível destruição. Sua aplicação mais moderada faz com que sigam causando estragos, mas de forma mais limitada, sem a mesma dimensão.

O que tornou o que chamamos de civilização ocidental um celeiro de prosperidade, não foi nem a base religiosa das crenças predominantes, nem as ideologias racionalistas, de certa forma, delirantes. Pelo contrário, foi exatamente o fato de que tais crenças perderam o sentido com o tempo. Isso ocorreu a partir do momento em que os homens retornaram à filosofia baseada no uso adequado da razão, com a descoberta da ciência, da lógica, da ética, da política e da arte. O propósito foi o de perscrutar a realidade objetiva, através da percepção, porta de entrada da consciência, para permitir a formação de conceitos, classificações, integrações, abstrações e finalmente ideias verificáveis, como meio para buscar a verdade que deve nortear nossas ações.

Das três religiões monoteístas, apenas a muçulmana, mais recente e virulenta, ainda tem seguidores fanáticos com abundância preocupante. Pregadores, crentes irracionais, que acreditam literalmente naquilo que as escrituras estipulam, incitam e praticam o mal, promovendo a barbárie.

O que é preciso fazer com essa gente? É necessário que os moderados, que têm uma visão humanista da sua religião, que não são fanáticos, que colhem o que pode haver de bom nos ensinamentos do que lhes é transmitido, expandam a sua influência e neutralizem a doutrinação que faz com que haja tanto fanatismo.

Essa tarefa de neutralizar os extremistas não pode ser de iniciativa de quem não faz parte daquele universo. Só pode ser desenvolvida por aqueles que têm outra compreensão, que voluntariamente, por convicção, traem ou se recusam a seguir os equívocos contidos na sua religião.

O mundo tem evoluído e os tempos nunca foram tão promissores. Isso se deve principalmente ao Iluminismo. Não aquele que gerou ideologias coletivistas e totalitárias, que aniquilaram seres humanos aos milhões, mas ao Iluminismo Liberal, que produziu as revoluções que tiraram a humanidade da estagnação e da miséria.

Refiro-me ao conjunto de ideias que colocou o homem, o indivíduo, como o centro do universo, conjugando a realidade, a razão e o auto-interesse, para institucionalizar o que faltava até então na construção do que podemos hoje chamar de mundo livre.

Se quisermos uma sociedade civilizada, baseada na privacidade e no mútuo respeito, é preciso que se entenda que somos, cada um de nós, deuses do nosso próprio destino. Desde que se possa ter a liberdade para se usar a razão, produzindo nosso próprio julgamento para agir em comunhão com a realidade objetiva, na construção daquilo que propiciará alcançar a felicidade almejada, compartilhando oportunidades e realizações de forma livre, espontânea e voluntária. Isso deve ocorrer de acordo com os limites da nossa propriedade, do nosso talento, da nossa habilidade, da nossa vontade e da nossa própria consciência.

E o mais importante, tudo isso, sem impor nada a ninguém.

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