Alterar a política de preços da Petrobras é populismo

A revolta dos caminhoneiros escancarou no debate público a política de preços de combustíveis da Petrobras. Na Era Dilma, a companhia os subsidiou a fim de maquiar a escalada inflacionária vivida no cenário macroeconômico, acostumando os consumidores com gasolina e diesel mais baratos. A partir de 2016, todavia, no Plano de Recuperação de Pedro Parente, foi estipulado que os preços seriam pautados pela cotação do barril de petróleo no mercado internacional – em dólar.

Essa estratégia de Parente funcionou como uma blindagem contra as interferências políticas sofridas pela estatal nos últimos anos, animando acionistas a confiarem novamente na empresa e a investirem nela. Isso porque o tabelamento da gestão petista fez a estatal acumular tamanhos prejuízos que o Petrolão – descoberto pela Operação Lava Jato – tornou-se coadjuvante no drama que retrata a tragédia da Petrobras.

Publicamente, a própria corporação admitiu em seu balanço que o prejuízo causado pela corrupção foi de R$ 6,4 bilhões de reais. Alguns peritos, todavia, argumentam que os danos podem chegar a até R$ 42 bilhões. De toda sorte, o rombo motivado pelo controle de valores dos combustíveis foi superior a R$ 55 bilhões até 2014. Por conseguinte, por pior que tenha sido a corrupção, o represamento de preços da estatal foi ainda mais destrutivo para a empresa de capital misto.

A despeito disso, segundo o Datafolha, 68% dos brasileiros são contrários à política de preços do período Parente. Eles defendem que o controle de preços dos combustíveis deve vigorar, mesmo que cause prejuízos à companhia. Não foi à toa que, em meio à crise dos caminhoneiros, quase todos os presidenciáveis criticaram a política de preços livres. A irresponsabilidade é fácil de ser justificada: vale tudo a fim de capitalizar-se politicamente de olho no Palácio do Planalto.

Contudo, como ensinava o escritor britânico Aldous Huxley, os fatos não deixam de existir apenas porque são ignorados. E os fatos são que, segundo o relatório trimestral da Petrobras, mais de 70% de sua dívida foi contraída em dólar. E que o petróleo, como qualquer outra commodity, possui preços que variam diariamente. Além disso: o Brasil importa petróleo leve para refino e exporta petróleo pesado, já que apenas 6% de nossa produção petrolífera é adequada à extração de gasolina.

Independentemente da opção daqui para frente, essa realidade vai se sobrepor – e os prejuízos de novas políticas populistas serão, inevitavelmente, suportados pelos pagadores de impostos brasileiros porque nos recusamos a privatizar a Petrobras e dar concorrência ampla no setor de refino de petróleo. Os políticos, certamente, agradecem quem ignora a realidade dos preços.

 

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