E se o Bolivarianismo virasse o jogo?

pf no pt

Hoje pela manhã (23/06/2016) o Brasil acordou com a notícia da prisão de Paulo Bernardo, do Partido dos Trabalhadores. Assim que vi a foto da Polícia Federal na porta da sede do PT em São Paulo lembrei-me de como uma imagem pode ser deturpada ao longo da história e, por isso, quero chamar a atenção do leitor para uma questão abstrata, mas interessante: o que a foto da PF na porta do PT representaria emum governo bolivariano?

Num exercício de abstração, imaginemos que o PT vire o jogo, que os governos bolivarianos da América Latina pintem o mapa de vermelho e, finalmente, estatizem até o nosso pensamento. A partir de então, poderíamos repetir a pergunta: o que a foto da PF na porta do PT representaria num governo bolivariano? Mas podemos ir além e perguntar mais outras coisas, como, por exemplo, o que diria um professor de História num governo onde os bolivarianos tivessem seus planos todos executados? Qual a interpretação histórica seria publicada em artigos e discutida em congressos acadêmicos? Até imagino o professor de História, pago para ser “crítico”, e o pesquisador, para ser “imparcial”, discutindo “cientificamente”, num governo bolivariano, a foto da PF em frente à sede do PT. Vejamos alguns exemplos

  • Diriam que a foto estaria representando fortes evidências de um golpe, pois, como a imagem estaria demonstrando, a Polícia Federal perseguia e prendia todos os militantes de esquerda, acabando com o partido.
  • Haveria artigos sobre a intolerância. Diriam aos alunos que a foto seria uma fonte histórica importante para comprovar o fato de que a direita reacionária perseguia militantes políticos da esquerda e, exatamente por isso, a Polícia Federal estaria fazendo a segurança do partido para que os reacionários, que saíam as ruas nas manifestações, não matassem a todos.
  • Trabalhos surgiriam com títulos como “Obscurantismo político: a imagem do fascismo no Brasil contemporâneo” ou como “O autoritarismo na contemporaneidade: o neoliberalismo fardado e a consciência de classe.”
  • Os mais ousados, como sempre, iriam mais longe. “Discutiriam” com os acadêmicos que, enquanto a Polícia Federal fingia estar protegendo o PT, lá dentro, na sede, a oposição plantava provas falsas para continuar a perseguição e, por conseguinte, prender a todos, acabando com a liberdade de expressão.
  • Não esqueçamos os histéricos. Para eles, Jair Bolsonaro estaria conspirando junto ao sionismo em Israel para deflagrar um golpe no país e servir aos interesses da burguesia fascista neoliberal.
  • Teses poderiam ser escritas para demonstrar, historicamente, e claro, com uma fundamentação teórica “imparcial”, quais os silêncios que falam, ou seja, o que a foto esconde? A banca ouviria a defesa e aplaudiria de pé a tese em iconografia que defenderia, com orgulho, que a imagem estaria representando a onda conservadora e fascista, ainda fruto da ditadura civil-militar.
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O leitor pode abstrair e, olhando para a foto, imaginar quais as loucuras que teríamos que ouvir se a imagem fosse analisada num governo bolivariano. Assim que esse governo, por fim, caísse, e a internet voltasse a ser livre, as interpretações sistematicamente montadas, cairiam por terra. Aludi a isso porque ainda hoje, como sabemos, a História é contada, geralmente, com base em visões ideológicas de esquerda.

Caso o leitor tiver alguma ideia de interpretação do que poderia ocorrer em “estudos” como esses e em tais circunstâncias, deixe nos comentários.

Mas voltemos ao mundo real, aliás, à América Latina, ao Brasil que, ao que tudo indica, está se distanciando do bolivarianismo. Continuemos a ver a sujeira sendo removida pela Lava Jato que, felizmente, não é abstração.

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Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher

Thiago Kistenmacher é estudante de História na Universidade Regional de Blumenau (FURB). Tem interesse por História das Ideias, Filosofia, Literatura e tradição dos livros clássicos.