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Disciplinas optativas no ensino médio é uma ótima ideia

choosing-classesNormalmente esse espaço é utilizado para criticar governantes de todos os partidos, em todas as esferas governamentais. Hoje é uma exceção, pelo menos nesse momento. De acordo com o Estadão, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo promoverá, em 2016, uma mudança curricular no ensino médio da rede pública estadual, de forma que a grade de matérias dos estudantes nos dois últimos anos seja formada majoritariamente por disciplinas optativas, onde o estudante poderá escolher dar ênfase às matérias que mais lhe agradam, dentro de seu futuro perfil profissional. Do ponto de vista da lógica liberal, essa é uma excelente ideia, por vários motivos.

O primeiro motivo é a deferência ao princípio da especialização do trabalho. David Ricardo foi o economista que primeiro explicou com rigor os benefícios da especialização do trabalho, mostrando que quando um indivíduo se especializa em determinada função, sua produtividade aumenta exponencialmente, e esse aumento de produtividade, atrelado ao livre-comércio, onde o produtor comercializa seu excedente com outras pessoas em troca dos altos excedentes dos demais produtores, gera uma explosão de riqueza, consumo e bem-estar na sociedade. Quando um aluno de ensino médio começa a focar em determinadas matérias, ele está antecipando o ciclo de especialização do trabalho, que irá se aprofundar no ensino superior e pós-graduações. Não só ele, aluno, como toda a sociedade saem ganhando nesse processo.

O segundo motivo é o aumento do interesse do aluno na escola. Quando o aluno passa a montar sua grade curricular a partir das suas preferências pessoais, ele naturalmente se engaja mais e mais na escola, pois o estudo deixa de ser um fardo e passa a ser um desafio e um prazer, com vistas a seu crescimento profissional. O aluno deixa de sentir aquela péssima sensação de que está estudando coisas “que ele nunca mais verá na vida” quando se engajar na vida profissional. O reflexo na diminuição da evasão escolar certamente ocorrerá.

O terceiro motivo é o aumento da eficiência na alocação do serviço docente. Professores se sentem desmotivados quando alunos não se interessam pela sua matéria, e esses alunos desinteressados ocupam espaço na sala e tempo dos professores que deveriam ser destinados aos realmente interessados na matéria. A otimização do tempo do docente também é, em última análise, a reprodução da lógica da especialização do trabalho, o que aumenta a eficiência na alocação dos serviços educacionais custeados pelos tributos pagos pela sociedade.

Dado que normalmente a mudança de paradigmas escolares vem sempre para pior, cada vez com mais concentração de poderes pelo MEC e total ignorância acerca dos anseios e vontades de estudantes, pais e mestres, receber essa notícia é um sopro de esperança. Que o sucesso certo dessa iniciativa possa inspirar governos de todo o Brasil na implementação de uma política pública educacional que respeite a liberdade de quem efetivamente produz e consome esse serviço vital para o futuro do Brasil.

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.

6 comentários em “Disciplinas optativas no ensino médio é uma ótima ideia

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    17/06/2015 em 3:29 pm
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    Nós já tivemos no Brasil um modelo, senão idêntico, pelo menos semelhante à atual proposta do Governo de São Paulo. Foi quando os alunos podiam optar entre o: Normal, o Clássico, e o Científico. O Normal, a meu ver de leigo, serviu para formar as melhores professoras, e professores que este nosso país já teve. Foi uma época em que os professores tinham autoridade em sala de aula, e eram respeitados. E quando eu digo “autoridade”, não confundam com autoritarismo. A autoridade é conseguida pelo professor que se aprimora em seus estudos fundamentais para que possa ter uma base de sustentação, na hora de transmitir aos alunos, os seus conhecimentos. Eram os denominados por todos, como abnegados. Estavam sempre em busca de novos conhecimentos, e o que lhes dava maior prazer era compartilhar o seu saber com os alunos. Era o tempo em que o Professor/a ensinava, e o aluno aprendia. Diferente de hoje, onde o Professor finge que ensina, e o aluno finge que aprende. Autoritarismo é quando o professor/a, para não comprometer a sua carreira, aceita passar aos alunos, tudo que o MEC determina, sem ao menos discutir se aquilo seria útil ou não, para a formação do aluno. Pelo contrário, grande parte dos professores atuais, acatam, e aplaudem todos os ideologismos emplacados pelo MEC. O Clássico abrangia todas as matéria da grade curricular, e dava uma base para quem pretendesse seguir na carreira das humanas. Já o Científico era direcionado para quem pretendia seguir as ciência exatas. Voltando às mudanças previstas para ocorrerem em 2016, no ensino médio, eu diria que lamentavelmente não dará certo. Acredito que se o Governo fizesse antes um teste vocacional com cada um dos alunos, ai sim se descobriria para qual profissão cada um deles seria melhor aproveitado. Porque senão o que fatalmente irá acontecer, é que todos, senão a maioria, tenderão a escolher a profissão do momento. Aquela que o Marketing promocional indicar como a mais promissora, e mais bem remunerada para o futuro. Basta vermos o que aconteceu recentemente com algumas profissões. Engenharia da Computação e Tecnologia da Informação, são dois exemplos. Criou-se uma expectativa tão grande sobre estas duas profissões, e em razão disto, formaram-se tantos profissionais que, o mercado não terá como absorver tanta mão de obra especializada. Eu por acaso, tenho uma história de orgulho, e ao mesmo tempo de decepção na minha própria casa. De orgulho porque acredito ser o único pai classe média no mundo que, formou três filhos em Engenharia da Computação, e na Pós Graduação, em Sistemas de Informação, cujo mérito foi o seguinte: Os três começaram a Graduação no mesmo dia e terminaram cinco anos depois, no mesmo dia. Então começaram a Pós Graduação no mesmo dia, e concluíram dois anos depois, no mesmo dia. E a decepção se refere ao baixo salário auferidos por eles. Inclusive um deles está desempregado, porque a Empresa em que ele trabalhou durante cinco anos, esta mudando-se aos poucos para a Índia, onde para esta área o Empresário tem tudo o que precisa para progredir, ou seja: Menos burocracia, menos impostos, e farta mão de obra especializada, e barata. Aqui no Brasil a única coisa à favorecer os Empresários, é a farta mão de obra especializada, porque da burocracia, e dos elevados impostos, o nosso estúpido governo não abre mão.

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    09/06/2015 em 9:53 am
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    Minha dúvida é quanto a capacidade de escolha de um jovem no ensino médio. A compreensão de mundo dele é, na melhor das hipóteses, limitadas as experiências proporcionadas pelas sociedade na qual ele está inserido. Logo, um adolescente pobre e com pouca perspectiva e orientação pode acabar escolhendo matérias baseado na facilidade de passar de ano e não numa possível construção profissional. Além do que, isto vai distanciar o jovem dos meios acadêmicos públicos que ainda hoje exigem em seus vestibulares um amplo conhecimento das disciplinas. Eu acho válido o processo, mas sem orientação profissional feita por profissionais competentes a tal (i.e psicólogos) e um plano de ensino que contemple até o ensino superior, este projeto será mais do mesmo.

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    08/06/2015 em 5:15 pm
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    A IDEIA DE GRADE CURRICULAR OPTATIVA NO ENSINO MÉDIO VAI, COM CERTEZA ENCONTRAR MUITA RESISTÊNCIA NO MEIO ACADÊMICO. A LÓGICA ATUAL É O JOVEM TER CONTATO COM AS VÁRIAS ÁREAS DO CONHECIMENTO PARA QUE POSSA ESCOLHER SUA FUTURA PROFISSÃO. ESSE SISTEMA PODE EVITAR O CONTATO COM AS CIÊNCIAS EXATAS, POR EXEMPLO QUE, A PRINCÍPIO ASSUSTAM MAS DESVENDADAS PODEM CATIVAR. MEU VOTO É CONTRA, POR ENQUANTO.

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      08/06/2015 em 10:24 pm
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      Eu apoio a medida porque confere maior liberdade aos estudantes, entretanto, devemos ter em mente que, caso algo semelhante seja aplicado no resto do país, as ciências exatas no Brasil serão reduzidas a pó! Os estudantes não suportam matemática, física e química, vão correr todos para as disciplinas de humanas, como história e geografia. Sem turmas para lecionar, o interesse pela área de exatas, que já é pequeno, diminuirá exponencialmente! Ademais, os professores da área pedirão demissão (no ensino público) ou serão demitidos (no ensino particular). Por fim, já que os alunos correrão todos para as humanas, preparem-se para o dobro de doutrinação marxista.

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        08/06/2015 em 10:30 pm
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        Não sei como é em São Paulo, mas, no Rio, quando ficamos com carga horária livre numa escola, o estado nos obriga a trabalhar em várias unidades. É comum ver professores tendo de cumprir 12 tempos de 50 minutos em três ou quatro escolas, esses acabam se demitindo cedo ou tarde. Apoio a medida porque todo incremento na liberdade é positivo, mas é agora que nós das exatas vamos sumir de vez!

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        09/06/2015 em 12:25 pm
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        Colocou realmente o que penso!
        Nada é tão bonito e belo quanto parece!

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