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As Torres Gêmeas e a liberdade nos Estados Unidos

Em 1989, fui visitar as Torres Gêmeas que há 20 anos foram atacadas e destruídas por terroristas árabes. A fúria do ataque, com a devastação que provocou, matou quase 3 000 pessoas e reduziu o grau de liberdade que se tinha nos Estados Unidos e no mundo.

As Torres Gêmeas ou World Trade Center foram o ícone escolhido por Osama Bin Laden para atacar o capitalismo, assim como o Pentágono foi o símbolo para atacar o imperialismo americano.

Osama Bin Laden errou na escolha de seus alvos.

O World Trade Center não representa exatamente o capitalismo. Ele foi construído por uma agência estatal criada pelos governos de Nova Iorque e Nova Jersey, com aprovação do Congresso Americano, para administrar e explorar o transporte de cargas e passageiros ao longo das margens e das águas do rio Hudson.

Até a criação da Port Authority of New York and New Jersey em 1921, toda a infraestrutura de portos, aeroportos, ferrovias e túneis ligando os dois estados era privada.

Naquele ano, os governos desses estados iniciaram um dos primeiros empreendimentos americanos que caracterizam sociedades de economia mista: uma agência reguladora estatal com poder de intervir no mercado, seja através da imposição de regras, seja operando como uma empresa estatal.

Apesar de toda a operação ser financiada voluntariamente, a agência foi constituída com a venda de títulos ao público e se mantém apenas com a receita das atividades que explora, logo, nunca recebeu aporte financeiro oriundo de impostos de qualquer tipo: ela é um empreendimento cuja gênese e existência necessitam dos governos que a criaram.

Para os padrões brasileiros, que aceitam que o governo use dinheiro dos impostos para criar e manter empresas estatais e agências reguladoras, a ideia por trás da criação da Port Authority of New York and New Jersey parece boa.

Ao longo do tempo, a agência estatal que era dona do World Trade Center absorveu quase todas as empresas privadas que exploravam portos, aeroportos, ferrovias, pontes e transporte fluvial ao longo do rio Hudson e se tornou um mamute burocrático e ineficiente, com casos notórios de corrupção e tráfico de influência, males que costumam ocorrer em toda organização estatal ou paraestatal, como é o caso da PANYNJ.

Além disso, a PANYNJ possui polícia própria com cerca de 4.000 agentes.

É difícil responder se aquela instituição é pública ou privada. O que se sabe é que ela tem os vícios de uma empresa estatal e as virtudes de uma empresa privada.

Quanto ao Pentágono, não dá para considerar que os Estados Unidos da América sejam uma potência imperialista como foram Portugal, Espanha, França e a Inglaterra. Os americanos nunca tiveram uma política expansionista nem mantém outros países como seu domínio por conta desse espírito.

Os Estados Unidos da América são promotores do comércio e o uso da força para o qual se tornaram a maior potência bélica da história tem características retaliatórias e não de iniciação do uso da violência.

Em 1989, ano em que tirei essa selfie colocando minha máquina fotográfica sobre a tampa de uma lixeira e usando um timer, os Estados Unidos da América eram mais livres do que são hoje.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.