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A nova arcaica consciência coletivista

De forma lenta, mas poderosamente, rumamos todos, muitos cegos, para a generosa sociedade coletivista do “grande bem-estar social”. Os sinais são estrondosos, e de várias partes, de todos os lados. As esferas são amplas e totalizantes: na micro e na macroeconomia.

Em nível micro, a nova onda, ou o negócio do negócio, são as empresas autogerenciadas; a participação coletiva dos funcionários na “nova organização”, sem hierarquia, sem líderes “ativos”, em que as pessoas são livres para explorar suas motivações individuais, a fim de fazerem o melhor trabalho possível.  Nela não existem objetivos organizacionais; em algumas situações, estes são autodefinidos pelos colaboradores e não há utilização de indicadores de desempenho, ou são utilizados apenas “parcialmente” (evidente que as inovações acontecem de forma descentralizada, com autonomia, mas com responsabilidade e responsáveis!).

Na autogestão, o “objetivo final” é atingir o propósito, não o lucro. O lucro é – apenas – um subproduto do trabalho bem executado.  Vale o bem-estar interno e externo; mas esse bem-estar não só pode ser conquistado e mantido se a empresa alcançar os resultados esperados por todos os seus stakeholders?

Bem, acho que uma organização precisa projetar, vender e lucrar sistematicamente. Foco no cliente, na geração de caixa e no crescimento lucrativo contínuo e sustentável. Valorização das pessoas? Evidente, aquelas que estão contribuindo e que possibilitam o alcance dos objetivos estratégicos e da lucratividade superior. A continuidade de um negócio depende do cumprimento das perspectivas financeiras planejadas.

Todas as organizações com fins lucrativos precisam ganhar dinheiro. A forma de obter lucratividade pode variar e ser distinta – e normalmente o é. Os processos de criação de valor para clientes, funcionários e organização podem ser diversos, mas não se deixe enganar: claro que devem trazer retorno financeiro para os acionistas.  Lucratividade não é uma possibilidade, é condição sine qua non!

Em nível macroeconômico, retumbam gritos por um novo capitalismo – são tantas as denominações -, ah, sim, o capitalismo das partes interessadas… Nesse “novo capitalismo”, os grandes beneficiados são a “coletividade” das partes interessadas, não os gananciosos acionistas. Fico me perguntando se é possível a sobrevivência de uma empresa que não retorna lucro para seus acionistas; pragmaticamente não vejo como esta possa prosperar e se perenizar.

Como crescer e inovar sem lucro?! Sem essa “cruel palavrinha”, objetivamente, não há como fazer nada por todos aqueles outros interessados, tampouco como fornecer produtos inovadores e úteis aos clientes, remunerar adequadamente seus quadros, sustentar sua base de fornecedores estratégicos, e, de forma fundamental, pagar impostos a fim de financiar serviços públicos.

Não nos deixemos cair em falsa dicotomia! Não há como separar o lucro para os acionistas dos benefícios entregues a todos os outros grupos interessados! Sem o lucro para os donos do negócio, na vida real, não se pode fazer o bem para os outros, tampouco filantropia. Entregar lucro para os acionistas é, em última análise, indivisível de beneficiar seus outros “interessados”, porque não há como realizar um sem fazer o outro.

Pois é, essa é a sociedade do bem-estar, do coletivo e das políticas de comunicação empresariais direcionadas às múltiplas identidades sociais, que podem trazer resultados contraproducentes para todos, na medida em que sem lucros não há criação de empregos, renda e prosperidade.

Fico temeroso que estejamos enveredando pela estrada do retrocesso, que, no longo prazo, não só prejudica o retorno para os acionistas, mas também significa menos investimentos, menos empreendimentos, menos inovações para os consumidores, salários mais baixos para os funcionários e menos receita tributária para os cofres públicos.
Ou serei eu um capitalista sem coração? Sempre me lembro do mestre dos mestres, Sir Adam Smith. O problema não está somente o Estado e os monopólios estatais, mas também naqueles frutos dos amigos do rei no verdadeiro capitalismo de compadrio, não a genuína economia de mercado.

Temo pela retórica e por políticas macro socializantes que esmagam o individualismo produtivo – e que agora se alastram para as modas dos gurus organizacionais. O caminho para a prosperidade, a meu juízo, é outro. É aquele que transforma os incentivos para que as pessoas e as empresas possam ser incentivadas à imperiosa necessidade de inovarem em valor para os clientes – projetando e entregando produtos, serviços, experiências e soluções para os problemas dos consumidores.

O desafio vital é criar valor para os clientes e obter lucratividade de forma consistente e incremental. Precisamos mesmo de produtos e serviços inovadores e úteis, a fim de criar empregos mais bem remunerados e que gerem maiores receitas tributárias via aumento da atividade produtiva.

Pragmaticamente, prefiro acreditar nos modelos econômicos testados e comprovados para o aumento da produtividade e da prosperidade do que me basear em utopias socializantes comprovadamente contraproducentes e equivocadas. É isso que está à nossa frente, de todos…

Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.