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O Declínio de Porto Rico

Colaboradores

02.06.06

 

 

O Declínio de Porto Rico

 

___ Rodrigo Constantino*

 

A revista The Economist trouxe uma interessante matéria sobre Porto Rico esta semana, mostrando a deterioração do quadro econômico do país. Porto Rico é território americano por mais de um século, e seu povo tem cidadania americana desde 1917. Esta proximidade com os Estados Unidos contribuiu muito para o enriquecimento do país no passado, mas a economia vem mostrando sinais de desgaste nas últimas três décadas. A culpa poderia ser encontrada no excesso de governo.

 

A renda per capita do país estava em US$ 12 mil em 2004, um bom patamar para os padrões do Caribe, mas menos da metade de Mississipi, o estado americano mais pobre. A taxa de pobreza era quatro vezes maior que a média nacional americana. Os “anos dourados” após a Segunda Guerra parecem ter chegado ao fim. Desde 1970, Porto Rico tem ficado para trás se comparado aos Tigres Asiáticos ou à Irlanda, que tinham, então, uma mesma renda per capita. O governo americano assumiu um papel grande demais na economia local, e um agigantado “welfare state” tem prejudicado a dinâmica do país. As transferências federais para Porto Rico aumentaram drasticamente desde 1970, e ainda correspondem a cerca de 20% da renda pessoal na ilha. Algo como 30% dos empregos estão no setor público. Como lamentou o próprio prefeito de Aguadilla, Carlos Méndez, “tudo que querem é achar segurança apenas”. Ele completa que “não existe mais ambição, todos querem trabalhar para o governo”. Como o governo não cria riqueza, um país sempre encontra dificuldades quando muitos querem os privilégios do setor público. Afinal, quem paga a conta assume um fardo cada vez maior. E como resultado concreto disso, a renda per capita de Porto Rico vem caindo em relação à americana desde 1970, enquanto países mais liberais, como Cingapura, Taiwan e Irlanda, vêm reduzindo bastante a diferença.

 

O excesso de controle estatal gera um efeito moral perverso. As pessoas passam a ver os bens e serviços disponíveis como “direitos naturais”, passando apenas a disputar pela via política mais e mais privilégios. O welfare state acaba criando problemas de conflito em vários níveis, forçando as pessoas a competir por suas parcelas de uma riqueza continuamente decrescente. A “necessidade” passa a substituir o mérito, e a liberdade individual cede espaço para mais e mais regulações e controles estatais. A responsabilidade do próprio sustento deixa de ser uma prioridade, pois os indivíduos consideram como certo que o Estado irá prover suas demandas. Como crianças mimadas, ignorando como a riqueza é, de fato, criada, os indivíduos exigem seus “direitos”, jogando a obrigação de produzi-los para os outros.

 

O caso de Porto Rico, com suas mudanças nas últimas décadas, não é uma exceção. Podemos observar essas características até mesmo na Suécia e demais países escandinavos. Alguns estão agora tentando adotar reformas mais liberais, devido ao fato desse modelo se mostrar insustentável no longo prazo. A mentalidade de que tudo que é desejado cabe ao Estado cria verdadeiros parasitas. Tivemos um caso esdrúxulo na Escandinávia onde um idoso entrou na justiça para exigir do Estado o pagamento de prostitutas!

 

A riqueza de uma nação é criada pelos seus indivíduos, e quanto maior a liberdade desses, maiores os incentivos para o trabalho e a conseqüente criação de riqueza. Indivíduos reagem a incentivos. O welfare state acaba reduzindo bastante os incentivos ao esforço individual, posto que a responsabilidade individual é substituída por uma sensação de proteção coletiva. No longo prazo, entretanto, trata-se de uma falsa proteção.

 

O caso de Porto Rico apenas corrobora, entre muitos outros, com essa lógica. O país teria muito a ganhar se mudasse seu modelo, delegando novamente ao próprio indivíduo a tarefa do seu sustento. Afinal, a nação mais rica do mundo, da qual Porto Rico faz parte por acordo, foi criada justamente com esta mentalidade.

 

 

* Economista, autor do livro “Estrela Cadente: as contradições e trapalhadas do PT”.

* http://rodrigoconstantino.blogspot.com

 

 

 

O texto acima pode ser reproduzido desde que citada a fonte.


 

Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.