Lula prometeu gastança, não ajuste fiscal
O psolista Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, afirmou que a cobrança de setores da imprensa ou da elite brasileira por uma agenda de “ajuste fiscal” por parte de Lula é um erro. Segundo ele, a chapa do PT não prometeu nada disso e quem cobra isso “não entendeu a eleição”. A agenda econômica ortodoxa ou mais liberal teria sido derrotada, portanto, não se pode querer dobrar a agenda vencedora às próprias vontades.
Deixando de lado os absurdos do processo eleitoral, realmente, o eleitor do PT coroou uma agenda sincera de gastança desenfreada e irresponsabilidade. Já o havia feito em 2022, quando alguns preferiram se iludir com conversas telepáticas fictícias com o petista em que ele prometeria uma razoabilidade que nunca chancelou.
A oposição, se conseguir se organizar e agir diante de um sistema judiciário interventor, pode e deve trabalhar para proteger seus eleitores daquelas medidas desastrosas do governo que puderem ser impedidas. Porém, do governo, só se pode esperar que trabalhe por implementar os desvarios que prometeu.
Na prática, não poderá cumprir todos, talvez sequer a maioria, porque a fonte seca. Seus eleitores inevitavelmente terão que aceitar uma boa dose de estelionato eleitoral, que já está no pacote. O que prometeu, porém, foi populismo, e é o que deve entregar. Seja como for, deparando-se os esquerdistas com o que pediram ou com uma traição, o que foi feito nesses quatro anos e, especialmente, nesses dias antes da eleição já contratou um alto preço que não se pode evitar. Para julgar a própria escolha, o eleitor do PT deve experimentar suas consequências. Infelizmente, também experimentaremos, cada um a seu modo.



