Jens Warming: um pioneiro desconhecido
Na Conferência Dinamarquesa pela Liberdade, realizada em Copenhague e organizada conjuntamente, em 19 de setembro de 2026, pela Students for Liberty Denmark e pela Liberal Alliance Youth, fui convidado a falar sobre Conservative-Liberal Thought in the Nordic Countries: An Anthology (Pensamento conservador-liberal nos países nórdicos: uma antologia), publicado no início daquele ano pelo think tank de Bruxelas New Direction e selecionado e organizado por mim. O livro tem 468 páginas, das quais 240 correspondem à minha introdução. Em minha palestra em Copenhague, concentrei-me nos pensadores conservadores-liberais dinamarqueses que contribuíram para o livro. Um deles foi o economista Jens Warming (1873–1939), que deu contribuições importantes, mas em grande parte desconhecidas, à sua área de estudo.
Economia da pesca
A maioria dos economistas acredita que os fundamentos da economia da pesca foram estabelecidos em dois artigos, um de H. Scott Gordon, em 1954, e outro de Anthony Scott, em 1955. No entanto, como contou o economista islandês Ólafur Björnsson a Gordon e Scott em uma conferência sobre pesca da FAO, realizada em Roma em 1956, Warming, seu professor na Universidade de Copenhague, já havia apresentado uma análise idêntica em dois artigos. Em um artigo de 1911, ele partiu do pressuposto de que os peixes eram capturados em duas áreas de pesca com diferentes níveis de produtividade e que o acesso a elas era livre. Em seguida, demonstrou que a área mais produtiva seria explorada em excesso. De modo geral, o esforço de pesca aumentaria até que não fosse mais possível obter lucro, o que significava que a renda potencial do recurso seria dissipada pelo esforço excessivo. Warming identificou corretamente o problema, assim como Gordon e Scott fariam mais tarde: o livre acesso. As duas áreas de pesca não eram precificadas de acordo com suas diferentes produtividades. Por isso, Warming propôs a cobrança de taxas pelo acesso às áreas de pesca.
O caso das armadilhas para enguias
Em um artigo de 1931, Warming voltou ao problema, mas em um contexto diferente. Na Dinamarca, as enguias são capturadas com armadilhas instaladas na costa. Tradicionalmente, o direito de instalar essas armadilhas pertencia aos agricultores costeiros, mas eles frequentemente alugavam esse direito aos pescadores, que agora exigiam sua abolição, ou seja, a adoção do livre acesso. Warming argumentou, em oposição aos pescadores, que o direito privado de instalar armadilhas para enguias era economicamente eficiente, pois limitava o acesso e atribuía a ele seu valor real. Dessa vez, ele defendia outra solução para o problema do livre acesso: manter os direitos de propriedade privada em vez de impor taxas de acesso.
Economia do bem-estar
A economia do bem-estar é outro subcampo da economia. Arthur C. Pigou costuma ser considerado seu pioneiro. Em sua obra Economics of Welfare (1920), ele identificou diversos resultados ineficientes das transações de mercado. Um dos exemplos era muito semelhante à história de Warming sobre as duas áreas de pesca. Duas estradas ligavam duas cidades: uma era estreita, mas estava em boas condições; a outra era larga, mas esburacada. Pigou demonstrou que o tráfego não seria distribuído de maneira eficiente entre as duas estradas. Haveria tráfego em excesso na estrada melhor: sua qualidade superior seria anulada pelo congestionamento. Para resolver esse problema, ele propôs a cobrança de um pedágio na estrada melhor, de modo a refletir sua qualidade superior. No entanto, logo se observou que Pigou havia ignorado a possibilidade de que ambas as estradas fossem de propriedade privada. Nesse caso, seus proprietários cobrariam valores de acordo com as diferentes qualidades das estradas. A questão é que resultados ineficientes das transações de mercado muitas vezes podem ser corrigidos pela definição de direitos de propriedade sobre os recursos. Essa foi precisamente a percepção de Warming no caso das armadilhas para enguias. De fato, ele pode ser considerado um pioneiro da economia do bem-estar, pois apresentou a mesma análise que Pigou, mas antes dele.
Outras contribuições
Os dois artigos de Warming também podem ser considerados contribuições a uma escola econômica e a mais dois subcampos da economia. A escola em questão é o ambientalismo de livre mercado, tal como apresentado por Terry Anderson, Donald Leal e Gary Libecap, que busca proteger o meio ambiente por meio da definição de direitos de propriedade sobre recursos escassos, incluindo não apenas os estoques pesqueiros e os poços de petróleo, mas também florestas, rinocerontes, elefantes, rios e lagos. Um dos subcampos é a economia dos direitos de propriedade, de Harold Demsetz, que analisa os direitos de propriedade como instrumentos para reduzir os custos de transação. O outro é a economia das instituições, de Elinor Ostrom, que analisa as diversas maneiras que as comunidades desenvolveram para superar a “tragédia dos comuns” (o uso excessivo de recursos decorrente do livre acesso). As armadilhas para enguias são claramente um exemplo desse tipo de instituição.



