A piada de Trump: nem todos acharam graça

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O presidente Donald Trump publicou recentemente um mapa da América do Norte mostrando o Canadá, a Groenlândia e a Islândia cobertos pela bandeira americana, junto com os Estados Unidos. Claramente, tratava-se de uma brincadeira de um político que gosta de provocar. Mas a ministra das Relações Exteriores da Islândia, Thorgerdur K. Gunnarsdóttir, contrária aos Estados Unidos e favorável à União Europeia, não achou graça. Ela convocou o embaixador dos Estados Unidos na Islândia para reclamar do mapa. Thorgerdur não está para brincadeiras atualmente, tendo acabado de perder um referendo no qual a adesão da Islândia à UE foi rejeitada. Mas a resposta mais sensata ao mapa de Trump é, naturalmente, desenhar outro mapa no qual os mesmos países estejam cobertos pela bandeira islandesa. De fato, os islandeses têm uma reivindicação histórica sobre a América do Norte, pois foram os primeiros europeus a descobri-la.

Os islandeses descobriram a América

A descoberta da América pelos islandeses é bem documentada, não apenas em duas sagas islandesas do final do século XII, A Saga de Eric, o Vermelho e A Saga dos Groenlandeses, mas também em um comentário do cronista alemão Adão de Bremen, feito na década de 1070. Ruínas de uma base viking também foram encontradas em L’Anse aux Meadows, na extremidade norte da Terra Nova. Leif Ericson — que nasceu na Islândia, mas se estabeleceu com o pai na Groenlândia — chegou pela primeira vez à América em 1000, quando foi desviado de sua rota durante uma viagem da Noruega para a comunidade islandesa na Groenlândia. Ele passou apenas um inverno na nova terra, mas, em 1008, um grupo de islandeses navegou da Groenlândia para a América do Norte em dois navios, liderado por Thorfinn Thórdson e sua esposa, Gudríd Thorbjörnsdóttir. Eles levaram animais de criação e pretendiam se estabelecer na nova terra. No outono de 1008, Gudríd deu à luz um menino, Snorri, o primeiro europeu a nascer na América do Norte. Eles se estabeleceram no local que chamaram de Tidal Pool, hoje conhecido como Upper New York Bay. Eles encontraram alguns nativos, e as relações foram inicialmente amistosas, mas, em 1010, eclodiu um conflito entre os colonos e os nativos. Por fim, Thorfinn, Gudríd e seu povo decidiram que não era viável se estabelecer ali, pois estavam em enorme desvantagem numérica. Eles retornaram à Groenlândia em 1011 e, posteriormente, à Islândia, onde permaneceram até o fim de suas vidas. Já idosa, Gudríd fez uma peregrinação a Roma, de modo que deve ter sido a mulher que mais viajou no mundo naquela época. Mais tarde, Oscar Wilde brincou que os islandeses descobriram a América, mas tiveram o bom senso de perdê-la novamente.

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Os americanos salvaram a Europa

Esses detalhes foram extraídos de um pequeno livro que eu publiquei em inglês em 2019, The Saga of Gudrid (A Saga de Gudrid), no qual condensei e combinei as duas sagas islandesas sobre a descoberta da América, recorrendo também a um excelente livro do meteorologista islandês Páll Bergthórsson, The Wineland Millennium (O Milênio de Vinland). É provável que Cristóvão Colombo tenha ouvido relatos sobre um vasto território a oeste em 1477, quando foi a Bristol, então o principal centro comercial das trocas com a Islândia. Todo verão, uma grande frota pesqueira partia de Bristol rumo à Islândia. Como todos sabem, Colombo redescobriu a América em 1492, mas o continente já era habitado por povos que haviam atravessado o estreito de Bering (que, naquela época, formava uma ponte terrestre) cerca de vinte mil anos antes e se espalhado pelas Américas. De fato, Georg Christopher Lichtenberg observou que o americano que primeiro descobriu Colombo não teve sorte. Pode haver uma verdade incômoda nisso, mas uma verdade muito maior é que a América do Norte é um verdadeiro milagre: milhões e dezenas de milhões de pessoas que cruzaram o Atlântico Norte vindas da Europa encontraram liberdade e prosperidade ali. Os americanos salvaram a Europa de si mesma duas vezes: primeiro, na Segunda Guerra Mundial; depois, na Guerra Fria. Sem os Estados Unidos, o continente europeu provavelmente teria sido dividido entre Hitler e Stalin. É fundamental manter a aliança entre as democracias da América do Norte e da Europa.

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Hannes Gissurarson

Hannes Gissurarson

É professor emérito de ciência política na Universidade da Islândia e comentarista frequente sobre assuntos atuais na mídia islandesa, além de membro da Sociedade Mont Pêlerin. Ele é mais conhecido como um ferrenho porta-voz das políticas de livre mercado ou liberalismo clássico. É bacharel em Filosofia e História e mestre em História pela Universidade da Islândia, além de PHD em Política na Universidade de Oxford.

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