America First não é Liberty First
Muita gente insiste em tratar a teoria política de Trump do America First como se fosse uma cruzada global pela liberdade. Não é.
A ideia central da política externa dos EUA para o movimento MAGA é a máquina do Estado servir aos interesses dos EUA.
Se liberdade e democracia de outros povos coincidirem com esses interesses, ótimo. Se não coincidirem, não são prioridade.
Trump não é libertador de povos, é um operador de poder e dinheiro.
O exemplo clássico é a relação com a Arábia Saudita: um regime autoritário, sem liberdades civis básicas, mas estratégico no petróleo, na segurança regional e no jogo contra o Irã. Por isso a parceria sólida, os elogios públicos e zero constrangimento moral, em total coerência com o America First.
Na América Latina, idem.
Trump mantém ótima relação pragmática com a presidente de esquerda mexicana Claudia Sheinbaum a partir do momento em que ela se dobra às vontades dele no controle migratório e na estabilidade na fronteira.
O mesmo vale para o Brasil. Bolsonaro foi usado por Trump até conseguir um acordo que lhe favorecesse com o Regime PT-STF. Se o Regime não entregar as terras raras brasileiras para os EUA, em breve, ele volta a dizer que o bolsonarismo é maravilhoso e Lula não é legal.
Muitos amigos estão chocados por Trump estar em vias de fechar um acordo com os remanescentes do regime chavista, garantindo o petróleo, reduzindo custos geopolíticos e evitando o caríssimo nation building.
Corina Machado e Edmundo Urrutia (sem contar o povo todo) foram vendidos. America first. Venezuela? Maybe fourth or fifth, se for conveniente.
Aguardo em breve as quedas dos regimes da Nicarágua e Cuba, não por liberdade, mas porque o fim desses regimes garante a maioria dos republicanos no Congresso nessas eleições.
Patrick Henry uma vez disse: “give me liberty or give me death“. Nos EUA de hoje, essa frase passa pela aprovação do CFO antes para ver se a conta fecha.



