Uma democracia madura se faz com a ajuda dos militares

O medo eterno que alguns intelectuais e formadores de opinião têm frente aos militares mostra-nos como estamos sob uma democracia imatura e profundamente paranoica. Todas as democracias maduras, consolidadas e que respiram o princípio da liberdade como motor principal de suas decisões, sabem bem mesclar civis e militares nas competências que o Estado demanda na […]

O medo eterno que alguns intelectuais e formadores de opinião têm frente aos militares mostra-nos como estamos sob uma democracia imatura e profundamente paranoica. Todas as democracias maduras, consolidadas e que respiram o princípio da liberdade como motor principal de suas decisões, sabem bem mesclar civis e militares nas competências que o Estado demanda na gerência da sociedade.

A mídia e os intelectuais de esquerda criam um ambiente onde a iminência de um novo golpe militar no Brasil parece sempre prestes a acontecer quando as Forças Armadas assumem algum papel mais ativo na sociedade; revivendo reacionariamente as lembranças de 1964, tais homens e mulheres criam alarmismos para calcificar suas lutas ideológicas e justificarem suas anarquias. Vale lembrar dos tolos “direitistas” que vivem a clamar por uma nova intervenção em Brasília; entretanto, nem de perto significa algo com que se preocupar ou dar atenção, tolos à direita e à esquerda não cessarão nunca.

Entretanto deve-se lembrar de que as condições políticas mundiais e brasileiras de 1964 são bem diferentes das existentes agora; além disso, não há clima social e midiático maciço, como havia na época, para apoiar uma nova intervenção militar federal. O próprio comandante-chefe do exército, Eduardo Villas Bôas, disse ano passado que não havia preocupações com um possível novo levante militar contra o governo. Ainda que seja baforado aqui e ali tal possibilidade, em mídias e até em falas de militares dispersos, se tal fato ocorresse, a oposição popular, de ambos os cantos, seria insuportável e tal regime seria facilmente minado. As condições de endossos da opinião pública a favor da intervenção militar de 1964 é simplesmente inexistente no Brasil atual.

As Forças Armadas não são um problema para a democracia, é antes o seu antídoto final, aquele que é feito para salvar, mas que esperamos nunca precisar usar de fato. Ninguém quer precisar das Forças Armadas, e uma democracia pulsante deveria poucas vezes recorrer a ela, é verdade. No entanto, não há como negar seu papel íntegro e necessário numa república realmente democrática. Por exemplo, não é nenhum absurdo antidemocrático que o general do Exército, Walter Souza Braga Netto atue, em caso de extrema necessidade, como interventor e tenha poder de governo no estado do Rio como agora o possui. Não é uma conjuntura que os sensatos queiram, mas é uma situação que ninguém, em sã consciência, pode negar sua necessidade.

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Este espectro demente, pintado constantemente pela esquerda nacional, sobre umas Forças Armadas que sem demora ficam espreitando nas frestas das rachaduras da democracia brasileira a fim de arrombá-la e tomá-la para si, não passa de um espantalho para amaciar suas histerias e dar base interpretativa às suas causas. Como bem lembrou Marco Antônio Villa em seu livro Ditadura à brasileira: militares e guerrilheiros, nenhum deles queriam democracia, queriam apenas pegar para si o bastião da glória estatal e governar segundo seus ditames. Então paremos com essas vozes trêmulas e caras de choro, não há santos nessa trama passada.

Um ministério como o da defesa, por princípio lógico, deveria ser gerenciado por um militar da mais alta patente; como poderia 215 mil homens que vivem uma vida regrada e diferenciada das dos civis, que possuem missões e encargos completamente diversos das dos demais não-militares, homens que aprendem desde o primeiro dia de fardamento a respeitar a hierarquia das patentes, saber que aquele que gerencia suas vidas é um civil que pouco ou nada sabe sobre o militarismo. Poderiam arrogar que o chefe-supremo das forças armadas é um civil, o presidente da república; entretanto, não estamos falando aqui de gerenciamentos em situações extremas onde o presidente deve dirigir as decisões das forças armadas, estamos falando de dia-a-dia onde um civil, que não conhece as demandas e nem os anseios da vida militar, mete o bedelho em assuntos que desconhece e muito provavelmente errará ao esticar suas opiniões civis às vidas militares.

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Ou vocês realmente achavam que Jaques Wagner e Aldo Rabelo, ministros da defesa do governo Dilma, sabiam o que faziam? Atualmente o ministério da defesa tem um general da reserva, Joaquim Silva e Luna, como interino do cargo dado a ida de Raul Jungmann para o ministério extraordinário da segurança. Entretanto, como o presidente Temer já assinalou, o cargo do general deve ser breve.

Ao invés de engrandecer essa cultura de humilhação dos militares como sendo eternos vilões como se todos fossem torturadores e assassinos, deveríamos pensar neles como aporte necessário e muito bem-vindo à seguridade de uma sociedade ordeira e democrática. Não quero desculpar ou fingir que as instituições de defesa não tiveram suas culpas na história desse país. A ditadura promovida pelos militares, junto com torturas e sumiços de opositores, não é aceitável muito menos “esquecível”. Não obstante, qual a moral que os defensores de ex-guerrilheiros possuem ao chamar terceiros de extremistas? Será que, por exemplo, pessoas como Dirceu, Dilma e demais ex-gerrilheiros além de seus seguidores-apologetas possuem menos culpa por suas  absurdidades perpetradas através de lutas ideológicas? Qual a moral dos que possuem Che Guevara como herói, Fidel como inspiração, Lênin como mentor e Marx como deus, para falar do extremismo militar? Quem pode, com propriedade e coerência, criticar ambos os lados são aqueles que não aplaudem ditaduras azuis e nem vermelhas; que não lambem Peron e nem louvam Mao Tsé Tung.

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Os militares devem sim contribuir na gerência do país em áreas estratégicas que demandem conhecimento teórico, tático e prático nas ações de defesas. Não defendo governos militares, ao contrário, critico e arrogo nojo de quem pede intervenção militar, pois sabe-se que uma democracia sobrevive de debate aberto e não de marcialidades e censuras.

Por fim, como disse no início do artigo, as democracias maduras possuem militares em comunhão com a manutenção do aparato republicano; mas também é preciso dizer que as maiores ditaduras usaram das Forças Armadas a fim de imputar suas políticas dogmáticas: um exemplo atual é a Venezuela. O que faz Estados Unidos, Inglaterra, Polônia e Suíça, por exemplo, ao usarem de seus braços armados como garantia de continuação democrática é demonstrar o amadurecimento do entendimento democrático de suas instituições. Civis e militares que sabem bem quais suas funções, até onde possuem conhecimento e permissão constitucional para agirem, nessas nações onde a democracia se encontra menos ameaçada, onde há menos crises institucionais e riscos à liberdade individual.

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