Timing é legitimidade: a falha estratégica dos EUA na Venezuela e no Brasil

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O erro não foi em intervir. O erro foi perder o momento, na Venezuela e no Brasil.

Há algo que a geopolítica ensina de forma implacável: o tempo importa e define a legitimidade. E quando uma potência hesita, ela transforma ações potencialmente defensáveis em precedentes perigosos ou, pior, em sinais de fraqueza.

No caso da Venezuela, houve um momento claro em que uma intervenção internacional poderia ter sido politicamente e juridicamente defensável: em 2024, quando a fraude eleitoral se tornou evidente e o golpe de Maduro ainda estava em curso. Ali, a força poderia ser apresentada como reação à quebra da ordem democrática, não como simples troca de regime.

Essa janela foi perdida. Dois anos depois, qualquer invasão passa a ser lida como uso tardio e arbitrário da força, com enorme custo geopolítico.

Esse mesmo erro de timing estratégico aparece também no caso do Brasil.

O governo Donald Trump desperdiçou capital político ao atacar primeiro o Brasil como país, por meio de sanções difusas e mal calibradas, antes de atingir os agentes responsáveis pela erosão democrática. Quando finalmente recorreu à Lei Magnitsky, o fez de forma comedida, tímida e seletiva, muito aquém do que o quadro institucional exigia.

Ao recuar posteriormente da Magnitsky, Washington transmitiu ao mundo a mensagem mais nociva possível, a de que pressiona, mas não sustenta. O resultado foi se mostrar fraco diante de um regime cada vez mais autoritário e antidemocrático, consolidado na aliança informal entre o Partido dos Trabalhadores e o Supremo Tribunal Federal.

Uma invasão tardia na Venezuela hoje legitimou o uso da força em nível internacional, como fez a Rússia na Ucrânia (que sempre contou com simpatia de Trump, diga-se), acua a União Europeia, e abre caminho para a China em Taiwan.

Uma política errática em relação ao Brasil legitima investimento do Irã em movimentos terroristas xiitas e antiisraelenses no Oriente Médio enquanto, paradoxalmente, enterra a solução de dois estados no
Levante.

Na geopolítica, errar o tempo pode ser pior que errar a ação, e estou curioso para ver quais as repercussões desse erro de timing dos EUA junto à Sociedade Internacional neste porvir.

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Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Cientista político, advogado, mestre e doutorando em Direito, conselheiro superior do Instituto Liberal e sócio do escritório SMBM Advogados (smbmlaw.com.br).

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