Sobre Eduardo Bolsonaro na embaixada brasileira nos EUA

Tudo me é permitido, mas nem tudo convém, já dizia o apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios.

Não vou entrar na discussão da legalidade ou moralidade da nomeação do Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira nos EUA, pois existe até tradição republicana nesse sentido (o presidente americano John Adams, por exemplo, nomeou seu filho Quincy como embaixador na Prússia, e anos depois o próprio Quincy virou presidente, e casos assim são comuns).

O problema é ver se isso efetivamente é algo conveniente para o Governo Bolsonaro quando a presidência já é muito criticada por uma suposta influência exacerbada da primeira família no trato da coisa pública.

Fica a sensação de que institucionalizar essa relação cria um desgaste absolutamente desnecessário para um governo que já sofre ataques incessantes da mídia, mesmo fazendo um bom trabalho.

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Como ainda não creio na ideia da “campanha permanente” como meio de gestão política, esse é um movimento totalmente desnecessário. A não ser que alguém me convença que não exista nenhum outro brasileiro, diplomata de carreira ou não, apto a ocupar a posição e defender posições conservadoras junto aos EUA, é um desgaste inócuo e abre um péssimo precedente para a direita nacional.

A direita parece que acha que será governo para sempre. Não será. E amanhã, quando um tipo como Ciro Gomes for presidente, a direita não terá base política nenhuma para reclamar quando o “Coroné” indicar o irmão Cid para representar o Brasil junto à maior democracia do mundo, ou outra grande democracia qualquer, afinal, Cid é Senador, ex-governador, engenheiro civil e já morou em Washington, onde, mais do que fritar hambúrguer, já foi até consultor do BID.

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A nomeação de Cid não será ilegal e nem imoral, já que tem currículo, mas certamente vai engordar alguns bolsos por aí, com chancela do comprometido movimento conservador brasileiro.

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