O limiar entre a democracia e a tirania da maioria

Democracia é a palavra mais usada pelos políticos. Tudo para eles se resume à democracia. Se o sujeito roubou, roubou em nome da democracia. Se o cara matou, matou em nome da democracia. Se o cara deu um golpe, foi um golpe para defender a democracia.

Quero que todos os populistas, demagogos, carismáticos peguem a sua democracia e caiam fora da minha vida.

Democracia não é a panaceia que todos dizem ser; nem é o menos pior dos sistemas. Democracia é um método de escolha, onde os que se envolvem com ele aceitam que a vontade da maioria indique o caminho a ser seguido dali em diante em relação ao tema que foi colocado em votação.

Democracia não é e nem pode ser a tirania da maioria. Quem entraria num jogo democrático sabendo que sua vida, sua liberdade, sua propriedade e sua felicidade estariam em jogo pela soma das vontades alheias?

Uma coisa é a maioria escolher qual o restaurante prefere, outra coisa é escolher quem vai pagar a conta para todos. E se o escolhido não aceitar ir ao restaurante porque essa é a sua vontade? E se apesar de ter sido eleito para pagar a conta ele se recusar a fazê-lo, contrariando o que a maioria democraticamente decidiu? Podem os majoritários levá-lo à força para, em seguida, se apropriarem da sua carteira, pagando o consumo de todos? Não, não e não. Quanto mais um político fala de democracia, mais eu me afasto dele e mais fundo no bolso eu escondo a minha carteira.

Democracia ilimitada é tirania certa. Democracia que não respeita os direitos que o indivíduo tem sobre sua vida, liberdade, propriedade e felicidade é a barbárie institucionalizada.

Leia também:  Quanto mais leis, mais débil será o Estado de Direito e maiores as injustiças

Democracia é, em última análise, o sistema onde quem diz não é obrigado a agir sob coerção como se tivesse dito sim. Esse sistema que vemos nos dias de hoje, em nada difere daquele que viu Sócrates, a primeira vítima da democracia quando ela ainda era uma novidade há mais de 2000 anos, quando esse mesmo Sócrates era seu principal defensor.

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal no Patreon!
Leia também:  O Pós-modernismo, as políticas identitárias de grupo e o socialismo