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O governo deveria acabar com uma empresa hegemônica?

Existe um erro de percepção e lógica por parte daqueles que dizem que os consumidores terão mais liberdade de escolha quando o governo, usando leis antitruste, divide uma empresa hegemônica para criar artificialmente um processo concorrencial através da coerção.

O erro está em não reconhecer que foi a liberdade de escolha dos consumidores que fez com que aquela empresa se tornasse detentora de uma vasta fatia de mercado.

A coerção usada para sustentar monopólios ou oligopólios, impedindo os consumidores de terem acesso a outros ofertantes, é a mesma coerção que impede os ofertantes escolhidos pelos consumidores para serem seus fornecedores de se manterem no mercado.

Ou seja, quando pretende quebrar e dividir um ofertante, cuja hegemonia é resultado da escolha dos consumidores no uso da sua liberdade, o governo impede aquela empresa campeã de se manter no mercado reservando-o a novas versões do empreendimento original que serão menos competitivas e desconhecidas do público.

Uma das vantagens competitivas que uma empresa hegemônica possui é a produção em escala tal que permite que ela ofereça preços menores com qualidade superior para o volume oferecido. Se nenhuma outra empresa consegue atrair a fidelidade do consumidor, é porque a empresa hegemônica consegue fazer isso de forma imbatível.

Nenhuma empresa obtém a hegemonia no mercado sem agradar os consumidores, a não ser com a ajuda do governo. Nenhuma empresa perde a hegemonia do mercado enquanto agrada os consumidores, a não ser com a ajuda do governo. Nos dois casos, o governo usa a coerção para violar direitos e destruir valor. Ou seja, onde antes imperava a liberdade, agora impera a coerção.

Tanto no estabelecimento de monopólios ou na quebra deles quando estes são oriundos da liberdade existente no mercado, o governo despreza a vontade dos consumidores, sem falar dos direitos daqueles que desejam ser ou se manter ofertantes naquele mercado.

Não existe simetria entre o uso da coerção, que é sempre destrutivo, e o princípio do comerciante, em que a cooperação espontânea e as trocas voluntárias criam cada vez mais valor e fazem com que as empresas mais qualificadas – leia-se as que mais satisfazem os consumidores – alcancem a hegemonia no mercado por mérito próprio, reconhecido por quem demanda o que elas têm para oferecer.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.