O Estado que sufoca quem quer crescer
O crescimento não pede licença, mas, no Brasil, ele precisa enfrentar o Diário Oficial antes de enfrentar o mercado. Ele nasce quando alguém decide produzir, inventar e vender, apesar do ambiente, não por causa dele. Aqui, porém, invertemos a lógica. Criamos um país em que empreender exige mais coragem institucional do que coragem empresarial.
A crença de que o Estado pode “estimular” o que ele mesmo estrangula não é apenas ingênua, é contraditória. É pisar no freio com as duas botas enquanto se oferece um empurrão simbólico com a ponta dos dedos. O Brasil não sofre de falta de políticas, mas de excesso de obstáculos maquiados de benevolência.
Operamos uma lógica perversa, em que, primeiro, o sistema ergue o muro das licenças, o labirinto dos tributos e o nevoeiro da incerteza. Depois, apresenta-se como solução, oferecendo crédito e discursos de incentivo. É o Estado que quebra as suas pernas para depois lhe vender as muletas e ainda exigir gratidão pelo subsídio.
Esse arranjo não é falho. Ele é seletivo, selecionando contra quem mais deveria prosperar. Não vence o mais inovador, mas o mais resiliente à asfixia. Vence quem tem pulmão para suportar a ineficiência. Isso elimina, por definição, o novo; o pequeno, o disruptivo, aquele que ainda não tem escala para pagar o pedágio da burocracia.
Se quisermos um país que cresça de verdade, precisamos abandonar a ilusão do controle e adotar a lógica da liberdade responsável. Isso começa ao substituir a autorização prévia pela responsabilidade posterior. Atividades de baixo risco não precisam de carimbo para existir. O empreendedor deve poder operar de imediato, sendo cobrado pelos seus atos, não pelas suas intenções.
A maior reforma não é um novo ministério, mas o silêncio da máquina. O maior estímulo não é o subsídio, é a previsibilidade. O custo de cumprir regras virou um imposto invisível que drena energia, tempo e capital. O empreendedor não teme o risco do mercado; teme o risco da canetada.
Enquanto esse medo for racional, continuaremos confundindo potencial com resultado. O crescimento não precisa de incentivo. Precisa de espaço. No dia em que o Estado sair do caminho, o setor privado não pedirá licença para crescer.



