O Estado que sufoca quem quer crescer

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O crescimento não pede licença, mas, no Brasil, ele precisa enfrentar o Diário Oficial antes de enfrentar o mercado. Ele nasce quando alguém decide produzir, inventar e vender, apesar do ambiente, não por causa dele. Aqui, porém, invertemos a lógica. Criamos um país em que empreender exige mais coragem institucional do que coragem empresarial.

A crença de que o Estado pode “estimular” o que ele mesmo estrangula não é apenas ingênua, é contraditória. É pisar no freio com as duas botas enquanto se oferece um empurrão simbólico com a ponta dos dedos. O Brasil não sofre de falta de políticas, mas de excesso de obstáculos maquiados de benevolência.

Operamos uma lógica perversa, em que, primeiro, o sistema ergue o muro das licenças, o labirinto dos tributos e o nevoeiro da incerteza. Depois, apresenta-se como solução, oferecendo crédito e discursos de incentivo. É o Estado que quebra as suas pernas para depois lhe vender as muletas e ainda exigir gratidão pelo subsídio.

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Esse arranjo não é falho. Ele é seletivo, selecionando contra quem mais deveria prosperar. Não vence o mais inovador, mas o mais resiliente à asfixia. Vence quem tem pulmão para suportar a ineficiência. Isso elimina, por definição, o novo; o pequeno, o disruptivo, aquele que ainda não tem escala para pagar o pedágio da burocracia.

Se quisermos um país que cresça de verdade, precisamos abandonar a ilusão do controle e adotar a lógica da liberdade responsável. Isso começa ao substituir a autorização prévia pela responsabilidade posterior. Atividades de baixo risco não precisam de carimbo para existir. O empreendedor deve poder operar de imediato, sendo cobrado pelos seus atos, não pelas suas intenções.

A maior reforma não é um novo ministério, mas o silêncio da máquina. O maior estímulo não é o subsídio, é a previsibilidade. O custo de cumprir regras virou um imposto invisível que drena energia, tempo e capital. O empreendedor não teme o risco do mercado; teme o risco da canetada.

Enquanto esse medo for racional, continuaremos confundindo potencial com resultado. O crescimento não precisa de incentivo. Precisa de espaço. No dia em que o Estado sair do caminho, o setor privado não pedirá licença para crescer.

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Alex Pipkin

Alex Pipkin

Doutor em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS. Mestre em Administração - Marketing pelo PPGA/UFRGS Pós-graduado em Comércio Internacional pela FGV/RJ; em Marketing pela ESPM/SP; e em Gestão Empresarial pela PUC/RS. Bacharel em Comércio Exterior e Adm. de Empresas pela Unisinos/RS. Professor em nível de Graduação e Pós-Graduação em diversas universidades. Foi Gerente de Supply Chain da Dana para América do Sul. Foi Diretor de Supply Chain do Grupo Vipal. Conselheiro do Concex, Conselho de Comércio Exterior da FIERGS. Foi Vice-Presidente da FEDERASUL/RS. É sócio da AP Consultores Associados e atua como consultor de empresas. Autor de livros e artigos na área de gestão e negócios.

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