Neste 4 de julho, que tal falarmos sobre o imperialismo comunista?

O dia 4 de julho, em que os americanos celebram sua independência, é sempre uma boa oportunidade para falarmos do único esforço imperialista que nos ronda: o imperialismo comunista. Um imperialismo incomparavelmente mais assassino do que os piores regimes vistos como de direita, juntos. A crueldade de Lênin em nada difere da crueldade de Hitler. Stalin supera os dois. 

A ciência da repressão e do extermínio em massa colocada em prática pelos nazistas foi idealizada e pioneiramente executada pelos comunistas na Rússia vinte anos antes. Quando as tropas de Hitler avançaram sobre seus vizinhos, já fazia muitos anos que os soviéticos controlavam meia dúzia de países do leste europeu. Seis dias antes de a Alemanha invadir a Polônia, Hitler e Stalin assinaram um acordo para dividir o país entre eles. 

Assim que a 2° Guerra Mundial acabou, a URSS passou a se dedicar a internacionalizar o comunismo. É nesse momento que os Estados Unidos surgem no cenário internacional como “interventores”, porém, como força de REAÇÃO ao avanço do comunismo. 

Enquanto populações inteiras eram assoladas pela repressão e pela fome que imperava por trás da cortina de ferro, a URSS articulava, influenciava, armava e financiava golpes comunistas na China, na Coreia, em Cuba, no Vietnam, no Camboja, no Afeganistão e em diversos países da África e da América Latina. 

Todos os países sob controle dos comunistas viveram anos de horror. Repressão e miséria generalizada, sem precedentes em suas histórias. 

Vale resumir alguns casos:

Na Coreia após a derrota japonesa na 2° Guerra Mundial, houve um acordo de divisão do país entre norte, de influência soviética, e sul, de influência americana. Assim que as tropas americanas se retiraram, os comunistas do norte invadiram o sul, iniciando uma guerra e depois uma ditadura que levou à morte mais de 3 milhões de pessoas. 

Logo em seu primeiro dia como estado independente, em 1947, Israel foi atacado por todos os seus vizinhos árabes apoiados e armados pelos comunistas russos. 

Cuba era o país mais desenvolvido da América Latina no final da década de 1950. Em 1959, os comunistas tomaram o poder e logo em seguida impuseram uma ditadura muito mais repressora que a anterior. Em dois anos, destruíram a economia, levando a grande maioria dos cubanos à miséria. A despeito disso, Cuba tornou-se o principal mentor das guerrilhas latino-americanas e enviaram dezenas de milhares de soldados para apoiar países árabes nos conflitos contra Israel e as forças comunistas em Angola e Moçambique.  

Os Estados Unidos tentaram invadir Cuba em abril de 1962 simplesmente porque os comunistas, além de expropriarem as empresas e capitais americanos – e também de outros estrangeiros e dos próprios cidadãos cubanos −, estavam em plena campanha de terror contra a população, promovendo ondas de perseguições, expurgos e fuzilamentos. A existência da ditadura cubana ainda nos dias de hoje justifica incontestavelmente a ação americana que, infelizmente, foi um fracasso.

Durante o começo da década de 1960, o Vietnam do Norte, controlado por comunistas financiados pela China e pela URSS, invadiu o Laos e o Camboja e preparava a invasão do Vietnam do Sul. 

Em 1963, o presidente do Vietnam do Sul é assassinado durante uma tentativa de golpe de estado promovida pelos comunistas do norte. O presidente americano J. F Kenedy era declaradamente contra a intervenção no Vietnam, mas acabaria sendo morto nesse mesmo ano pelo comunista Lee H. Oswald, um americano que havia estudado na URSS. Só então os Estados Unidos decidiram intervir no Vietnam. 

No começo de 1973, os comunistas do Vietnam do Norte reconheceram a derrota e assinaram um acordo de paz em Paris. Dois anos depois, com a presença militar americana já bastante reduzida no país, o Vietnam do Norte rasga o acordo de paz que havia assinado e ataca a parte sul. Os Estados Unidos não reagem. E assim, o Vietnam do Sul foi anexado ao norte e imerso na repressão e na pobreza, que só acabaria décadas depois, com a liberalização da economia.   

O Reino do Afeganistão era um estado laico e em processo de modernização civil e política. A tortura havia sido abolida no começo do século XX. As mulheres gozavam de ampla liberdade. Em 1973, porém, o país sofreu um golpe de estado promovido Mohammed Daud com o apoio de Moscou, iniciando uma onda de repressão e terror. Cinco anos depois, o próprio Daud foi vítima de um golpe coordenado diretamente por Moscou. Mais uma onda de repressão e terror foi desencadeada, contabilizando cerca de 100 mil vítimas fatais e 500 mil refugiados. Mas os comunistas ainda não estavam satisfeitos. Um ano depois, Moscou envia suas tropas para o país, iniciando uma ocupação que durou dez anos e que deixou 1,5 milhão de mortos, 700 mil mutilados, milhões de refugiados, um país devastado e uma sociedade radicalizada no islamismo, que fora proibido durante a dominação russa. Em plena década de 1980, a URSS utilizava armas químicas e biológicas contra vilarejos no Afeganistão.

Em tempo: 

1 – Minha tia foi casada por quase 20 anos com um refugiado afegão, que fugiu do país no dia em que os tanques russos invadiram Cabul. Escutei dele exatamente o relato registrado na página 853 do Livro Negro do Comunismo, escrito por comunistas europeus numa rara autocrítica.

2 – A ocupação americana (e de outros países, com apoio da ONU) entre 2001 e 2015 tinha como objetivo acabar com um regime extremista islâmico que estava aterrorizando seu próprio povo e abrigando um grupo terrorista que vinha promovendo atentados em todo o mundo. Tal guerra teve 150 mil vítimas fatais, cerca de 10% do total promovido pelos comunistas, décadas antes. 

Enquanto proibiam o islamismo no Afeganistão, os comunistas russos apoiaram os radicais islâmicos no Irã para dar um golpe de estado em 1979, transformando o país numa teocracia que até hoje limita a liberdade das mulheres, persegue gays e restringe a ação da imprensa, além de liderar a campanha contra Israel.   

Em 1975, Portugal reconheceu a independência de Angola e de Moçambique, países que viviam momentos de prosperidade econômica. Então, aproveitando o vácuo de poder, os comunistas controlaram o país, impondo a agenda soviética de expropriações, expurgos, coletivização e massacres da população civil. Resultado: centenas de milhares de mortos, países destruídos e fome generalizada. 

Pol Pot só chegou ao poder no Camboja porque o Congresso Americano votou pela não intervenção no país. O que se seguiu foi o extermínio de 25% da população em 4 anos. 

Em oito décadas, o imperialismo comunista levou mais de 100 milhões de pessoas a morte, a grande maioria civis inocentes de seus próprios países. E continua vivo, vivíssimo! 

Em 1989, aconteceu a melhor coisa que poderia ter acontecido para o comunismo. Com o fim da URSS, ele “morreu”. Os próprios comunistas fizeram questão de difundir isso, para que ele se tornasse um movimento invisível. 

Morreu mesmo? 

A atual Rússia é governada por um ex-agente da KGB, o serviço secreto da URSS. Em 2014, ela anexou parte da Ucrânia e atualmente apoia regimes como os da Síria, da Venezuela e do Irã, todos de oposição aos Estados Unidos. 

O programa de privatizações ocorrido nos anos posteriores à queda da URSS transformou os mais altos quadros do partido comunista em grandes empresários. 

Apesar das décadas de terror, não houve um “Tribunal de Nuremberg” russo. 

Cuba e Coreia de Norte continuam de pé graças ao petróleo russo, ao dinheiro chinês e ao apoio da esquerda europeia. 

Os comunistas chineses liberalizaram a economia para tirar a população da miséria, mas, principalmente, para fortalecer o próprio regime. A China continua sendo uma ditadura que restringe liberdades individuais, de imprensa, política e intelectual. O atual Partido Comunista da China é o mesmo que perseguiu e matou opositores políticos, professores, intelectuais, religiosos e milhões de cidadãos comuns; e que invadiu e mantém o Tibet sob seu controle desde 1950; e que vive ameaçando invadir Taiwan; e que está construindo dezenas de ilhas artificiais para ter o controle marítimo da região conhecida como “Mar da China”. O PCC é o mesmo que está nesse momento, em pleno século 21, em feroz campanha contra o cristianismo, destruindo igrejas e prendendo padres. 

Empresas russas e chinesas (turbinadas com dinheiro de seus respectivos governos) estão comprando centenas de grandes empresas extrativistas e grandes propriedades de terra em países pobres da África, da América Latina e da Ásia. 

São os russos e os chineses que sustentam a ditadura de Nicolás Maduro e que estão forçando uma nova corrida armamentista contra os Estados Unidos.  

Em todo o ocidente, símbolos e discursos comunistas são comuns nos partidos, movimentos, lideranças e nas manifestações de esquerda. Matérias na grande imprensa, eventos e aulas em Universidades elogiando ditaduras comunistas também são comuns. Líderes de grupos que invadem propriedade privada e bloqueiam estradas são bajulados pela grande imprensa brasileira. Jornalistas respeitados lamentaram publicamente a morte do ditador Fidel Castro. O culto a Robespierre, Lênin e Che Guevara − três psicopatas assassinos – não gera sequer questionamentos das pessoas que enxergam em Jair Bolsonaro a reencarnação de Hitler. Nenhum grande veículo de comunicação refere-se à Venezuela como uma ditadura socialista – daqui a alguns anos, provavelmente dirão que a Venezuela foi destruída por uma ditadura de direita. 

Hoje, o imperialismo comunista transpõe governos. Tornou-se sobretudo um movimento cultural. Em vez de revoluções armadas, ele ocupa diversos nichos da sociedade. Um trabalho tão bem feito que hoje vemos um grande número de pessoas defendendo o comunismo sem sequer se verem como comunistas. A ideia de que está tudo errado, portanto, tudo deve ser destruído para, logo em seguida, ser imposta uma “nova ordem” social, econômica e política é plenamente compreendida nos movimentos de esquerda. Lenin, Bukharin e Trostky ainda são autores populares entre os universitários dos cursos de humanas; e os três – assim como a maioria dos autores comunistas – defendiam a internacionalização do movimento e o uso do terror (termo que eles próprios frequentemente utilizavam), sem piedade, até o extermínio completo da oposição e de qualquer coisa que remeta ao “mundo burguês”, que nada mais é que o mundo baseado em comércio, família, igreja e caridade voluntária. 

Os Estados Unidos são o grande obstáculo para o imperialismo comunista porque tornou-se a sociedade mais poderosa do mundo justamente por se sustentar em princípios de liberdade e de não-submissão ao estado – o oposto do que o comunismo defende. 

Por isso, esforçam-se tanto em difamar os Estados Unidos, afirmando que os imperialistas são eles, uma tentativa de converter sentimentos nacionalistas na rejeição ao modelo de sociedade americana que, de fato, a grande maioria das pessoas desconhece; e é exatamente o nacionalismo que há mais de meio século abre caminho para a chegada ao poder dos comunistas via golpes de estado ou eleições democráticas. 

O comunismo continua vivo, muito bem articulado e atuante como movimento internacional. Desde as “Internacionais Comunistas”, vêm se realizando eventos de congregação do movimento, como o tardiamente conhecido Foro de São Paulo. 

O desmoronamento da URSS apenas descentralizou as decisões do imperialismo comunista. Hoje, ele se mostra como uma gigantesca rede em que os nós são universidades, ONGs e redações de jornais.  

Se existe um “imperialismo estadunidense” – e é algo terrível, como diz a esquerda −, como estão os países que mais se submeteram a ele? Japão, Coreia do Sul e Alemanha (Ocidental, até 1990), por exemplo. 

Por que os países que mais se desenvolveram na América do Sul (Chile e Colômbia) nas últimas décadas foram os que mantiveram relações mais estreitas com os americanos?

Não tem qualquer fundamento a afirmação de que os interesses comerciais dos Estados Unidos levam outros países à pobreza. 

Enquanto os Estados Unidos injetavam bilhões no Plano Marshal, os comunistas expandiam sua rede de repressão e de campos de trabalho forçado em todo o território que ocupavam. Durante a Guerra Fria, toda a Europa Oriental controlada por Moscou esteve escravizada, enquanto os países influenciados pelos Estados Unidos se reconstruíram, se democratizaram, enriqueceram e se tornaram os mais desenvolvidos do mundo.   

É digna apenas de gargalhadas a afirmação de que a igualdade miserável do socialismo é melhor do que a desigualdade consumista capitalista. 

Portanto, se existe mesmo um imperialismo americano, ele só pode ser visto como a exportação dos princípios de liberdade individual política, intelectual, sexual, econômica e religiosa. Se for isso, eu quero! Você não?

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