Menos recursos para os cursos de humanas: uma boa notícia da gestão Bolsonaro

De acordo com artigo publicado no jornal Gazeta do Povo, Jair Bolsonaro postou em sua conta no Twitter a seguinte informação: “o Ministro da Educação Abraham Weintraub estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina.”

O presidente prosseguiu: “A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta.”

Diante da notícia, fiz uma modesta comemoração em minhas redes sociais, o que despertou o questionamento de algumas pessoas. Basicamente, questionaram o porquê de minha comemoração frente ao anúncio de que recursos escassos serão melhor alocados na educação (noutras palavras, serão retirados dos cursos de ciências humanas e direcionados, segundo o atual presidente da República, para áreas de maior importância).

Minha resposta: Nossos cursos de ciências humanas estão ideologicamente aparelhados por movimentos e partidos de esquerda. Não refletem, portanto, a pluralidade de ideias que deveria ser a regra em cursos que se propõem a ensinar a arte do pensamento crítico. Duvida? Experimente apontar as contradições dos defensores dos movimentos das minorias “oprimidas” nos ambientes das instituições federais. Tente explicar para um típico aluno de filosofia da USP que, de forma bastante estranha, quer se libertar da opressão ocidental usando saias, que a desigualdade salarial existente entre homens e mulheres nada mais é que o resultado das características que a própria natureza conferiu ao sexo feminino e que só foi acentuada porque o estado tem interferido cada vez mais nas relações voluntárias que se dão entre empregador e empregada e verá quão valorizado é o pensamento crítico nas universidades públicas.

Já faz tempo que os cursos de ciências humanas estão desconectados da realidade do mercado de trabalho. Não é justo ou moral que o pagador de imposto seja convidado a subsidiar sua própria destruição. Sim, destruição. Conforme aponta Amilcar Baiardi, professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), os cursos de humanas não conferem o profissionalismo de que as pessoas necessitam para o mercado de trabalho, “ao contrário, as ciências humanas no Brasil estão afastadas das questões de inovação e focadas demais em pesquisas de gênero, de luta de classe e de etnia, sem apresentar soluções para tais problemas”. Diante desta evidência, pergunto: de que maneira espera o trabalhador brasileiro aumentar sua produtividade, eficiência e, como conseqüência, seu padrão de vida, se recursos escassos, que seriam melhor aplicados em áreas que demandam bons e talentosos profissionais, financiam cursos que ensinam a seus pupilos a ideia de que Lula é apenas uma vítima de uma conspiração da elite que não suporta o crescimento da classe mais pobre da sociedade? Deixando de lado a discussão sobre este crescimento altamente questionável (o número de desempregados atinge os 13 milhões, herança maldita da era lulopetista), é nos DCE’s das universidades públicas que se amontoam as mentes embebidas de muita justiça social ao estilo classista de Marx, mentes que reivindicam o monopólio do altruísmo mas não têm a capacidade ou a honradez intelectual de conviver com o contraditório.

Obviamente, apesar de considerar alvissareiro o fato de que o presidente esteja considerando uma melhor alocação de recursos escassos, minha defesa de menos estado e mais livre mercado me leva a deixar claro que o melhor dos mundos seria aquele em que não houvesse educação estatal. Neste mundo, todas as universidades seriam privadas e a educação seria, para desespero dos que foram doutrinados a acreditar num estado provedor e clarividente, uma mercadoria a ser comercializada no balcão do capitalismo. Sim, este seria o melhor dos mundos. Empreendedores da educação ávidos por atender os interesses do mercado e fornecer-lhe profissionais altamente preparados, dinâmicos e sintonizados com as demandas da realidade 4.0.

Como minha capacidade preditiva sinaliza que alguns leitores da ala esquerdista farão uso do argumento da diferença de qualidade dos cursos ofertados nas universidades públicas em relação às particulares, lanço mão das palavras do jornalista Leandro Narloch para justificar minha preferência por instituições de ensino privadas:

Diz o autor em Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira:

“[…] há hotéis baratos e ruins, caros e bons, caros e ruins, e às vezes há pechinchas de hotéis cinco estrelas. Tomar um exemplo de faculdade privada e ruim e usá-lo para retratar todo o sistema privado é como escolher uma espelunca de beira de estrada para dizer que todos os hotéis são péssimos. Há faculdades privadas mequetrefes e outras léguas à frente das públicas”.

Sobre o autor: Juliano Oliveira é administrador de empresas, professor e palestrante. Especialista e mestre em engenharia de produção, é estudioso das teorias sobre liberalismo econômico.

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