“Manifestinha”: Por que os Black Blocs não apareceram no evento da esquerda em Copa?

Todos vimos chocados as cenas de violência e terrorismo daquela “manifestação” quarta-feira passada em Brasília, onde vândalos e marginais liderados pela extrema-esquerda tocaram o terror, quebraram tudo, lançaram rojões em policiais e até gatinhos pela janela, tudo para tentar impedir no grito o fim do imposto sindical que sustenta essa cambada de vagabundos.

Cheguei a questionar: por que não vimos esses black blocs “infiltrados” nas manifestações populares que levaram milhões às ruas pelo impeachment de Dilma? Os eventos organizados pelo MBL e o Vem Pra Rua foram exemplos de manifestações pacíficas, com famílias inteiras segurando a bandeira do Brasil e clamando por Justiça. Nada parecido com as cenas criminosas dos eventos da CUT, UNE, MST e PT.

Mas os black blocs também não foram na “manifestinha”, como ficou conhecida a “manifestação” organizada pela esquerda caviar neste domingo em Copacabana, para pedir “Diretas Já” (medida inconstitucional). Por que será? Por que os marginais controlados por essa patota não deram as caras na reuniãozinha da MPB? Quem comentou com ironia essa “estranha” ausência foi Guilherme Fiuza:

Mortadelas Presunçosas Brasileiras: gostei, uma boa definição para MPB. Quando eles fazem as “manifestinhas” deles (e se os próprios organizadores falaram em 15 mil, podem ter certeza que não passaram de 5 mil gatos pingados, mesmo com showzinho grátis e selfie com artistas globais), aí seus camaradas mascarados não podem ir, pois é preciso manter as aparências de civilização e democracia.

A esquerda caviar formada pelos “intelectuais” socialistas e os artistas engajados não pode sair de sua bolha, de seu mundo encantado, e essa gente só aprecia mesmo a “violência revolucionária” de longe, pela Globo News, com aqueles comentários esdrúxulos de “especialistas” que justificam a violência dos “manifestantes”.

Se as lideranças do PSOL e do PT liberassem seus cães raivosos “adestrados” para participar da farra, seria um caos: os rebeldes Toddyinho, fãs de Gregorio Duvivier (há maluco para tudo nesse mundo), voltariam para casa chorando pelo iPhone roubado. Veja Caetano Veloso, por exemplo, com os “revolucionários Coca-Cola”:

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Que falta de simancol leva um septuagenário feito Caetano a esse papelão? Bancar o revolucionário em prol da “justiça social” com essa idade, ao lado de criminosos como Guilherme Boulos, líder do MTST? É realmente não ter noção do ridículo. É o cúmulo da patetice.

Essa turminha, que hibernava durante os escândalos de corrupção do PT, e que mesmo agora parece ter tido problema no ouvido quando Joesley Batista falou dos $150 milhões pagos a Lula e Dilma no exterior, ainda tenta bancar a democrata rebelde contra os corruptos golpistas? Sério? Não percebeu ainda que a narrativa não engana mais quase ninguém, só esses 5 mil alienados mesmo?

Sobre os abusos criminosos cometidos na outra “manifestação” da extrema-esquerda, aquela mais “hard core” (ou raiz, para usar a distinção da moda, já que essa “manifestinha” foi totalmente Nutella), o economista Paulo Guedes já resumiu bem o que deve ser feito em sua coluna de hoje:

A quebradeira nas manifestações de rua em Brasília e a belicosidade em sua atuação no Congresso sugerem uma incapacidade das oposições em conviver com derrotas parlamentares, que são da própria essência da vida democrática. Podem ser contra uma reforma previdenciária, fundamental à recuperação das finanças públicas. Podem também estar contra uma reforma trabalhista que permita atenuar o flagelo do desemprego em massa. Mas não podem fazer prevalecer suas opiniões à base de arruaças, violência e depredações.

O Brasil não quer mais ser uma república das bananas. A classe política não pode estar acima das leis e, se acha que pode, não deve dormir em paz. O despertar do Poder Judiciário anuncia novos tempos. O julgamento da História começa a se esboçar.

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[…]

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, deve agora resgatar sua promessa de posse: cumprir a agenda de reformas econômicas. Os partidos da base de sustentação parlamentar governista devem fechar questão pela aprovação dessas reformas, antes que o país retorne à rota do caos venezuelano em que estava. As doações de Joesley Batista a Lula, Dilma, Temer, Aécio e outros são agora problemas do Ministério Público, da Polícia Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e do STF. A República espera que cada instituição cumpra seu dever.

O professor Denis Rosenfield foi ainda mais enfático e duro em sua coluna de hoje:

Vivemos uma situação única, e particularmente explosiva, pois, após a captura do Estado pelo aparelho lulopetista e aliados, com a corrupção tendo se infiltrando decisivamente no sistema político-partidário, as regras democráticas começaram a servir aos mais distintos propósitos. Por exemplo, as manifestações são apresentadas como “pacíficas”, próprias a um regime democrático, quando visam, na verdade, a enfraquecer ainda mais a democracia por intermédio da violência.

Que não se venha repetir a patranha de sempre, a saber, que as manifestações são pacíficas, porém “infiltradas” pelos black blocs. Todas as manifestações da esquerda são acompanhadas pela violência, o que não acontece com as organizadas pelo MBL, Vem Para a Rua e outros movimentos, que levaram ao impeachment da ex-presidente Dilma. Tanto são os vândalos acobertados que, mascarados e com bombas caseiras, são defendidos pelos mesmos grupos de esquerda que organizam estas manifestações.

São, também, defendidos por advogados da mesma esquerda, que se autointitulam “democratas” e defensores dos “direitos humanos”. Na Câmara dos Deputados e no Senado, são apoiados por parlamentares que, nestas Casas, têm introduzido a baderna enquanto meio de paralisação dos trabalhos parlamentares. Reproduzem o mesmo estilo de atuação, que toma a democracia para subvertê-la.

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Segundo Rosenfield, Michel Temer não tinha outra alternativa senão convocar as Forças Armadas para restabelecer a ordem, e se não o fizesse, “não estaria exercendo a autoridade que lhe confere a Constituição”.

Essa turma que se diz democrata e defende até o regime bolivariano não tem apreço algum pela democracia de fato. “O Estado foi tomado de assalto e os invasores apresentam-se como democratas”, resume o autor.

Os black blocs só não foram na “manifestinha” deste domingo, portanto, em nome das aparências, da imagem, da farsa democrática desses que, no fundo, possuem uma essência totalitária e autoritária. Eles não condenam Maduro e sua repressão violenta que já matou centenas na Venezuela. Eles não condenam os mascarados que quebraram tudo em Brasília. Eles apenas sabem quando seus “soldados” devem e quando não devem surgir em cena, de acordo com os interesses.

Respondendo, então, à pergunta do título: ora, porque os líderes não convocaram seus animais treinados para quebrar tudo nesse dia, já que era preciso manter a farsa perante a esquerda caviar. O PT e o PSOL controlam um botão de “on/off” desses “movimentos sociais” como o MTST e o MST, e assim que acionam o “on”, aparecem os marginais “infiltrados” para depredar tudo. Depois eles apertam o “off” e fazem discursos golpistas com a máscara de democratas, para o pessoal riquinho e alienado da zona sul carioca. Não é fofo?

 

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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Presidente do Conselho do Instituto Liberal e membro-fundador do Instituto Millenium (IMIL). Rodrigo Constantino atua no setor financeiro desde 1997. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), com MBA de Finanças pelo IBMEC. Constantino foi colunista da Veja e é colunista de importantes meios de comunicação brasileiros como os jornais “Valor Econômico” e “O Globo”. Conquistou o Prêmio Libertas no XXII Fórum da Liberdade, realizado em 2009. Tem vários livros publicados, entre eles: "Privatize Já!" e "Esquerda Caviar".