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As fronteiras do “Império Russo”

Putin não é comunista. Não acredito que seu sonho seja restabelecer a União Soviética. Putin se comporta como um oligarca. O que ele parece almejar é a criação de um Império Russo, do qual ele seria o governante supremo.

Para Putin, como havia sido para Nicolau II, as decisões da Duma são irrelevantes. Putin governa com mão de ferro como se seu poder emanasse de Deus. O imperador Putin deseja restabelecer seu reino dando-lhe a integridade que tinha antes de 1917.

O processo de expansão do Império Russo se estendeu por séculos. No auge do reinado dos Romanov, o Império Russo incluía, na fronteira oeste, Finlândia, Polônia, Lituânia, Letônia, Estônia, Romênia, Moldávia, Bielorrússia, Ucrânia e Crimeia, lindeiros do Império Germânico, do Império Austro-Húngaro, da Noruega e da Suécia. À leste e ao sul, os territórios dominados por Moscou, Sibéria, Turquestão, Kazaquistão, Turcomenistão, entre outros, alcançavam as fronteiras do Império Otomano, da Pérsia, da China, da Mongólia e da Manchúria.

Putin alega que a OTAN não deveria mais existir porque já não existe mais a União Soviética. Ele mesmo prova que o Império Russo, chamado de Federação Russa, como se os entes federados tivessem autonomia, deixou de ser a União Soviética, mas o espírito que vaga por aquelas bandas desde os primórdios, com os Rus, os bárbaros, os tártaros, segue assombrando o mundo tido como civilizado.

Moscou segue sendo Moscou. Se não houver uma OTAN para enfrentar Putin, o Terrível, as fronteiras do Império Russo chegarão, como fez Napoleão, às praias de Cascais e do Algarve. Putin, então, será o homem mais rico e poderoso do mundo desde Pedro, o Grande, aquele que construiu a cidade onde Putin nasceu, São Petersburgo, ou quem sabe, Putingrado.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.