A UNE não pode parar as vozes da liberdade

No dia 23 de novembro de 2018, no 4º Congresso Nacional do Movimento Brasil Livre (MBL), o grupo que liderou os protestos que culminaram com o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), lançou-se oficialmente o “MBL Estudantil”, organização que busca trazer representatividade aos estudantes de cunho liberal-conservador frente aos desmandos da União Nacional dos Estudantes (UNE).

O movimento liberal brasileiro vem construindo uma base forte nos ambientes universitários através de iniciativas como o Students For Liberty Brasil (SFL) e o Movimento Universidade Livre (MUL) – grupo que atuou contra o movimento de invasão (erroneamente chamado de ocupação) nas universidades públicas em 2016. Mas faltava uma organização que pudesse enfrentar diretamente, dentro do ambiente universitário e secundarista brasileiro, a força política da UNE, a maior organização estudantil de esquerda no país no âmbito universitário, e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) no âmbito secundarista. O MBL Estudantil surge para preencher esta lacuna nas universidades e escolas para que o discurso liberal tenha voz nesses ambientes há muito tempo dominados pela esquerda.

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O MBL Estudantil mal foi lançado e já causou reações na UNE. Em uma publicação recente na sua página no Facebook, a UNE declarou que “quando o MBL nasceu nós já tínhamos décadas de luta na defesa dos estudantes”, em uma tentativa desesperada de perder o grande poder de influência que ela exerce nas universidades públicas e privadas Brasil afora.

O fato é que a existência e o poder da UNE ficaram tão impregnados na mente de qualquer estudante universitário que se arrisque a participar de movimentos estudantis que ela se tornou a única referência desse segmento no país. E isso faz com que muitas pessoas que não compactuam com o discurso dela, distantes da realidade educacional do país e mais preocupadas com as pautas do PT-PCdoB-CUT, se sintam acuadas e/ou desmotivadas a seguirem no caminho do movimento estudantil. Junte isso às constantes ameaças que estudantes liberais sofrem diariamente nas universidades e institutos que o clima de medo aumenta.

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Todavia, essa espiral do medo, aos poucos, vai diminuindo. Em várias universidades vemos que mais alunos estão assumindo a sua posição liberal, lutando para conseguir espaço nos Centros Acadêmicos e DCEs espalhados no Brasil. Noto que, a cada dia que passa, estudantes se organizam para criar um ambiente acolhedor para os liberais, com grupos de estudo, reuniões organizadas por movimentos no estilo “UFRJ Livre”, “UFF Livre”, entre outros, disputando os diretórios em suas universidades… Os tempos estão mudando. Assim como conseguimos tirar o PT do poder e da máquina pública, estamos, aos poucos, tirando o poder de influência da UNE no movimento estudantil brasileiro. A UNE pode até rosnar, ladrar, espernear, mas não pode silenciar as vozes da liberdade. Os tempos estão mudando, para melhor.

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Sobre o autor: Erick Silva é graduando em Administração pela UFRRJ.

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