A fé como alicerce da liberdade

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Imagine um mundo onde não existem princípios morais absolutos, onde a vida humana vale apenas pela sua utilidade, e o que é certo ou errado depende do interesse do momento ou da opinião da maioria. Esse mundo não é uma ficção — ele existiu, e o século XX ofereceu exemplos trágicos de regimes que rejeitaram completamente qualquer base transcendente. Tentaram construir uma moral puramente racional, e o resultado foi a institucionalização da violência, perseguições em massa e milhões de mortos.

O problema de uma moral que se apoia apenas na razão é que ela se torna vulnerável ao relativismo. O “bem” deixa de ser um princípio e vira apenas uma preferência; o “mal” perde qualquer definição absoluta. A razão, por mais poderosa que seja, é apenas uma ferramenta: ela pode calcular o que é eficiente, mas não consegue determinar, por si só, o que é bom. Sem um fundamento que transcenda o homem, a dignidade humana torna-se negociável.

A fé, por outro lado, oferece esse fundamento. As grandes tradições religiosas do mundo, apesar de suas diferenças, convergem em valores essenciais — justiça, compaixão, verdade, caridade. Esses princípios não mudam ao sabor das circunstâncias e não dependem de maiorias ou conveniências. Eles atravessam séculos e culturas porque se enraízam em algo maior, algo que não pode ser revogado por decreto ou por consenso momentâneo.

É verdade que a religião já foi usada como pretexto para abusos, mas é justamente a própria base moral que a fé fornece que permite corrigir esses desvios. O problema não é a fé, mas o homem que a instrumentaliza para fins políticos e econômicos. Ao contrário, regimes ateus e puramente racionais não tiveram âncoras morais para se autocorrigir e seguiram seu curso de destruição até o colapso.

Mesmo sociedades hoje consideradas seculares, como Suécia ou Japão, foram moldadas por séculos de valores religiosos. Leis, costumes e ideais que ainda sustentam sua ordem social são frutos desse legado. A questão é: por quanto tempo esses alicerces resistirão quando deixarem de ser nutridos?

A liberdade não se sustenta apenas em leis bem redigidas ou no equilíbrio entre os poderes; ela depende de princípios firmes, capazes de resistir às oscilações da sociedade e aos interesses passageiros. Ao longo da história, foi a fé que deu forma a esses princípios, enfatizando que a vida tem valor intrínseco e que há deveres que se impõem mesmo quando não trazem benefício pessoal.

No fim, a pergunta que fica é simples: se o alicerce da fé for retirado, em quanto tempo a casa da liberdade começará a ruir?

*Bruna Rezende de Castro é associada do Instituto Líderes do Amanhã. 

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