A esquerda que não aprendeu nada
O autor destas linhas tem 27 anos. Ainda adolescente, começou a acompanhar a política de maneira mais intensa e recorda bem os dias que antecederam um dos grandes vexames históricos da esquerda: o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Não foi apenas a remoção do cargo, mas a simbologia carregada no ato. De repente, as esquerdas descobriram que o Partido dos Trabalhadores era fortemente rejeitado pelos trabalhadores, que o povo desprezava quem se dizia seu porta-voz e que as suas teses não encontravam eco nas ruas.
Foi um período rico em pérolas esquerdistas. O sr. Sibá Machado, então líder do PT na Câmara, gritou aos quatro cantos que a CIA estava por trás das manifestações contra o governo Dilma. A galhofa foi geral. Ele não foi o único alvo de troça: Lindbergh Farias – sim, aquele mesmo – confundiu alhos com bugalhos ao afirmar que o neoliberalismo foi implementado por Augusto Pinochet na China. É uma graça. Milton Friedman ficaria muito feliz ao ver suas ideias triunfarem em solo chinês – não posso dizer o mesmo de Richard Nixon, ainda que ele tenha acreditado na estupidez da liberalização da economia como garantia da abertura democrática do regime comunista – por um chileno.
Passados dez anos, a esquerda aproveitou os incontáveis erros da direita, voltou ao poder e continua a ditar as normas do debate público – ao menos tenta. Pois não é que ela continua abraçada na imbecilidade? Um artigo do sr. Celso Rocha de Barros e o novo bafafá gerado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) exemplificam como ela não aprendeu nada nem esqueceu nada.
Pois bem, passo ao primeiro acólito do credo esquerdista. O sr. Celso Rocha de Barros reverberou em artigo a ladainha petista acerca da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para ele, Flávio dará um golpe de Estado, além de brindar o leitor – pobre coitado – com a maravilha de que o Inquérito das Fake News foi a solução legal encontrada pelo Supremo Tribunal Federal para combater – de novo! – o tal golpe. Se você chegou a dar razão aos críticos de longa data dos métodos alexandrinos, não estranhe: é a voz da sua burrice. Deixe a explicação do inexplicável para os iluminados.
Eu tenho um senso de humor apurado para tudo na vida, mas as doses deixam de ser homeopáticas para lidar com um esquerdista semiletrado que se julga intelectual. É garantia de boas risadas. O dito cujo lança mão dos chavões mais toscos possíveis em tom professoral que me faz rir como se estivesse diante de um stand-up comedy. Classificar a direita como golpista depois de ter feito o mesmo com o MDB de Michel Temer, Moreira Franco e Romero Jucá não é apenas patético: é a banalização de um termo descritivo que acaba por descrever nada – justamente o métier favorito da esquerda na destruição da linguagem.
Para ser justo, Celso de Rocha Barros não chamou Temer de golpista – pelo menos até onde vi -, ao contrário da esquerda praticamente inteira, que nunca digeriu a porrada e guarda um enorme rancor dos responsáveis políticos do anseio popular de então. Porém, ele faz o mesmo com o senador Flávio e vangloria o inquérito do fim do mundo como impeditivo eficaz contra a quartelada bolsonarista. Caso não saiba, sr. Celso, temos idade e senso do ridículo para não acreditarmos nessa lorota. Foi justamente por tal narrativa que o país normalizou o arbítrio supremo durante anos e só depois de um escândalo recheado de práticas comuns da política nacional pode haver alguma mudança. Censurar uma revista é proteger a democracia? Abrir um inquérito de ofício e desrespeitar uma infinidade de normas legais faz parte do paternalismo supremo que combate a ditadura imaginária? Faça-me rir.
Antes de reparar na ignorância alheia, o sr. Celso Rocha de Barros deveria se olhar no espelho. Ele se julga dono da razão, e deve ser mesmo, pois Chesterton já falava que louco é quem perde tudo, menos a razão. De incultos e loucos, este país está cheio – embora sempre tenha espaço e coluna na Folha para mais um.
O que dizer da sra. Erika Hilton, então? No que depender dela, nada. Qualquer crítica ou afirmação que desagrade à sua posição de Sumo-Sacerdote da inteligência, parte para a repressão estatal via processos e investigações. O Ministério Público não deixa de atender aos seus caprichos e parece sempre disposto a destruir a vida dos deplorables.
Sou eu que digo isso? Não, é o sr. Demétrio Magnoli, comentarista político da Globo News. Ele foi extremamente corajoso ao falar que a sra. Erika Hilton é um homem biológico – proferir tal impropério no Brasil é uma audácia perigosa. Além disso, apontou para a interdição do debate feita por ela e uma suposta colaboração involuntária à candidatura de Flávio Bolsonaro. Pouco me importam os rumos da querela eleitoral. O que me tira o sono é ver uma figura truculenta, agressiva e aversa ao debate de ideias numa posição de poder, pois a política é o meio civilizado para a resolução dos nossos problemas. Classificar como ‘’imbecis’’ e ‘’esgoto da sociedade’’ quem não comunga da sua cartilha é revelador.
Não por acaso a sua antipatia perante a população: levantamento do Real Time Big Data aponta que 84% da população rejeita a sua batuta na Comissão da Mulher na Câmara. Podem apontar o fato de ela ser trans e as consequências disso, mas o meu ponto é a sua postura arrogante e autoritária de quem subiu ao Olimpo e chutou a escada para impedir os demais de chegarem lá. A não ser que digam amém a ela, claro.
Para ambos, desejo a liberdade de expressão. Ideias ridículas não aguentam um bom debate, basta a luz do Sol para o ridículo ser percebido como tal.



