O governo não deveria regular, fiscalizar e certificar empresas privadas

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Para quem não consegue conceber em concreto como seria uma certificadora de qualidade de produtos alimentícios, trago um exemplo que serviria de parâmetro para substituir as custosas, ineficientes, corruptas e fraudulentas agências reguladoras existentes no Brasil e no exterior.

Há, só nos Estados Unidos, mais de 300 certificadoras de comida kosher, aquelas que judeus mais religiosos se permitem consumir.

Mais de 135 mil produtos diferentes obedecem padrões de qualidade, são fiscalizados e certificados como produto kosher.

Estima-se que mais de 12 milhões americanos consomem tais produtos. Desses, 8% são judeus e os demais são individuos que entendem que comprar produtos kosher lhes dá a garantia de estarem consumindo alimentos mais saudável e de qualidade superior.

Eu entendo que não cabe ao governo regular, fiscalizar e certificar empresas privadas envolvidas em atividades produtivas.

Caberia ao governo o papel exclusivo de prover justiça e segurança visando defender os direitos individuais: vida, liberdade, propriedade e busca da felicidade.

Tendo em vista esse papel, caberia ao governo regular, fiscalizar e certificar apenas os particulares envolvidos nessa área, sejam eles agentes de segurança investigadores particulares ou caçadores de recompensa.

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No que se refere às atividades produtivas, particulares podem empreender criando agências reguladoras, fiscalizadoras e certificadoras. Sempre de maneira privada, com o objetivo de atestar a qualidade daquilo que é vendido no mercado.

Essas empresas podem ter como público, consumidores, associações de consumidores, ou mesmo as próprias empresas que serão fiscalizadas e certificadas por estarem preocupadas em seguir determinados padrões que aprimorem seus produtos e serviços, demonstrando, adicionalmente, que os produtos e serviços são exatamente aquilo que dizem ser e que estão dentro da expectativa do consumidores.

O que consumidores, fornecedores, agências reguladoras e certificadoras devem perseguir, é um sistema baseado no auto interesse racional.

Cada parte envolvida no processo de livre mercado, deve utilizar as trocas voluntárias, para perseguir o mútuo benefício, proporcionando assim, que as relações sejam duradouras e profícuas para todos os envolvidos, num ambiente cujo resultado será a criação permanente de valor.

Aqueles que romperem esse círculo virtuoso, deverão ser identificados e isolados, para que não prejudiquem a funcionalidade do sistema.

As vítimas poderão então, recorrer ao governo para que se instaure um processo legal com o propósito de buscar reparação e para coibir a ação daqueles que fraudaram, punindo-os exemplarmente.

Você pode se perguntar, mas quem garante que as empresas privadas e as agências particulares agirão honestamente?

Bem, eu respondo que ninguém pode garantir nada.

Mas aí cabe também uma outra pergunta, podemos confiar na certificação das agências do governo?

A realidade nos responde, óbvio que não.

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Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.

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