A recepção e o legado de A Riqueza das Nações em seus 250 anos de lançamento
Em 9 de março de 1776, foi lançada An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations (Uma Investigação acerca da Natureza e das Causas da Riqueza das Nações), ou, simplesmente, The Wealth of Nations (A Riqueza das Nações), do filósofo moral escocês Adam Smith (1723-1790), tida, pela maioria dos analistas, como o marco inicial da moderna Ciência Econômica e também da tradição do liberalismo econômico. Dividida em cinco livros, publicados, originalmente, em dois volumes, a monumental obra disserta sobre a divisão do trabalho e as trocas, com análises sobre as relações entre valor e preços, além de tratar da moeda, dos rendimentos, da acumulação de capital e do desenvolvimento econômico, bem como discute o mercantilismo e a fisiocracia, para, finalmente, abordar as responsabilidades do Estado e a receita pública.
Desde a sua primeira edição, há 250 anos, até os nossos dias, o impacto de A Riqueza das Nações foi imenso, tanto em reflexões teóricas de diferentes intelectuais quanto nas ações práticas de alguns estadistas, razão pela qual esse trabalho de Adam Smith foi objeto de inúmeras análises. Em nosso presente ensaio, não pretendemos apresentar uma síntese ampla de todas as discussões elaboradas sobre a obras nos últimos dois séculos e meio, tarefa quase impossível de ser realizada. Além do relato pessoal narrado a título de conclusão, nossos objetivos são apenas destacar certos aspectos do impacto da obra na época de sua publicação, sem estendermos a discussão de sua influência em período mais abrangente do que as décadas iniciais que sucederam a edição do livro, e ressaltar o modo como o pensamento de Adam Smith, ainda em nossos dias, tem sido referência para determinados economistas liberais e filósofos conservadores.
I – O impacto da obra na época
O próprio Adam Smith considerava o tratado de ética The Theory of Moral Sentiments (Teoria dos Sentimentos Morais), lançado originalmente em 1759, o seu trabalho mais importante. Em muitos aspectos, diferentemente das errôneas análises que buscam ressaltar aparentes contradições entre as duas obras, A Riqueza das Nações é uma decorrência necessária das reflexões morais do autor sobre a extensão e os limites da benevolência, bem como sobre o papel do autointeresse nas relações sociais humanas. Em conjunto, os dois trabalhos ofereceram a melhor resolução para o impasse entre as posições éticas altruísta de Anthony Ashley-Cooper (1871-1713), 3º Conde de Shaftesbury, e egoísta de Bernard Mandeville (1670-1733), no debate moral travado por diversos representantes do Iluminismo britânico do período.
Nascido na cidade de Kirkcaldy, na Escócia, em 1723, com dia exato desconhecido, Adam Smith foi batizado, na igreja presbiteriana, em 5 de junho do mesmo ano, de acordo com o antigo calendário juliano, equivalente ao atual dia 16 de junho no calendário gregoriano, que entrou em vigor na Grã-Bretanha apenas em 1752, tendo falecido, em 17 de julho de 1790, na cidade escocesa de Edinburgh, aos 67 anos. Era o único rebento do casal Margaret Douglas (1694-1784), filha de um rico proprietário de terras, e Adam Smith (1679-1723), advogado que faleceu dois meses antes do nascimento do filho. Após ter cursado, entre 1729 e 1737, a Burgh School of Kirkcaldy, aos 14 anos, o jovem ingressou na University of Glasgow, onde estudou Filosofia Moral com o catedrático Francis Hutcheson (1694-1746), tendo no período desenvolvido a paixão pelos conceitos filosóficos de “razão”, “sentimentos morais”, “benevolência”, “simpatia”, “liberdades civis” e “liberdade de expressão”, que marcariam o seu pensamento. Depois da graduação, em 1740, recebeu bolsa de estudos para cursar o Balliol College, na University of Oxford, onde permaneceu até 1746, no qual, não obstante ter achado o ensino recebido na Escócia superior ao oferecido pela instituição inglesa, familiarizou-se com diversas obras de autores clássicos gregos e romanos, além de pensadores medievais e também iluministas britânicos e franceses.
Iniciou a carreira no magistério na University of Edinburgh, onde proferiu, patrocinado por Henry Home (1696-1782), Lord Kames, diversas palestras regulares, entre 1748 e 1750, sobre retórica, literatura e jurisprudência, bem como acerca do “progresso da opulência” fundamentado no “sistema óbvio e simples da liberdade natural”, sendo estas últimas o embrião das concepções liberais que tomaram forma em seu famoso tratado econômico aqui celebrado. Nesse período em que lecionou em Edinburgh, por intermédio de seu mecenas, começou com David Hume (1711-1776) a duradoura amizade que manteve até a morte deste. Em 1751, assumiu a cátedra de Lógica, aos 27 anos, na University of Glasgow, onde no ano seguinte, devido à morte do professor Thomas Craigie (†1751), tornou-se o quarto titular da prestigiosa cadeira de Filosofia Moral, estabelecida por Gershom Carmichael (1672-1729), que teve como segundo ocupante o seu mentor durante a graduação. O período em que Adam Smith, de 1752 a 1764, ocupou a mesma posição de seu mestre Francis Hutcheson foi descrito pelo próprio como sendo a época mais feliz e mais honorável de toda a sua vida. Inovou as práticas de ensino ao ter lecionado em inglês, no lugar de latim conforme o hábito vigente, o que tornou suas ideias mais legíveis para os alunos. Nessas aulas, desenvolveu muito das teses filosóficas e econômicas contidas em seus dois famosos tratados. A publicação de Teoria dos Sentimentos Morais, em 1759, fez Smith ser reconhecido em toda a Europa, tendo atraído para Glasgow inúmeros alunos que desejavam estudar sob a orientação dele. No ano de 1762, foi agraciado por sua alma mater com o título de Legum Doctor (LL.D.), ao passo que, em 1764, renunciou à sua cátedra para atuar como tutor do jovem Henry Scott (1746-1812), 3º Duke de Buccleuch, enteado do primeiro-ministro britânico Charles Townshend (1725-1767), tendo viajado com o tutorado por dois anos pela Europa continental, onde teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o economista fisiocrata François Quesnay (1694-1774), o então representante diplomático americano Benjamin Franklin (1706-1790) e diversos enciclopedistas do Iluminismo francês. Terminado o período como tutor do jovem nobre, Smith recebeu uma pensão vitalícia, que, excluindo as atribuições como comissário de alfândega da Escócia, de 1778 a 1790, e, de 1787 a 1789, como Lorde Reitor da University of Glasgow, possibilitou dedicação quase exclusiva à finalização de A Riqueza das Nações, publicada em 1776, bem como às revisões nas edições posteriores das duas únicas obras que lançou. O estilo metódico e a constante preocupação em corrigir imperfeições levou o autor, nas reedições tanto de Teoria dos Sentimentos Morais, em 1761, 1767, 1774, 1781 e 1790, quanto de A Riqueza das Nações, em 1778, 1784, 1786 e 1789, a fazer diversas correções nas obras, ao longo do restante de sua vida, inclusive tendo acrescido novos capítulos em ambas.
As primeiras resenhas tanto de Teoria dos Sentimentos Morais quanto de A Riqueza das Nações foram publicadas no famoso periódico The Annual Register, respectivamente, em 1759 e em 1776, tendo ambas sido escritas pelo filósofo e estadista irlandês Edmund Burke (1729-1797), editor do renomado anuário. Na condição de amigo próximo do autor das duas resenhas, o filósofo escocês foi convidado a fazer parte da sociedade literária “The Club”, que fora criada, em 1764, pelo filósofo e estadista irlandês, juntamente com o moralista, lexicógrafo, satirista e crítico literário Dr. Samuel Johnson (1709-1784) e com o pintor Sir Joshua Reynolds (1723-1792), tendo como membros, além dessas quatro renomadas figuras, o poeta, romancista e dramaturgo Oliver Goldsmith (1730-1774), o ator, dramaturgo e produtor teatral David Garrick (1717-1779), o músico, compositor e musicólogo Charles Burney (1736-1814), o historiador e parlamentar Edward Gibbon (1737-1794), o advogado e biógrafo James Boswell (1740-1795) e o parlamentar Charles James Fox (1749-1806), dentre outras famosas personalidades da época. Inicialmente, essa respeitável confraria realizava encontros semanais todas as segundas-feiras, às 19 horas, no Turk’s Head Inn, no Soho, em Londres, onde parte de seus membros se reuniam para jantar, consumir bebidas alcoólicas e discutir temas variados relacionados à literatura, à filosofia e à política, bem como para tratarem de suas próprias obras. Não obstante o fato de Smith, além de contar com a antipatia de Johnson, tender a evitar, nas conversas sociais, falar sobre os temas sobre os quais se considerava especialista, devido à proximidade com Burke, provavelmente enviou os manuscritos de suas obras para o amigo, o que pode explicar a primazia de suas marcantes resenhas. As percepções burkeanas sobre os dois trabalhos de Smith mereceriam discussão mais aprofundada, o que, contudo, foge aos objetivos deste ensaio. No entanto, em linhas gerais, pode-se dizer que, além de comungar com as teses morais e econômicas do autor, Burke contribuiu muito para o prestígio dessas duas obras entre vários intelectuais ou políticos da época.
De certo modo, a grande influência de A Riqueza das Nações nos escritos posteriores de Jeremy Bentham (1748-1832), de Thomas Malthus (1766-1834), de Jean-Baptiste Say (1767-1832), de David Ricardo (1772-1823), de James Mill (1773-1836), de Thomas Tooke (1774-1858), de Nassau Senior (1790-1864) e de John Stuart Mill (1806-1873), dentre outros autores que escreveram obras específicas sobre economia, é deveras conhecida. Todavia, fala-se pouco acerca da recepção e da implementação das teses econômicas de Adam Smith por governantes ou parlamentares na Grã-Bretanha, na França e nos Estados Unidos da América, somente para citar nações em que suas ideias tiveram maior circulação.
O tratado econômico de Adam Smith foi lido por diversos estadistas britânicos que aplicaram as suas ideias na gestão pública. Tendo sido amigo do autor de A Riqueza das Nações, o primeiro-ministro whig William Petty (1737-1805), 1º Marquês de Lansdowne e 2º Conde de Shelburne, durante o seu gabinete ministerial, entre 1782 e 1783, na época do fim da Guerra de Independência, entre a Grã-Bretanha e as suas antigas Treze Colônias na América do Norte, na condição de defensor precoce do livre comércio, incluiu muitos princípios do liberalismo econômico nas negociações dos tratados de paz entre as duas nações. Tendo conhecido pessoalmente o filósofo escocês, considerando-se seu discípulo, o primeiro-ministro tory William Pitt (1759-1806), o Novo, utilizou muitas das teses propostas em A Riqueza das Nações nos seus dois mandatos, de 1783 a 1801 e de 1804 a 1806, com destaque para o restabelecimento das relações comerciais com os Estados Unidos da América; a aprovação do Tratado de Eden, em 1786, que firmou livre comércio com a França; a implementação de reformas fiscais para simplificar a arrecadação de impostos; as medidas administrativas para reduzir a burocracia alfandegária; a redução de impostos de importação como meio de diminuir o contrabando de determinas mercadorias; a criação do fundo de amortização para gerir a imensa dívida pública decorrente dos oito anos da Guerra de Independência e as diversas medidas tomadas no contexto da guerra contra Napoleão Bonaparte (1769-1821), sendo que, não obstante ter estabelecido, provisoriamente, um imposto de renda para financiar as campanhas militares e ter suspendido, na ocasião da corrida bancária de 1797, os pagamentos em espécie, recusou-se a aplicar tabelamentos de preço para alimentos, tendo desafiado os clamores da opinião pública e a forte pressão política tanto de apoiadores quanto de opositores ao defender que tal regulamentação para conter a alta dos preços apenas geraria escassez de produtos. Durante o período, sob os governos dos primeiros-ministros tories Robert Jenkinson (1770-1828), 2º Conde de Liverpool, e George Canning (1770-1827), que serviu como presidente da Junta Comercial, de 1823 a 1827, o financista e parlamentar tory William Huskisson (1770-1830) começou o desmonte do sistema mercantilista inglês, sendo inspirado pelas críticas ao modelo intervencionista em A Riqueza das Nações, tendo relaxado as ineficientes Leis de Navegação e reduzido as tarifas de importação. Influenciado pelos empreendedores, ativistas e parlamentares liberais Richard Cobden (1804-1865) e John Bright (1811-1889), líderes da chamada Escola de Manchester, o primeiro-ministro conservador Sir Robert Peel (1788-1850) revogou, em 1846, as Leis dos Cereais, ao eliminar as tarifas sobre a importação de trigo, sendo que ao justificar tal medida, com base em A Riqueza das Nações, na ideia de que o livre mercado seria a solução para os problemas da fome e do custo de vida, lançou as bases para o denominando “consenso smithiano” que, ao longo de toda a segunda metade do século XIX, iria orientar os governos britânicos, independentemente do partido que estivesse no poder. No apogeu da Era Vitoriana, tanto o liberalismo quanto o conservadorismo foram influenciados, de formas distintas, pela Riqueza das Nações, sendo dois exemplos significativos o primeiro-ministro liberal William Gladstone (1809-1898), com suas políticas econômicas caracterizadas pela eliminação das tarifas remanescentes, pela austeridade fiscal e pelo orçamento público equilibrado, e o primeiro-ministro conservador Robert Gascoyne-Cecil (1830-1903), 3º Marquês de Salisbury, que, além de ter mantido por pragmatismo as reformas econômicas liberais, utilizou o axioma smithiano da “mão-invisível” na política externa britânica com as próprias colônias e com outros países, ao acreditar que, na manutenção do elo entre as nações, o livre comércio seria a melhor alternativa no lugar das alianças militares permanentes e das custosas intervenções esporádicas.
A difusão das propostas de Adam Smith em favor da agenda defendida em seu livro, que passou a ser denominada como liberalismo econômico, foi além do contexto britânico, ao ter alcançado as elites políticas na França, nos Estados Unidos da América e, até mesmo, no Brasil, que não somente leram a obra, mas, também, implementaram reformas concretas inspiradas em seus princípios liberalizantes. No conturbado ambiente que antecedeu a Revolução em França iniciada no ano de 1789, as teses econômicas apresentadas pelo filósofo escocês foram adotadas pelos ministros Anne Robert Jacques Turgot (1727-1781), Jacques Necker (1732-1804), Charles-Alexandre de Calonne (1734-1802), Conde d’Hannonville, e cardeal Étienne-Charles de Loménie de Brienne (1727-1794), cuja efetivação das diversas reformas propostas em favor da descentralização administrativa, da contenção de gastos públicos, da estabilidade monetária e do livre comércio poderiam ter prevenido a eclosão do violento processo revolucionário francês. Os ensinamentos de A Riqueza das Nações foram mais bem recebidos nos Estados Unidos da América, onde o tratado foi lido por George Washington (1732-1799), John Adams (1735-1826), Thomas Jefferson (1743-1826), James Madison (1751-1836), James Monroe (1758-1831) e John Quincy Adams (1767-1848), os seis primeiros presidentes da nação, que, nos seus governos de 1789 a 1829, implementaram diversas políticas públicas em favor do livre mercado.
Em português, uma versão resumida, com o título Compêndio da Obra da Riqueza das Nações, foi publicada, entre 1811 e 1813, por Bento da Silva Lisboa (1793-1864), 2º Barão de Cairu, sob a supervisão de seu pai, José da Silva Lisboa (1756-1835), Visconde de Cairu, que, inspirado na obra do escocês, lançou, em 1804, o livro Princípios de Economia Política., tendo sido o pioneiro no ensino das teorias econômicas em nosso país. As duas referidas obras influenciaram o entendimento de alguns notáveis líderes brasileiros durante a vigência do regime monárquico no país, tendo sido o pensamento de Adam Smith referência, direta ou indireta, para membros das duas grandes facções partidárias do Segundo Império, visto que relevantes figuras do Partido Conservador e do Partido Liberal, denominados, respectivamente, pelas alcunhas pejorativas de “saquaremas”, os defensores do conservadorismo, e de “luzias”, os proponentes do liberalismo, aderiram às ortodoxas teses em favor do livre mercado. Dentre os estadistas brasileiros do Segundo Império que foram influenciados pela obra A Riqueza das Nações, merecem destaque os nomes tanto dos liberais Teófilo Ottoni (1807-1867), Aureliano Cândido Tavares Bastos (1839-1875), Afonso Celso de Assis Figueiredo (1836-1912), Visconde de Ouro Preto e Joaquim Nabuco (1849-1910) quanto dos conservadores Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795-1850), Paulino José Soares de Sousa (1807-1866), Visconde de Uruguai, Eusébio de Queirós (1812-1868) e, principalmente, Joaquim José Rodrigues Torres (1802-1872), Visconde de Itaboraí, que, em propostas bastantes distintas entre si, utilizaram as concepções econômicas do filósofo escocês como justificativa para defender a propriedade privada, a livre iniciativa, o ambiente jurídico seguro para os negócios, as reformas administrativas desburocratizantes, o controle dos gastos públicos, a estabilidade monetária contra a expansão artificial de meios circulantes, o estabelecimento de infraestrutura estatal em favor da ampliação dos setores produtivos, a redução das tarifas de importação, a diminuição do intervencionismo e do centralismo estatais, a transição da mão de obra escravizada para o livre trabalho assalariado, a extinção do tráfico negreiro e, também, a abolição da escravatura.
II – Referência para liberais e conservadores
Nos últimos dois séculos e meio, desde o lançamento de A Riqueza das Nações, em 9 de março de 1776, até os nossos dias, o famoso livro de Adam Smith foi referência indispensável para a maioria dos teóricos liberais e também para determinados autores da tradição conservadora anglo-saxã. Independentemente das rupturas decorrentes dos avanços na ciência econômica advindos da denominada “revolução marginalista”, fomentada pela publicação dos livros, entre 1871 e 1874, do austríaco Carl Menger (1840-1921), do inglês William Stanley Jevons (1835-1882) e do franco-suíço Léon Walras (1834-1910), mantiveram-se intactos, por cerca de cinco décadas e meia, os pilares do liberalismo econômico, conforme estabelecidos pelo filósofo escocês e seus discípulos, sendo caracterizado pela defesa do “laissez-faire”, pela crença no axioma da “mão invisível” e pela adesão ao individualismo metodológico. Devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, da revolução bolchevique na Rússia, em 1917, e da Quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, o liberalismo econômico gradativamente foi abandonado para dar lugar às noções socialistas de Karl Marx (1818-1883) e intervencionistas de John Maynard Keynes (1883-1946), que, de modos dissemelhantes, entorpeceram a mentalidade de intelectuais e conduziram as ações dos burocratas estatais. Uma das poucas vozes dissonantes no período entreguerras foi o economista austríaco Ludwig von Mises (1881-1973), que, com seus escritos e suas aulas, manteve viva a defesa do liberalismo econômico. Após o término da Segunda Guerra Mundial, no contexto da Guerra Fria, ressurgiu a defesa de algumas das teses do liberalismo econômico como melhores instrumentos para a promoção do bem-estar material das nações e dos indivíduos, sendo tais proposições feitas, em resposta ao fracasso do planejamento estatal, especialmente por economistas liberais e por filósofos conservadores no ambiente político e cultural anglo-saxão.
Em graus distintos, os princípios apresentados por Adam Smith em A Riqueza das Nações voltaram a fundamentar as análises de renomados economistas. Dentre os economistas contemporâneos que retomaram e aperfeiçoaram conceitos do filósofo escocês, além de terem comungado com a ampla defesa do livre mercado, destacam-se Friedrich August von Hayek (1899-1992), Milton Friedman (1912-2006), Theodore Schultz (1902-1998), George Stigler (1911-1991), James Buchanan (1919-2013), Ronald Coase (1910-2014), Gary Becker (1930-2014), Douglass North (1920-2015), Robert Lucas Jr. (1937-2023) e Elinor Ostrom (1933-2012), apenas para citar os laureados com o Prêmio Nobel e já falecidos. O valioso legado de A Riqueza das Nações para as análises de cada um desses economistas liberais poderia ser objeto de inúmeros artigos, de modo que iremos apresentar somente breves comentários sobre o reconhecimento de F. A. Hayek e de Milton Friedman ao débito que tiveram com Adam Smith em alguns de seus trabalhos.
Tendo sido o mais famoso discípulo de Ludwig von Mises e o continuador da Escola Austríaca de Economia iniciada por Carl Menger, o economista, jurista e filósofo social F. A. Hayek legou vasta obra, que abrange diferentes áreas do conhecimento. Laureado no ano de 1974 com o Prêmio Nobel, utilizou a noção smithiana de “mão invisível” em sua explicação sobre a “ordem espontânea”, que aprofundou a ideia segundo a qual o livre mercado coordena, melhor do que o Estado, o vasto conhecimento disperso na sociedade. No primeiro volume de sua trilogia Law, Legislation, and Liberty (Direito, Legislação e Liberdade), lançado em 1973, o laureado pensador austríaco conceituou a noção de “ordem espontânea”, denominada com o termo grego κόσμος (kósmos), como sendo “uma ordem resultante da evolução”, um tipo não criado de forma deliberada, mas “autogeradora ou endógena”, sendo contraposta à ideia corrente de “ordem feita” ou “ordenação”, representada com a palavra grega τάξις (táxis) e entendida “como uma construção, como uma ordem artificial” ou como “uma ordem social dirigida, como uma organização”. De modo análogo à concepção hayekiana, a pedra angular da arquitetura moral e econômica de Adam Smith, conforme expressada em Teoria dos Sentimentos Morais e em A Riqueza das Nações, foi a constatação realista de que a livre ação de indivíduos, na busca pelo próprio interesse, tem como resultado, inerente à própria dinâmica social do mercado, uma série de benefícios públicos que não podem ser alcançados por nenhum planejador central, mesmo que tal gestor fosse o mais virtuoso dentre todos os membros de determinada comunidade. Em passagem específica de seu referido volume, Hayek destacou que, por intermédio da expressão “mão invisível”, Smith “relatou o modo como o homem é levado a promover um fim que não fazia parte de suas intenções”.
O economista monetarista americano Milton Friedman, eminente professor da University of Chicago, tendo sido, em 1976, laureado com o Prêmio Nobel, tornou-se conhecido, incialmente, devido aos trabalhos acadêmicos que desenvolveu tanto sobre a análise do consumo quanto sobre a história monetária e a teoria da moeda, bem como pela demonstração da complexidade inerente à política de estabilização de preços, nas quais, em vários pontos, divergiu das proposições de Adam Smith, em grande parte, devido às grandes mudanças de conjuntura e de paradigmas acerca das questões abordadas. Enquanto o pensador escocês, no final do século XVIII, defendia que a estabilidade da moeda é garantida pela reserva física em ouro, sendo papel dos bancos atuarem como meros intermediários da poupança real, de modo que, para o bom funcionamento do sistema, deveria ser preservada a livre concorrência bancária e a conversibilidade dos depósitos em meios circulantes, as análises do laureado economista americano, desenvolvidas no ambiente mais complexo e com maior regulamentação estatal da segunda metade do século XX, propunham regras institucionais rígidas de crescimento fixo, estabelecidas por Bancos Centrais independentes, como meio para limitar o processo inflacionário, além de ter explicado o modo pelo qual os bancos são criadores de liquidez monetária. Todavia, essas divergências técnicas não impediram que Friedman, em sua atuação pública como divulgador do liberalismo econômico para audiência não especializada, apresentada nos populares livros Capitalism and Freedom (Capitalismo e Liberdade), de 1964, e Free to Choose (Livre para Escolher), de 1980, retornasse em suas explicações diversos princípios elementares de Smith em favor do livre mercado. Em uma das diversas passagens de Capitalismo e Liberdade, nas quais recorreu aos ensinamentos de A Riqueza das Nações, ressaltou que “Adam Smith percebeu que a liberdade econômica era um pré-requisito necessário para a liberdade política”, tendo acrescentado, em seguida, que “onde não há livre mercado, a liberdade individual está sempre em risco”. Dentre as inúmeras menções feitas, em Liberdade para Escolher, ao chamado “pai da economia”, ressaltamos a afirmação de Friedman segundo a qual “o insight fundamental de Adam Smith foi que um indivíduo que ‘pretende apenas seu próprio ganho’ é ‘conduzido por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção’. Ao buscar seu próprio interesse, ele frequentemente promove o da sociedade de maneira mais eficiente do que quando realmente pretende promovê-lo”.
Nos amplos campos do pensamento filosófico, da atuação cultural e da prática ação política, além do limitado terreno da economia enquanto ciência especializada, pode-se encontrar a adesão aos princípios do liberalismo econômico, conforme foram apresentados, de modo pioneiro, em A Riqueza das Nações, nos escritos de Wilhelm Röpke (1899-1966), de Michael Oakeshott (1901-1990), de Frank Meyer (1909-1972), de Russell Kirk (1918-1994), de William F. Buckley Jr. (1925-2008), de Irving Kristol (1920-2009), de Gertrude Himmelfarb (1922-2019), de Michael Novak (1933-2017) e de Sir Roger Scruton (1944-2020), dentre muitos outros autores contemporâneos filiados ao conservadorismo, que, caudatários da tradição burkeana, explicitamente reconheceram o débito com os ensinamentos do filósofo escocês. Não obstante as importantes discussões, tendo como base as reflexões de Adam Smith, apresentadas por todos esses conservadores, iremos limitar nossa exposição aos reconhecimentos de Russell Kirk e de Roger Scruton acerca da grande importância de A Riqueza das Nações, por serem ambos mais conhecidos no ambiente brasileiro.
Em uma palestra ministrada, em 4 de abril de 1991, na Heritage Foundation, cujo texto foi publicado na coletânea póstuma Redeeming the Time (Redimir o Tempo), de 1996, como décimo nono capítulo da obra, Russell Kirk defendeu que Edmund Burke, Samuel Johnson e Adam Smith foram três pilares da ordem. De acordo com a exposição de Kirk, cada um desses autores enfatizou a defesa de colunas distintas que sustentam o bom ordenamento social, com Burke na política, Johnson na cultura e, finalmente, Smith na economia. Nesse ensaio, ressaltou que os três pensadores, “de diversas maneiras, descreveram e defenderam as crenças e instituições que mantêm a benéfica tensão entre ordem e liberdade”. Apesar de não existirem muitas menções ao filósofo escocês em suas obras, devido ao fato de o conservadorismo kirkiano ter enfatizado mais a posição antirracionalista e contrarrevolucionária burkeana, desde a publicação de The Conservative Mind (A Mentalidade Conservadora), em 1953, até o lançamento de The Politics of Prudence (A Política da Prudência), o grande defensor da tradição conservadora anglo-saxã enfatizou a importância do livre mercado, tendo reconhecido, de modo similar à perspectiva smithiana, a necessária relação intrínseca entre o respeito à propriedade privada e a subsistência da liberdade individual.
Tendo sido o último trabalho de Roger Scruton sobre a temática, o livro Conservatism: An Invitation to the Great Tradition (Conservadorismo: Um Convite a Grande Tradição), de 2017, apresenta narrativa histórica ampla sobre o pensamento conservador, na qual Adam Smith ocupa lugar destacado. Ao discutir a importância das obras Teoria dos Sentimentos Morais e A Riqueza das Nações, do filósofo escocês, Scruton afirmou que “o retrato da sociedade civil pintado por Smith se tornou fundamental para a visão conservadora de nosso tempo”. Mais adiante, ao ter abordado, especificamente, A Riqueza das Nações, o filósofo inglês defendeu que o livro “traz a primeira defesa séria da economia de mercado a partir de princípios filosóficos”, tendo acrescentado que “Smith se opôs à crença mercantilista de que o poder de um Estado depende de sua riqueza e a melhor política é reter tanta riqueza quanto possível no interior de suas fronteiras. Essa visão de riqueza como acúmulo não representa corretamente a verdadeira natureza do valor econômico, que depende da circulação de mercadorias através do comércio, bem como do investimento e uso do trabalho humano”. Após longa explanação sobre determinados aspectos do pensamento econômico smithiano, na qual, inclusive, demonstra como esse, em muitos pontos, antecipou as concepções da Escola Austríaca de Economia, que discute melhor no quinto capítulo desse livro, Scruton conclui sua análise ressaltando a conexão entre o pensamento ético e as teses econômicas de Smith ao enfatizar que “uma economia de mercado pressupõe pessoas honestas que desejam negociar abertamente e por acordo mútuo. Por isso, ela precisa ser sustentada por restrições morais e legais emanadas de nosso fundo partilhado de simpatia, e de outra maneira não estará segura contra fraudes, abusos e trapaças”.
III – Nossa trajetória com Adam Smith
Antes mesmo de termos ingressado no Instituto Liberal (IL), em dezembro de 1991, ou iniciarmos a graduação em História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no primeiro semestre de 1993, tivemos a oportunidade de lermos A Riqueza das Nações pela primeira vez logo após a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, quando buscávamos, com apenas 15 anos, encontrar orientações para compreender o impacto do evento e as suas consequências para o futuro. Desde muito jovem, por influência tanto de nosso pai e de nosso saudoso avô materno quanto pelas leituras sobre História e sobre temas militares, especialmente aeronaves de combate, assumimos postura fortemente anticomunista. Todavia, o episódio que marcou o início da dissolução do bloco soviético, bem como o fim da Guerra Fria, levou-nos a acreditar que a derrota final do comunismo não deveria ser conduzida pelo poder dos artefatos militares que tanto nos encantam, mas pela força das ideias, especialmente a defesa da liberdade econômica.
Em paralelo aos estudos preparatórios para a carreira de engenheiro aeronáutico, que inicialmente almejávamos, dedicávamos quase todo o nosso tempo livre, nos dois anos seguintes, aos exercícios musicais de teclado e, principalmente, à leitura de autores liberais clássicos, que o contato inicial com o famoso livro de Adam Smith nos fez buscar em bibliotecas e em sebos. Em uma de nossas compras, antes mesmo da dissolução, em 25 de dezembro de 1991, da União Soviética, adquirimos a primeira edição brasileira do livro Uma Crítica ao Intervencionismo, de Ludwig von Mises, por intermédio da qual tomamos consciência da existência do Instituto Liberal, de que decidimos conhecer melhor o trabalho. Na instituição, tivemos acesso a uma ampla biblioteca especializada em liberalismo, que passamos a frequentar semanalmente tanto para fazer consultas no local quanto para pegar livros emprestados e ler em casa. Em uma dessas visitas, em meados de fevereiro de 1992, fomos apresentados pelo bibliotecário ao diretor acadêmico da instituição, o finado professor Og Francisco Leme (1925-2004), que, depois de algum tempo de conversa, indicou-nos a leitura de O Caminho da Servidão, de F. A. Hayek, tendo feito a generosa oferta de tirar nossas dúvidas ao longo da leitura, tendo informado que poderíamos ir ao encontro dele, que sempre estava na sede do Instituto Liberal em todas as tardes dos dias úteis. Retornamos em poucos dias para tirar as dúvidas, sendo que, para a surpresa do ancião, havíamos lido todo o volume em menos de uma semana. Na conversa com o professor, recebemos novas indicações de leituras, a começar por seu livro Entre os Cupins e os Homens, que devoramos e voltamos para tirar dúvidas, bem como recebermos novas recomendações. A nossa ansiedade por mais conhecimento, o encantamento com a sabedoria do paciente orientador e a busca por saber mais sobre a temática fizeram com que o ritual fosse repetido semanalmente, ao ponto de, em várias ocasiões, chegarmos a ir duas vezes ou mais na mesma semana para ter orientações daquele que se tornou um mestre para nós. Diante desses retornos inesperados e constantes, o experiente professor decidiu, em maio de 1992, disciplinar o aluno e sistematizar os seus estudos, com encontros semanais. Nossas aulas, todas as quartas-feiras, estenderam-se até o final de janeiro de 2002, quando, por indicação dele, assumimos o posto de visiting fellow da Atlas Network, na capital americana, ao longo de um semestre. Em nossa última aula, o grande mentor informou que, não obstante continuarmos a amizade, terminava naquele momento o trabalho dele conosco, por acreditar que não tinha mais nada a acrescentar em nossa formação intelectual, algo de que, ainda hoje, discordamos.
No período de mais de dez anos em que, cuidadosamente, fomos guiados em nossos estudos pelo saudoso professor Og Francisco Leme, que também apresentou-nos, pessoalmente, a diversos outros significativos expoentes do liberalismo brasileiro daquela geração, tivemos a oportunidade de retornarmos inúmeras vezes à leitura de A Riqueza das Nações, em particular para verificarmos os pontos em que as reflexões de Adam Smith continuavam válidas e aqueles em que foram superadas por trabalhos de economistas liberais mais recentes. Devido ao nosso grande mentor, pudemos discutir os escritos tanto morais quanto econômicos do pensador escocês com os finados José Osvaldo de Meira Penna (1917-2017), Roberto Campos (1917-2001), Antonio Paim (1927-2021), Ubiratan Borges de Macedo (1937-2007) e Mário A. L. Guerreiro (1944-2025), dentre outros. Em todas as cinco edições do “Ciclo de Debates sobre Liberalismo Clássico”, que, entre 1998 e 2002, organizamos no Instituto Liberal, o pensamento de Adam Smith foi tema de uma das aulas semanais, que, nos diferentes anos, contou com exposições sobre o moralista e economista escocês feitas por Ubiratan Jorge Iorio, por Roberto Fendt, Jr., por José Luiz de Carvalho, por Fabiano Pegurier e por nós mesmos, no último ano. Desde a apresentação, em 1996, no congresso da Sociedade Brasileira de História da Ciência (SBHC), na qual, ao discutirmos a importância da divulgação do pensamento de Sir Isaac Newton (1643-1727) por Voltaire (1694-1778), ressaltamos como o paradigma newtoniano orientou aspectos fundamentais dos escritos morais e econômicos do filósofo escocês, A Riqueza das Nações foi objeto de diversas análises acadêmicas que desenvolvemos ao longo das últimas três décadas.
A celebração dos 250 anos de publicação de A Riqueza das Nações, de Adam Smith, lançada no mesmo ano em que foi assinada, em 4 de julho de 1776, a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, não é mera lembrança de um antigo fato desconectado das soluções para os problemas de nossa atualidade. Relembrar os dois eventos históricos é importante meio de enfatizar a necessária defesa da liberdade individual e o papel do livre mercado como garantias fundamentais da autonomia e da prosperidade tanto de pessoas quanto de nações.
IV – Referências Bibliográficas
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O presente ensaio é uma versão mais detalhada de nossa relatoria, em 25 de março de 2026, no 59º encontro do Núcleo de Formação Liberal (NFL), realizado, ao vivo, no canal de YouTube do Instituto Liberal (IL), que, também, contou com a relatoria de Luiz Alberto Machado, com a participação como debatedor de João Martins Timóteo da Costa e como mediador Lucas Berlanza, com os quais tivemos a oportunidade de discutir na ocasião a maioria dos pontos apresentados nesse texto.



