Recuperação Lenta e Gradual da Economia Brasileira: PIB do 1º. trimestre de 2018

Os dados do PIB do primeiro trimestre foram divulgados, mostrando que a recuperação da economia está sendo lenta e gradual. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior (2017.IV) e com dados dessazonalizados, o crescimento real do PIB foi de 0,4% (Gráfico 1). Já na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, a economia cresceu, em termos reais, 1,2%. Os dados de vermelho são do período recessivo (2T14 – 4T16), de acordo com o Codace. Como todos sabem, a deterioração da economia foi muito forte nesses últimos anos, fruto de erros de política econômica no passado. E, essa absurda greve dos caminhoneiros, ainda deve prejudicar os dados do segundo trimestre e, consequentemente, do ano, tornando a recuperação da economia mais lenta e gradual ainda.

Há pouco mais de um ano, no artigo “Brasil entre os 10 Piores Países do Mundo em Termos de Crescimento Econômico no Biênio 2015-2016!”, neste mesmo espaço, comentei que “o Brasil ficou em décimo lugar ao se analisar as piores médias do biênio 2015-2016”, em termos de crescimento econômico, e que os outros nove países da lista em situação pior que o Brasil correspondem a apenas 0,7% do PIB do mundo, contra 2,4% do Brasil  (dados de 2016). Nesse biênio, o mundo cresceu, em termos reais, 3,2% a.a., sendo que os países emergentes avançaram 6,6% a.a., e as economias avançadas, 1,9% a.a.. Concluí no artigo que “questões internas devem ter predominado na recessão brasileira. Sinal de que os erros cometidos no passado foram muitos!”

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Na recessão brasileira, houve duas quedas reais do PIB nos anos de 2015 e 2016 (3,5% ao ano), sendo o pior biênio de crescimento econômico em mais de 100 anos. A outra vez que o PIB brasileiro recuou por dois anos consecutivos foi em 1930 e 1931, logo após a Crise de 29, com quedas reais de 2,1 e 3,3%, respectivamente. No artigo “Por que tivemos o pior biênio de crescimento econômico em mais de 100 anos?”, também no Blog do Instituto Liberal, comentei sobre isso.

Recentemente, foi divulgado o relatório semestral do panorama da economia mundial (World Economic Outlook) do FMI, bem como as suas projeçõespara algumas variáveis econômicas até 2023. Segundo o instituto, o PIB mundial deve crescer esse ano 3,9%, em termos reais, sendo que os países avançados devem se expandir 2,5%, enquanto que os emergentes, 4,9%. Da amostra total de 192 países, 20% são economias avançadas e 80% emergentes. O Fundo projeta um crescimento esse ano para o Brasil de 2,3%, próximo da mediana das expectativas do mercado do boletim Focus (2,4%).

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Em mais uma evidência da dimensão da grave crise brasileira, que foi muito mais doméstica do que internacional, pode ser observada no Gráfico 3, que mostra a quantidade de países com crescimento real do PIB maior do que o Brasil no triênio recessivo (2014-15-16), no biênio 2015-16 (dois anos seguidos de recuo, em termos reais, do PIB), 2017 (primeiro ano pós-recessão) e 2018 (projeções). No artigo “Desempenho da economia brasileira em comparação com o resto do mundo”, no Blog do Ibre, também comento sobre isso.

De um total de 192 países que o FMI apresenta os dados de crescimento real do PIB, tanto no triênio 2014-15-16 quanto no biênio 2015-16, apenas nove países (Líbia, Iémen, Venezuela, Macau, Guiné Equatorial, Ucrânia, Suriname, Sudão do Sul e Serra Leoa) apresentaram um desempenho pior que o nosso. Vale frisar que esses países em situação pior do que o Brasil não têm grande relevância no cenário econômico mundial e / ou possuem graves problemas internos.

Em 2017, primeiro ano pós-recessão, a situação melhorou um pouco, mas ainda assim o desempenho do Brasil foi fraco, em relação ao resto do mundo. Apenas 30 países apresentaram um crescimento real menor do que o Brasil. Considerando a mediana das expectativas de mercado do último boletim Focus para o Brasil (2,37%) e as projeções do FMI para os demais países, 49 países vão apresentar um crescimento real do PIB menor do que o Brasil esse ano. Se considerarmos as projeções do FMI para o Brasil (2,3%), o número diminui para 45 países.

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Ou seja, essa deterioração da economia brasileira, reflexo em grande parte das medidas da “Nova Matriz Econômica” (NME) que os governos petistas implementaram nos anos passados, foi muito forte. O caminho para uma recuperação mais sólida da economia ainda será difícil, por isso que as eleições desse ano são de fundamental importância para sabermos qual caminho o país vai trilhar a partir de 2019.

Sobre o autor: Marcel Balassiano é mestre em Economia Empresarial e Finanças (EPGE/FGV), mestre em Administração (EBAPE/FGV) e bacharel em Economia (EPGE/FGV).

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