O programa liberal de Bolsonaro vai muito bem, obrigado!

O leilão do pré-sal realizado hoje demonstrou que a herança protecionista é uma realidade difícil de ser vencida. “O petróleo é nosso” é uma mentalidade compartilhada por muitas pessoas do atual governo, incluindo o próprio Jair Bolsonaro. Ainda assim, creio que temos muito a comemorar. 

Percebo em muitas pessoas a expectativa de que o presidente da república as represente enquanto indivíduos. Cada uma esperando que ele seja sua imagem e semelhança. Porém, o próprio conceito de democracia impossibilita isso. Como já explicou F. A Hayek, democracia é a escolha do menor denominador comum de uma sociedade. Infelizmente, até entre os liberais há quem não entenda isso. 

Essa expectativa tão comum explica muito da impopularidade de Jair Bolsonaro. As pessoas não gostam dele por causa de suas frases infelizes e de suas manifestações religiosas. O que basta para muitas dizerem que não gostam do governo. 

O fato que realmente importa é que Jair Bolsonaro está fazendo um bom trabalho.  

Se sua comunicação institucional é desastrosa, o programa liberal em execução vai além do que poderíamos imaginar dez anos atrás. O novo pacto federativo apresentado ontem simboliza muito isso. O candidato que a esquerda dizia que implantaria uma ditadura no Brasil está propondo a descentralização do poder, o que significa a transferência das decisões políticas e financeiras da capital federal para cada município. 

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Que ditadura, hein!

O ano não acabou, mas já foram aprovadas a reforma da previdência, a desburocratização de alguns setores, a extinção de alguns impostos e anunciados grandes programas de privatizações. 

Hoje, saiu na imprensa uma notícia sintomática: a transferência de grandes multinacionais da Argentina para o Brasil. Ok, sabemos que sobram razões para qualquer empresário fugir daquele país, mas ele poderia ir para outro. Para o Chile ou para o Uruguai, ou mesmo para o Paraguai, que já vem acolhendo empresas brasileiras.

Como sabemos que nenhuma grande empresa faz suas apostas baseadas em crenças ideológicas, mas em projeções de mercado, é de se comemorar o que está acontecendo.

É sempre bom olharmos para trás para valorizar o que temos.

A esquerda liderada pelo PT compara os números do governo Jair Bolsonaro com os números do último ano do governo Lula e até mesmo à média dos dois governos do petista. O cinismo de sempre. 

O primeiro governo Lula foi baseado no programa econômico de FHC, desenhado pelo liberal Gustavo Franco. Se formos comparar a média do governo Lula com a média do crescimento mundial, veremos que o Brasil ficou atrás. (ver gráfico)

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A narrativa petista ainda ignora o governo Dilma, período no qual explodiu a crise fomentada pelo programa intervencionista e corrupto iniciado por Lula. Esses anos que os petistas tentam retirar da história fizeram o Brasil perder mais de 8% do PIB e a dívida pública explodir.

O que os petistas não irão comparar é o primeiro ano de governo Lula com o primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro. 

O Brasil chegou ao final de 2003 com queda de 2% no PIB, Risco-país em 468 pontos, inflação de 9,3%, SELIC de 16,5% e IBOVESPA em 22 mil pontos. 

O Brasil está chegando ao final de 2019 com projeção do PIB em 0,8% positivo, Risco-Brasil em 117 pontos, inflação de 3%, juros de 5% e bolsa em 108 mil pontos.

O mais importante de tudo é que o Brasil está sendo empurrado para frente não mais por programas econômicos anabolizantes, que criam números fantásticos no começo e desastres mais adiante. Não é mais um crescimento subsidiado pelo governo. Paulo Guedes e equipe estão apenas melhorando o ambiente econômico, tornando-o mais fácil. Está sendo criado pela primeira vez na história do Brasil um ambiente para o capitalismo.   

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Obviamente, ainda há um longo e pedregoso caminho a ser percorrido: a imprensa aloprada, as corporações de funcionários públicos, a esquerda endiabrada, as brigas internas do governo e o próprio espírito protecionista de Bolsonaro em algumas áreas; mas o Brasil é isso. Nada será mudado do dia para noite. Não dá para querer que um líder popular seja o liberal dos sonhos de cada um de nós.  

Minha consciência libertária não me permite ser um grande otimista sobre a relação entre governo e indivíduos, porém, não dá para passar a vida resmungando. Devemos olhar para trás de vez em quando, para ver se pelo menos estamos um pouquinho melhor do que antes. Acredito que estamos bem melhor.

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João Cesar de Melo

João Cesar de Melo

É arquiteto e artista plástico.