O PIB cresceu 1,0% em 2017, após dois anos seguidos de queda!

Após dois anos seguidos de queda real do PIB (3,5% em 2015 e 2016), fato que só aconteceu em 1930 e 1931, logo após a Crise de 29 (com quedas menores, de 2,1% e 3,3%, respectivamente), o PIB do Brasil voltou a se expandir em 2017, com crescimento real de 1,0% em comparação com o ano anterior.

Pelo lado da oferta, o desempenho excepcional da agropecuária (crescimento de 13,0%) contribuiu bastante para esse resultado, já que tanto a indústria quanto o setor de serviços ficaram praticamente estagnados (0,0% e 0,3% de crescimento real, respectivamente).

Já pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,0%, levado pela (pequena) redução do desemprego (ainda em níveis muito altos, com mais de 12 milhões de desempregados, mas que já foi superior aos 14 milhões no primeiro trimestre de 2017), do impulso “extra” dos recursos das contas inativas do FGTS, da melhoria do crédito, redução do endividamento das famílias e aumento do poder de compra em decorrência da baixa inflação, sobretudo da deflação de quase 5,0% de itens ligados à alimentação domiciliar… O consumo do governo caiu 0,6%, e as exportações e importações cresceram (5,2% e 5,0%, respectivamente). Já os investimentos recuaram pelo quarto ano consecutivo (-1,8%). A taxa de investimento, que já foi próxima de 21,0% do PIB em 2013, recuou para 15,6% do PIB em 2017.

Para 2018, a mediana das expectativas de mercado, segundo o boletim Focus, indica um crescimento real do PIB próximo de 3,0%. A diferença de 2017 para 2018 é que o crescimento desse ano, além de ser mais forte do que no ano passado, deve ser mais disseminado entre os setores, com crescimentos tanto da indústria quanto dos serviços, e não bastante concentrado na agropecuária, como foi em 2017. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias também deve apresentar um desempenho positivo. E, os investimentos, após quatro anos de queda, podem finalmente apresentar um crescimento. Os efeitos defasados da queda dos juros (a taxa Selic diminuiu de 14,25% em meados de outubro de 2016 para 6,75% atualmente, encontrando-se nos mínimos históricos), inflação baixa, além do câmbio e risco controlados, principalmente pelo ambiente externo favorável, ajudam nesse cenário de crescimento em 2018.

Então, o ano de 2017 foi o primeiro ano pós-recessão, mostrando a recuperação (lenta e gradual) da economia brasileira. Porém, ainda há muitos desafios para serem enfrentados, e alguns, como a reforma da previdência, já ficaram para 2019, no pós-eleições.

Sobre o autor: Marcel Balassiano é mestre em Economia Empresarial e Finanças (EPGE/FGV), mestre em Administração (EBAPE/FGV) e bacharel em Economia (EBEF/FGV).

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