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Inflação não é aumento de preços

Lembram quando a professora do Bart Simpson o mandava escrever dezenas de vezes uma frase para que ele não a esquecesse?

Pois bem, vejo muitos economistas esquecendo o básico, porque se dissessem o que deveria ser dito estariam contrariando o governo que defendem.

Inflação é a expansão da oferta de moeda e crédito sem lastro na economia real, ou seja, sem a contrapartida do crescimento da oferta de produtos e serviços no mercado no qual aquela moeda predomina como meio de troca.

Aumento de preços, de forma generalizada, é consequência da inflação. Aumento de preços nem é inflação nem é causa da inflação.

Como pudemos ver na pandemia, os preços aumentaram generalizadamente. Não foram os preços dos produtos que escassearam pela intervenção dos governos, não foram os preços dos produtos cuja cadeia produtiva sofre quebras por conta da logística e falta de insumos. Todos os preços da economia aumentaram, porque o público percebeu haver maior liquidez com a oferta de moeda e crédito acima do que seria razoável – e o que aconteceu? Empresários se protegeram da perda de poder aquisitivo da moeda aumentando seus preços, e os consumidores resolveram estocar com medo de novos aumentos.

Quando houve queda na produção ou redução na oferta de produtos e serviços pelas medidas governamentais como resposta à pandemia, inflacionar a oferta de moeda e crédito só poderia ter esse efeito desastroso: empobrecer a todos aqueles que não têm acesso a instrumentos de proteção contra o processo inflacionário.

Quando as pessoas perderam o emprego e deixaram de gerar riqueza, deveriam se utilizar de fundos criados para eventualidades como essa. Jamais o governo poderia fazer o que fez: dobrar a oferta de moeda e crédito como se estivesse produzindo riqueza quando a está destruindo.

No início da pandemia, em 31/01/2020, o estoque de M2, moeda e crédito à disposição do mercado, era de cerca de R$ 3,032 trilhões. Em 31/08/2021, passou a ser de R$ 4,114 trilhões. Ou seja, houve um inflacionamento dos meios de pagamento em quase 36%.

Ora, seria 36% se a oferta de produtos e serviços se mantivesse estável, mas, como sabemos, houve no período uma redução da oferta desses bens, o que fez com que a relação entre a oferta de moeda e crédito com o que se produz no Brasil aumentasse muito, e isso está demonstrado nos índices de variação de preços, que não são a mesma coisa que inflação.

A questão é simples. Os governos impedem a criação de riqueza e a geração de renda de boa parte da população que perde seus empregos.

O governo emite moeda e aumenta o crédito do nada para as pessoas terem com o que se sustentarem, o que cria o aumento generalizado dos preços. Esse aumento será pago pelos que não se protegem da inflação, que não deixa de ser um imposto pago por todos em benefício daqueles que receberão o dinheiro e o crédito criado sem lastro.

O grande problema social desse imposto inflacionário é que ele será pago exatamente por aqueles que o governo quer beneficiar.

Se o governo não interviesse expandindo a moeda e o crédito, seria possível que os preços até baixassem pela diminuição do consumo e pela necessidade dos produtores de venderem o que produziram para pagarem as contas.

Haveria redução de salários, de preços, de aluguéis e de lucros, mas, com a inflação, quem se preocupa com isso? O governo está injetando dinheiro através da sua política monetária e as pessoas, em reação, para manter seu poder aquisitivo, cobram mais pelo que produziram.

Lembrem-se de que o dólar americano valia em 31/01/20 R$ 4,27. Hoje, alcançou a marca de R$ 5,35. Ou seja, o Real se desvalorizou 21% em relação ao dólar, que se valorizou 25,3% perante o Real. Não podemos esquecer que nos Estados Unidos também houve um processo inflacionário como no Brasil, apesar de ser de menores proporções.

O impacto da inflação nos índices de preços nos Estados Unidos é menor que no Brasil, porque a economia americana é muito mais dinâmica e sua produtividade é muito maior. Por isso, o setor produtivo absorve melhor a oferta de moeda e crédito, que acaba influenciando muito os mercados onde há maior escassez, como o mercado de ativos financeiros e o mercado imobiliário.

Se não entenderam, pelos menos gravem a lição: inflação não é aumento de preços.

E acrescentem…

Inflação é um imposto criado pelo governo para transferir riqueza de quem produz para quem não produz nada, de forma mascarada.

Não esqueçam que os governos querem que inflação seja confundida com aumento de preços e não com expansão monetária para que a culpa pela inflação recaia sobre quem produz e trabalha e não sobre os burocratas do Ministério da Economia nem os do Banco Central, esses sim responsáveis exclusivos pela inundação de papel pintado no mercado, o que deteriora o poder aquisitivo da população.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.