Por que o aumento do consumo não enriquece a população?

Quando as pessoas consomem, além de elas abrirem mão do capital que têm para adquirirem o bem de consumo, elas dão início ao processo de depreciação do bem adquirido. Assim, perdem de imediato o valor que despenderam e ao longo do tempo parte do valor que adquiriram. Se esse consumo ainda se der através de financiamento, soma-se ao custo de depreciação o valor dos juros sobre o capital tomado emprestado.

Sendo assim, em hipótese alguma o aumento do consumo de bens resulta no aumento da riqueza. Podemos até nos sentir felizes com o prazer de adquirirmos um bem, porém, ao longo do tempo, a tristeza vem e com ela talvez venha o arrependimento pela depreciação do bem, pela perda do capital que se tinha e do poder aquisitivo.

Quando, em vez de consumirem, as pessoas resolvem poupar e investir, o valor que possuem hoje se multiplicará ao longo do tempo e os bens que deixaram de ser adquiridos terão possivelmente seu valor reduzido e a qualidade melhorada com o avanço tecnológico. Logo, será possível em algum momento do futuro comprar um bem melhor e mais barato usando uma parte relativamente menor do capital que se possuía.

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Essa simples explicação microeconômica derruba qualquer lógica que defende que o aumento do consumo enriquece o povo. Isso é falso, o povo limpa a sua conta bancária ou de poupança, compra uma coisa que irá perder valor do dia para a noite sucessivamente e, em alguns meses, estará sem o capital gasto e com uma bugiganga depreciada na mão. Inacreditável que tem gente que defende essa tese como a solução para a pobreza nacional e ainda diz que entende de economia.

É por essas ideias e essas pessoas que somos um país pobre desde sempre. Nossa taxa de poupança e investimento é negativa, porque o povo não poupa o suficiente e o governo ajuda a queimar o pouco de poupança existente.

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Mas o problema não para por aí. Tudo se agrava quando o governo resolve irrigar a economia com a expansão da oferta monetária ou de crédito para estimular a gastança. O aumento dessa oferta faz com que cada unidade monetária tenha o seu valor diluído perdendo então poder aquisitivo.

Perceberão a enxurrada de moeda em primeiro lugar os que estiverem mais próximos do eixo a partir do qual a onda expansionista se propaga. Até que todos os agentes econômicos se deem conta de que há mais oferta monetária do que antes, os últimos reagirão muito depois do que aqueles que perceberam antes, ocasionando assim uma concentração de renda em favor daqueles que estão mais próximos de quem tem o poder emissor de moeda e crédito: o governo e seus agentes financeiros ou fornecedores diretos.

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Ora, como pode enriquecer o povo que tem perda com os juros escorchantes que paga, com a depreciação dos bens que compra, com a pilhagem que sofre com os impostos que paga e que são desperdiçados e com a perda escamoteada do poder aquisitivo da moeda que recebe porque ela foi inflacionada?

A resposta econômica para isso é simples: não pode.

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