A chantagem do Governo via liberação de emendas e a vitória de Cunha

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cunhaEduardo Cunha venceu a eleição para Presidente da Câmara. Além de ser o segundo numa linha sucessória presidencial (atrás apenas do Vice-Presidente) e ter o controle da pauta da Câmara, o detentor desse cargo também é a autoridade que pode vir a aceitar um futuro pedido de impeachment da Presidente Dilma, caso venha a ocorrer, o que hoje é uma realidade concreta.

Por isso, houve um investimento pesado feito pelo Governo na campanha de seu fiel aliado Arlindo Chinaglia, com notícias de que o Governo teria prometido acesso a cargos e liberação de emendas parlamentares aos que votassem no seu candidato. O uso de emendas parlamentares como forma de chantagem do poder executivo sobre o poder legislativo brasileiro não é uma novidade e se acentua quando o poder executivo tem pouca legitimidade e muita pressão social, como é o caso do segundo mandato de Dilma. A situação é relativamente simples. Como campanhas políticas no país são muito caras, a dependência de dinheiro público em virtude da alta concentração de competências governamentais é muito alta e o pacto federativo brasileiro faz com que o dinheiro dos tributos fiquem majoritariamente em poder da União e as prefeituras fiquem de pires na mão, cria-se um cenário onde congressistas passem a ser “vereadores federais” atrás de recursos, que serão barganhados em troca de votos nas bases.

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Todo esse cenário já havia sido dissecado por mim há quase dois anos atrás e, mesmo com toda essa chantagem econômica, ainda assim o Governo perdeu a eleição. Os motivos são muitos e podem ser elencados: (i) o PMDB é o poder moderador da República contemporânea; (ii) o Governo PT sistematicamente descumpre acordos com o Congresso; (iii) mesmo com toda a máquina partidária, a fraqueza política da nova Presidência da República repercute em derrotas como esta; (iv) o novo Congresso é socialmente mais conservador e, portanto, mais alinhado ideologicamente com Eduardo Cunha que com o PT; (v) uma das principais promessas de Eduardo Cunha foi a votação definitiva da PEC do orçamento impositivo, onde o Governo será obrigado a pagar, de maneira isonômica e sem retenção de recursos, todas as emendas parlamentares, sem distinção partidária; (vi) Eduardo Cunha sempre cumpre suas promessas, de acordo com os bastidores de Brasília, o que faz dele uma pessoa confiável para os demais políticos.

Embora o orçamento impositivo seja um reflexo da falência do pacto federativo brasileiro e um péssimo mecanismo de gestão, sua aprovação fará bem ao Congresso, que será mais independente, especialmente nas mãos desse político fluminense que é quem melhor faz oposição ao PT hoje. Se isso vai se refletir em políticas liberais, só o tempo dirá, embora eu tenda a achar, desde já, que não será o caso.

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Bernardo Santoro

Bernardo Santoro

Cientista político, advogado, mestre e doutorando em Direito, conselheiro superior do Instituto Liberal e sócio do escritório SMBM Advogados (smbmlaw.com.br).

Um comentário em “A chantagem do Governo via liberação de emendas e a vitória de Cunha

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    02/02/2015 em 4:36 pm
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    Ótimo artigo explicativo.

Fechado para comentários.

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