Por que o igualitarismo é adorado por teóricos de botequim?

platao1Em um recente happy hour com antigos colegas de faculdade fui convidado a responder a seguinte pergunta: se fosse possível escolher um superpoder, qual você gostaria de possuir?  Como eu não poderia perder a oportunidade de tentar emplacar uma ironia, disse que gostaria de poder escolher fechar os ouvidos. Isso mesmo, assim como posso movimentar as pálpebras para não ver uma cena desagradável ou fechar a boca para não falar algo que possa me arrepender, gostaria também de possuir um mecanismo especial que me impedisse temporariamente de ouvir algumas bobagens. Disse isso, não por achar a pergunta impertinente, mas por ter acabado de ouvir de outro integrante da mesa um pensamento típico de quem desconhece raciocínio lógico, senso crítico ou coerência.

O “grande pensador brasileiro”, em questão, formado em TRB (Teoria Rasa de Botequim) afirmou que nossa “presidentA” era uma mulher íntegra e que todos os escândalos de corrupção foram inventados pelos reacionários da Direita com a única finalidade de tomar o poder e estabelecer suas pautas opressoras. Disse, ainda, que a classe média e a alta só estavam irritadas com a elevada carga tributária, pois sabiam que elas financiavam os programas de governo e estavam promovendo justiça social ao equilibrar a diferença entre os ricos e pobres.

Confesso que atualmente ando com mais preguiça de rebater estas ideias. Pobres pessoas que parecem nunca acordar deste profundo sono socialista. Talvez, o fato de ter vivenciado algumas experiências desconcertantes, no passado recente, tenham diminuído o ímpeto de começar uma discussão, só para ver quem possui discursos mais coerentes ou é capaz de criar as melhores armadilhas intelectuais. Obviamente, depois de ser exposto a alguns absurdos não há como ficar imóvel ou, simplesmente, deixar para lá. Felizmente, existe a possibilidade de escrever para este site no intuito de criar uma espécie de “proteção” para os amigos leitores que, eventualmente, ouvirem algo similar de amigos, colegas de trabalho ou, até, familiares. Afinal, ainda não desenvolvemos a capacidade de fechar os ouvidos (é possível com os dedos indicadores, mas não recomendo, pois parece muito infantil).

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Se Dilma é uma pessoa íntegra, nem vou entrar no mérito da discussão, pois contra fatos não há argumentos. Ela me parece mais encrencada do que quem investiu todas as suas economias nas ações da Petrobras. O que me provocou, entretanto, foi o argumento corrente de que cabe ao Estado promover a idealizada igualdade social, mesmo que, para isto, ele precise ser autoritário, corrupto e ineficiente. Meu primeiro questionamento é o seguinte: o que os seguidores de Duvivier querem dizer quando utilizam a expressão “igualdade”? Ao ouvir essa palavra, tenho a impressão de que para eles, se parece difícil melhorar financeiramente então, o caminho lógico seria fazer com que todo mundo se torne igualmente pobre com a ajuda dos burocratas. Naturalmente, seria taxado de “literal”, “superficial” ou “defensor dos reaças”. Além disso, há o fato de que muitos dos defensores do igualitarismo são possuidores de uma vida altamente confortável: pais ricos, bolsa estatal, emprego público e etc.

Aprendi através da influência familiar e do contato com teóricos da Escola Austríaca que é preciso ver os políticos com muita desconfiança. Afinal de contas, como confiar que alguém com muito poder e acesso livre ao dinheiro de impostos possa saber o que é melhor para minha vida? Ora, nem eu tenho total certeza sobre isto. Acredito que um dos poucos momentos em que os políticos merecem alguma atenção é quando se comprometem em parar de intervir no mercado e na vida dos indivíduos. Como no exemplo de Cingapura, quando Lee Kuan Yew realizou as reformas econômicas que lhe estabeleceu entre as cidades mais ricas do planeta.

O ex-primeiro-ministro teve a compreensão de que a cidade não se tornaria próspera da noite para o dia e que as reformas deveriam ser implementadas de forma sistemática e gradual. Para modernizar o país foi preciso conquistar uma moeda estável, possibilitar um setor privado competitivo e garantir a propriedade privada. Todas essas iniciativas foram colocadas em prática com a mínima intervenção da classe política e com respeito à liberdade individual.

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Para se ter uma ideia da prosperidade conquistada pela cidade-Estado, ela possui atualmente mais de 5 milhões de habitantes sendo que 105 mil são considerados milionários. Outra das provas de que Cingapura se tornou um modelo a ser seguido por muitos países ocidentais é o fato de ter sido eleita pela segunda vez a cidade mais valiosa do mundo.

O estudo foi realizado pela Economist Intellegence Unit (EIU) e incluiu 133 cidades ao redor do mundo. A pesquisa levou em consideração os preços de produtos, alimentos, bebidas e serviços- como transporte e aluguel.

Utilizando os preços praticados em Nova Iorque como base comparativa constatou-se que Cingapura possui renda per capta superior a dos EUA. Os produtos de um supermercado estão 11% mais caros e os itens de vestuário são 50% superiores à média de NY. A cidade também recebe, todo ano, um número elevado de turistas dispostos a pagar um preço superior pela qualidade de seus produtos, restaurantes e entretenimento.

Quando me deparo com exemplos como o de Cingapura não há como não sentir indignado com a atual situação do Brasil. Em 2009 quando a capa da revista The Economist mostrou a icônica imagem do Cristo Redentor prestes a decolar, a mensagem que correu o mundo foi a de uma nação em pleno desenvolvimento. Hoje, percebemos, por trás daquela fachada de prosperidade, que estava sendo articulado um projeto de poder escuso influenciado por ideias socialistas que em poucos anos levaria o país à estagnação e à depressão econômica.  A maquiagem de “liderança” construída por marqueteiros muito bem pagos com o nosso dinheiro também não resistiu ao desenrolar dos fatos que trouxeram à tona toda a verdade. Na última década, não houveram líderes comprometidos com um futuro próspero para o país, muito menos, com a chamada “igualdade” que os coletivistas apostaram todas as suas fichas.

Se Cingapura deixou de ser um país subdesenvolvido e atualmente encontra-se entre os mais ricos do planeta, será que ainda é possível ser otimista com o Brasil?

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Guardadas as devidas proporções, acredito que é possível, sim, ver luz no fim do túnel. Seguindo a máxima do “copo meio cheio ou meio vazio”, a crise costuma mostrar para as mentes mais pessimistas que “tudo se encaminha para o caos” e para as mais otimistas “é uma oportunidade para mudar de rumo e seguir por outro caminho”. Para os indivíduos com potencial empreendedor, a crise costuma ser encarada como um desafio a ser superado; uma janela para o crescimento. No caso do Brasil, a população percebeu da pior forma possível, ou seja, com o maior escândalo de corrupção do planeta, com o retorno da inflação e a perda de confiança dos investidores, que é preciso parar de acreditar que só o Estado poderá nos proporcionar melhores condições de vida. Diariamente, matérias jornalísticas, analistas de economia e sites respeitáveis mostram onde de fato está o problema: na máquina pública inchada, corrupta e ineficiente, na existência de empresários dependentes da “proteção” do Estado e em programas de governo caros e assistencialistas.

Se já conseguimos identificar o problema, falta, agora, dar passos mais firmes em busca de soluções que Lee Kuan Yew adotou. Depois de se ver diante de um cenário de crise profunda, é urgente a diminuição da intervenção estatal, uma moeda estável, um setor privado livre e competitivo, bem como a garantia do respeito à propriedade privada. É imprescindível, também, fazer com que aquele seu amigo petista perceba que suas ideias deixaram de ser o mainstream acadêmico faz algum tempo e que proferi-las em um botequim só fará dele um idiota útil.

 

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Diego Reis

Diego Reis

Diego Reis é empreendedor, antropólogo, designer gráfico e fundador da Croove, agência e revista eletrônica sobre design, empreendedorismo, branding e criatividade.

9 comentários em “Por que o igualitarismo é adorado por teóricos de botequim?

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    11/02/2016 em 5:56 pm
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    Qualquer individuo culto que conhece o verdadeiro socialismo, nunca devidamente analisado e aplicado no mundo em função de opiniões capitalistas “roxos” como o articulista, que analisa tudo sob o foco de uma luneta, é francamente aceitável ler tantas opiniões disparatadas, tal como a conversa de boteco. O efeito é o mesmo que ocorria nos grandes simpósios, onde eu e meu chegado amigo Sócrates, Platão, Gorgias, discutíamos o futuro da sociedade humana. Após uns copos do melhor vinho grego, todos se cumprimentavam em apupos de respeito diante da “sabedoria do interlocutor” e todos saiamos bêbados, sem nada de util construir. Mas por trás daquela aparente e inutil discussão, deixamos uma verdade que os capitalistas perceberam, assim resumida> “Se esse socialismo vingar, nós vamos viver do que?”. Referimo-me aos aristocratas e burgueses da época, cuja similitude aos atuais está só na vestimenta… usam gravatas!.

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    05/02/2016 em 2:41 pm
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    Nosso aparelhamento político dá muita abertura para a corrupção, e quem não luta para acabar com alguns excessos do Estado, acabam sendo cúmplices.

    É evidente que Dilma faz um péssimo governo, concordo! e que não tem condições nem de gerenciar um supermercado, só está lá ainda, pela força do lulopetismo. Aquele dos jargões mais horrorosos que o brasileiro tanto insiste, e enche a boca pra falar.

    “Com lula o pobre consegui comprar carro” ” agora o pobre viaja de avião”.

    É um discurso tão sujo quanto o partido, mas esse é só um de nossos problemas, o sistema é lixo.

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      11/02/2016 em 5:58 pm
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      E dai?

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    02/02/2016 em 10:22 pm
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    O verbo haver no sentido de existir é impessoal, portanto só pode ser conjugado na 3ª pessoa do singular.

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    02/02/2016 em 7:01 pm
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    Igualitarismo é, sem dúvida alguma, uma doença mental seríssima. Além de ser letal e perigosíssima quando posta em prática.

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      11/02/2016 em 6:20 pm
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      Erro Crasso! O igualitarismo é uma essência imanente na raça humana, que deixou de existir quando inventaram o dinheiro e o latifúndio. Doente mental é aquele que pensa ter direito a tudo em detrimento do seu semelhante desfortunado, que chegou por último no grande pasto gratuito da vida. É o símbolo e sinônimo do egoismo, chaga que leva os humanos a toda espécie de racismo e discriminação, esquecendo-se que, nus são todos iguais perante a lei maior. Assim, a concepção IGUALITÁRIA ABSOLUTA é um erro grave dos sociólogos, em qualquer departamento da vida. A tirania política poderá tentar uma imposição ideológica para tirar partido neste sentido, mas não passará das espetaculosas uniformizações simbólicas para efeitos exteriores, porquanto o verdadeiro valor de um homem está no seu intimo, onde cada espírito tem sua posição definida pelo próprio esforço. Logo o socialismo igualitarista é uma bela expressão de cultura humana, enquanto não saltar para os polos do “escravismo ideológico, como a atual democracia”. Porém, quer queiram ou não o mais letal sistema castrador da sociedade é o CAPITALISMO, cujos dias estão contados na história da humanidade. Lembrem-se da máxima: NÃO A MAL QUE DURE PARA SEMPRE, NEM BEM QUE NUNCA SE CABE. O sistema capitalista foi idealizada nas trevas quando eu ainda pertencia as colunas do mal. É o sistema mais vil inventado pelas mentes diabólicas, pois fazem as pessoas acreditar que uma COISA RUIM é BOA. Pensem Nisso.

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        16/02/2016 em 3:03 pm
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        Profeta, O capitalismo tem seus defeitos, qual sistema não tem? Mas creio que o capitalismo possibilita a livre troca entre pessoas, empresas geram empregos e movem a economia, o que possibilita que a riqueza seja distribuída indiretamente. Diferente das grandes Estatais brasileiras, que se sustentam com dinheiro público, são cabides de empregos políticos.
        Acho que em sua fala falta uma crítica aos monopólios, aos empréstimos que o governo concede via BNDES, e reservas de mercado, as tantos impostos que o brasileiro paga, Esse é o capitalismo de Estado. Sobretudo acho que um equilíbrio entre o capitalismo e o socialismo é uma boa opção.

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    02/02/2016 em 2:12 pm
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    Não suporto essa expressão idiota útil. Pra mim, é idiota inútil. Se não, seria útil pra quê ou pra quem? Isso me lembra a paravra presidenta. Horroroso.

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      02/02/2016 em 5:44 pm
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      Idiota útil. Claro, útil ao lulopetismo. Palavra presidenta, também me irrita. Agora, não seria irritante se fosse dirigida a Margareth Thatcher.

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