Considerações sobre o secreto documento da CIA e a ordem de matar da Ditadura Brasileira

Começo o texto com uma observação simples: toda ditadura é um regime de imposição, algumas mais outras menos. Por óbvio ditaduras não respeitam princípios básicos da liberdade individual. Nessa semana ficamos chocados com a revelação de um relatório secreto da CIA. No relatório afirma-se que Geisel e Figueiredo, dois presidentes militares, estavam diretamente envolvidos em […]

Começo o texto com uma observação simples: toda ditadura é um regime de imposição, algumas mais outras menos. Por óbvio ditaduras não respeitam princípios básicos da liberdade individual.

Nessa semana ficamos chocados com a revelação de um relatório secreto da CIA. No relatório afirma-se que Geisel e Figueiredo, dois presidentes militares, estavam diretamente envolvidos em execuções sumárias e ilegais. Sobre o documento da CIA vale a pena a leitura do excelente texto de Reinaldo Azevedo.

Minhas considerações:

1) Não tenho dúvidas alguma de que o regime ditatorial no Brasil cometeu excessos e executou pessoas. Isso vale para a ditadura Vargas como vale para a ditadura militar. Afinal, essa é a essência básica de qualquer regime ditatorial: a imposição pela força ao arrepio da lei e do estado de direito.

2) Tenho dúvidas da autenticidade desse documento. Estou curioso para saber sobre suas fontes de informação: foram escutas clandestinas? Informantes que repassaram o teor de reuniões fechadas? Confesso que gostaria de saber como a CIA teve acesso a essas informações. Atenção: creio que a CIA tinha sim meios de obter informações secretas. Afinal, o livro 1964: O Elo Perdido, o Brasil nos Arquivos do Serviço Secreto Comunista deixa claro como o serviço de inteligência da pequena Checoslováquia era atuante no Brasil. Se um país pequeno conseguia isso tudo, para o lado dos países comunistas, me parece óbvio que a CIA também pudesse conseguir. Mesmo assim gostaria de ter mais detalhes sobre a elaboração desse relatório da CIA.

3) Especificamente sobre a ditadura Vargas: tenho pouco conhecimento, mas me parece ter sido um regime claro de tendências fascistas.

4) Sobre a ditadura militar: os militares brasileiros enfrentaram grupos terroristas que queriam impor ao Brasil uma ditadura comunista nos moldes cubano, soviético ou chinês. Por óbvio que não se enfrenta movimentos desse tipo sem uso da força bruta. Cabe ressaltar que alguns desses grupos terroristas já estavam em formação ANTES do golpe militar de 1964.

Vamos agora para considerações pessoais, e aqui deixo claro que talvez eu esteja errado.

5) O uso da força bruta contra grupos terroristas é mais do que justificado, e eu apoio o combate duro a tais grupos. Mas tal combate deve ser feito dentro dos limites legais. Executar uma pessoa presa sob custódia do Estado me parece inaceitável.

6) É fácil falar besteira enquanto tomo meu café na segurança de minha casa. Mas e se eu fosse Geisel? O que teria dito? Deus queira que nesse momento eu tivesse tomado a decisão correta. Mas e se Geisel tomou a decisão correta?

7) Sei que parece superficial, mas quero compartilhar uma frase de Jack Bauer no seriado 24 horas. Havia uma bomba nuclear no centro de Los Angeles, até onde você iria para evitar que essa bomba explodisse? Jack Bauer tortura um terrorista para descobrir onde estava a bomba, e enquanto o tortura repete a frase: “Eu te odeio por me obrigar a fazer isso”. Já imaginaram que coisa horrível? Ser obrigado a fazer coisas horrorosas, corromper sua alma, para conseguir salvar a vida de milhares de inocentes? Sei que estou usando um exemplo controverso. Afinal, não existia tal risco no Brasil em 1974, mas a simples existência de movimentos armados (que executavam pessoas ao arrepio da lei) mostra que algum risco havia. Será que tal risco justificava tais ações? Do conforto do meu sofá respondo: creio que não. Creio que o movimento terrorista armado, de guerrilha e revolucionário, não apresentava riscos suficientes que autorizassem tais medidas.

Essas são minhas divagações. A verdade é que existe uma grande área cinza em alguns momentos de nossa vida. Nesses momentos só nos resta orar, refletir muito, estudar muito, trabalhar muito, ser honesto, e pedir a Deus para tomarmos a decisão correta.

Gostou do texto? Ajude o Instituto Liberal e Adolfo Sachsida no Patreon!