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A mente e o livre-arbítrio

Livre-arbítrio é a faculdade que temos para escolher focar a mente e pensar. É uma decisão mental que todos podem fazer, mas muitos não sabem ou fazem mal.Livre-arbítrio não é meramente decidir abrir os olhos para perceber o mundo, o universo à nossa volta, do qual também fazemos parte, assim como a nossa consciência e as ideias que temos.

Percepção, diferentemente do ato de pensar, é um processo automático. Você abre os olhos, aguça os ouvidos, abre as narinas, estimula as papilas, experimenta o toque e o mundo está ao seu alcance.Sentir e perceber os concretos da realidade, qualquer animal irracional consegue. O que só os humanos conseguem fazer é traduzir o que se sente e se percebe à nossa volta em conceitos, fazendo uso do código visual-auditivo que chamamos de linguagem.

Conceitos nos permitem colocar na nossa mente o que sentimos e percebemos do mundo, para podermos identificar, definir, distinguir e integrar os concretos, criando com isso abstrações simples ou complexas na forma de ideias. Para tal, é preciso tomar a iniciativa de focar a mente e se esforçar para compreender detalhada e precisamente os objetos analisado e os fatos que os envolvem. É preciso tentar decifrar a sua identidade e o que ele proporciona quando é posto em movimento, estabelecendo a relação causal entre efeito, causa e a natureza da entidade observada.

Focar a mente, usar metodologia científica típica para induzir sobre o que nos interessa, mesmo a mais corriqueira, checando nosso conhecimento com a lógica, revendo constantemente as premissas, sempre que houver contradições, é dar bom uso ao livre-arbítrio, à árdua decisão e à difícil tarefa de pensar.

Aprender com os outros sobre o universo pode ser um processo social e cooperativo, mas sentir, perceber e pensar sobre aquilo que foi aprendido é algo que somente pode ser feito por um indivíduo no contexto da sua mente, enquanto faz o melhor uso da sua consciência. Essa é a luta mais importante da vida: defender e praticar o livre-arbítrio, inclusive para entendê-lo, sem o que pensar é impossível. Sem pensar, o ser humano não cria, e, sem criar, perece. Quem não cria valor para si, como um egoísta racional, acaba dependendo altruisticamente de alguém, sacrificando-o ao precisar recorrer à coerção ou à intimidação para obter o que não tem, mas necessita para se manter vivo. O ser humano que pensa, cria valor suficiente a ponto de ser capaz de se sustentar, sustentar os seus e até de sustentar o mundo.

Roberto Rachewsky

Roberto Rachewsky

Empresário e articulista.