Pimenta na escuta dos outros é refresco

gazeta povoEm menos de uma semana, o lado esquerdo do Brasil descobriu o valor de termos como “liberdades individuais”, “preservação de sigilo” e “garantias constitucionais”, entre outras ideias que liberais e conservadores tentam há décadas popularizar sem muito sucesso no país, mas que as democracias mais avançadas conhecem e usufruem há séculos.

Ao perceber que seu líder espiritual poderia ser alvo do longo braço da lei como qualquer outro mortal, uma súcia de relativistas morais formada por arautos do regime, bajuladores incuráveis, serviçais ideológicos e áulicos do petismo clamaram pelo império das leis num surto inédito e pouco convincente de apreço às leis.

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É difícil acreditar na súbita conversão da esquerda brasileira ao legalismo se adotaram como bordão “não vai ter golpe”, uma inversão orwelliana dos fatos que tenta chamar de “quebra de ordem institucional” um processo que, pelo contrário, é constitucional, respeita todos os ritos legais, prevê todas as instâncias de defesa e ainda sofreu uma interferência direita do Supremo Tribunal Federal.

O sistema jurídico é uma das mais importantes e definidoras instituições de uma sociedade. Quando a aplicação das leis está à mercê da biruta dos ventos políticos, a tendência é que o arbítrio dos governantes atropele as salvaguardas dos cidadãos e proteja de forma discricionária quem gravita em torno do poder. Sem segurança jurídica e independência das cortes, não há democracia.

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Texto publicado na edição impressa da Gazeta do Povo do dia 22 de março de 2016. Leia a integra deste texto aqui.

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