O que pode e o que não pode ser dito

datenaEm 2010, José Luiz Datena disse em seu programa na Band algo que incomodou alguns ateus. Uma associação de ateus abriu um processo contra ele e a Band, que foram condenados. A emissora teve que exibir 72 vídeos sobre “liberdade religiosa” como pena.

Datena comentou depois de mostrar um crime: “esse é o exemplo típico de um sujeito que não acredita em Deus. Matou um menino de dois anos de idade. Essa gente é quem mata, enterra pessoas vivas, quem estupra, quem violenta nossas mulheres. (…) Quem não acredita em Deus não tem limite. Quem não acredita em Deus não respeita limite porque se acha o próprio Deus’.

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Datena foi ferozmente combatido na imprensa, processado e condenado na justiça, por uma opinião que, concorde você ou não (eu não concordo), é apenas uma opinião, não foi direcionada a ninguém especificamente e que poderia ser respondida num debate.

É preciso urgentemente que o país tenha critérios claros para os limites da liberdade de expressão. É no mínimo estranho o país que condenou o Datena e a Band não só permitir como financiar com rios de dinheiro público e privado as cenas que foram vistas na Paulista no último domingo numa provocação absurda aos cristãos. Segundo o IBGE, aproximadamente 90% dos brasileiros se declaram cristãos.

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Enquanto não houver um debate aberto e claro sobre o que pode e o que não pode ser dito ou mostrado em público, tudo ficará nas mãos de juízes que decidirão baseados em abstrações e subjetividades, dando margem a sentenças esquizofrênicas. A ignorância e a destruição do ensino causam estragos incalculáveis numa sociedade que sequer consegue formular uma discussão minimamente racional e bem fundamentada sobre liberdade de expressão e seus eventuais limites.

Se você tem um mínimo de informação sobre o viés ideológico dos cursos de direito no país, deve imaginar que tipo de juízes estamos formando e que vão decidir sobre o que pode e o que não pode ser falado na TV. Ou a sociedade entra na discussão agora ou vai ser engolida por ela.

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Alexandre Borges

Alexandre Borges

Alexandre Borges é carioca, comentarista político e publicitário. Diretor do Instituto Liberal, articulista do jornal Gazeta do Povo e dos portais Reaçonaria.org e Mídia Sem Máscara. É autor contratado da Editora Record.

Um comentário em “O que pode e o que não pode ser dito

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    15/06/2015 em 2:28 pm
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    Tem certos elementos nos meios de comunicação que, em busca do estrelato, costumam não respeitar à nada, e nem à ninguém. E este Datena é um caso típico. Para elementos que agem como este cidadão, cabe bem aquele poema erroneamente atribuído a Bertolt Brecht, mas que na verdade é de autoria do brasileiro Eduardo Alves da Costa, e em uma de suas partes diz:
    Tu sabes,conheces melhor do que eu a velha história.
    Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor
    do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E como nunca dissemos nada.
    Já não podemos dizer nada.

    Eu sempre fui contra a censura pura e simples, dos meios de comunicação. Mas que existe a necessidade de se impor limites, não resta a menor duvida. Se fizermos uma comparação entre este tipo de comunicador, e o menor delinquente, ambos se equiparam no quesito: Não acreditarem que serão punidos. Até que um dia alguém toma uma atitude de enfrentá-los, como aconteceu no caso em foco, onde o Datena foi processado, e então a partir dai eles mudam o rumo de suas ações, e passam a ser mais comedidos nas suas atitudes. Em 2005 este cidadão juntamente com o Marcelo Resende, e o Ney Gonçalves Dias, fizeram uma acusação, julgaram, e condenaram o meu irmão, cada qual no seu canal de TV, e no horário da baixaria geral. E tudo sem nenhuma prova, conforme ficou provado no processo aberto contra o meu irmão que, depois de 2 anos inocentou-o da acusação, por ser um processo montado dentro da mentira, do princípio ao fim. Meu irmão ficou preso por 39 dias, e poderia ter sido morto na cadeia, dada à gravidade da acusação feita pelas três figuras citadas acima. Meu irmão foi defendido por um brilhante causídico aqui de Santo Andre, o Dr. Manoel que, vendo as condições financeiras do meu irmão, não lhe cobrou nada pelos serviços prestados. Quando o meu irmão foi atras da justiça gratuita para abrir um processo contra os três destruidores de reputações, já não havia mais tempo, segundo o novo advogado cedido pelo governo, o prazo já havia caducado. E o meu irmão não pode ser reparado financeiramente pelos danos morais a ele causados. Hoje, ele está com 72 anos, e mora de favor em uma casinha de minha propriedade, e vivendo uma vidinha miserável, com um salário mínimo. Enquanto os causadores da sua humilhação pública, estão ai vivendo nababescamente. E assim caminha a humanidade.

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